I SÉRIE — NÚMERO 42
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O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Faça favor de terminar, Sr. Deputado.
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — E, Sr. Presidente, mesmo a terminar,…
O Sr. Marcos Perestrello (PS): — Já chega!
O Sr. Hugo Lopes Soares (PSD): — … quanto aos juros da dívida pública — a questão macro, a questão
que levou o Partido Socialista da primeira fila a pedir ajuda externa —, na Grécia, são de 10,70%, mas
Portugal, hoje, financia-se com juros de 2,35%.
Ó Sr. Presidente, a pergunta que quero deixar ao Sr. Deputado Vieira da Silva é esta: diga lá, afinal, se do
lado certo da História estão aqueles que levaram o País à bancarrota ou aqueles que colocaram o País a
crescer, o desemprego a diminuir e Portugal com total autonomia, dizendo, de uma vez por todas, que não
voltamos a precisar da troica?!
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra a Sr.ª Deputada Cecília
Honório.
A Sr.ª Cecília Honório (BE): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Vieira da Silva, quero saudá-lo pela sua
declaração política.
Acompanhamo-lo, evidentemente, quando diz que o Governo tem estado do lado errado e, ao mesmo
tempo, sobre a urgência de novas respostas que os cidadãos e as cidadãs da Europa bem merecem.
Queria, no entanto, que nos desse, neste Parlamento, a oportunidade de levar a sério o seguinte cenário:
imaginemos que havia a hipótese de um Governo PS e que esse Governo PS queria estar do lado certo. Posto
este cenário, deixo-lhe duas questões de fundo, a primeira das quais tem a ver com a reestruturação das
dívidas soberanas ou, se preferir, a renegociação. Ela está hoje na agenda política europeia, já ouvimos
algumas vozes, nomeadamente de países do sul, no sentido de encontrar espaço para uma conferência sobre
esta matéria e, sobre esta questão da renegociação da dívida, António Costa não tem qualquer proposta, o PS
não tem qualquer proposta.
Diga-nos, Sr. Deputado Vieira da Silva, qualquer coisa sobre a proposta do PS para a reestruturação da
dívida portuguesa, que atinge hoje os 130% do PIB ou está lá muito perto.
A segunda questão tem a ver com as declarações de António Costa que, de facto, se afastou de alguns
dos líderes congéneres da Europa, nomeadamente dos que assobiaram mais para o lado, e tentou abordar o
futuro do euro. Enfim, chamou-lhe «moeda comum», e de comum não tem nada, mas colocou a questão do
futuro do euro, que é uma questão de fundo.
Como bem sabemos, Sr. Deputado, o futuro do euro está atracado ao tratado orçamental e a esse
compromisso de longa duração de austeridade, de uma dívida que deve ser limitada aos 60% num prazo de
20 anos. O tratado orçamental é a continuidade e a eternização da política de austeridade. E o que António
Costa nos diz sobre o tratado orçamental, e penso que estou, mais ou menos, a citá-lo, é que o mesmo
permite uma interpretação inteligente e flexível e, neste sentido, a proposta é a de flexibilização do tratado
orçamental. Quero perguntar-lhe exatamente o que é que isto significa, porque não há nenhuma previsão de
flexibilização do tratado orçamental dentro do próprio tratado orçamental. Portanto, o que é que o PS quer
dizer exatamente com esta possibilidade de uma leitura inteligente e de uma potencial flexibilização de um
tratado orçamental que, objetivamente, não a prevê.
O Sr. João Galamba (PS): — Tem andado desatenta, Sr.ª Deputada!
A Sr.ª Cecília Honório (BE): — E por que é que o PS continua…
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Faça favor de terminar, Sr.ª Deputada.