27 DE MARÇO DE 2015
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tem de ser ajustada à realidade pela opção própria das instituições, através de consórcios, de agregações ou
de fusões, enfim, aquilo que em cada região for o mais simbólico, o mais eficaz e, sobretudo, aquilo que
melhor der resposta às necessidades da rede de ensino superior, que mais melhore a eficiência e a qualidade
das instituições e a sua relação com o meio à sua volta e com as respostas que são necessárias.
É por isso que não acompanhamos estas propostas, defendendo, isso sim, uma reforma pensada,
maturada, feita não a seis meses do próximo ano letivo, à pressa, como estas parecerem querer fazer.
O Sr. Presidente (Miranda Calha): — Queira concluir, Sr. Deputado.
O S. Duarte Filipe Marques (PSD): — Termino já, Sr. Presidente.
O ensino superior e o sistema precisam de estabilidade, não precisam de mais perturbações, precisam,
sobretudo, de discutir entre todos — politécnicos, universidades, Governo e partidos políticos — a reforma que
deverá ser feita, mas com maturidade e com estabilidade.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente (Miranda Calha): — Tem agora a palavra o Sr. Deputado José Moura Soeiro.
O Sr. José Moura Soeiro (BE): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, nesta discussão, temos uma
divergência com as bancadas da direita e também a tivemos com o Partido Socialista, no passado.
Entendemos que as universidades, para cumprirem o serviço público, devem gerir-se pelo direito público e
pela lógica do bem público e há quem entenda que as universidades devem ser fundações a funcionar pela
lógica do mercado. É uma divergência que é insanável.
Temos também uma diferença de sensibilidade. Os senhores acham que este debate desestabiliza as
instituições de ensino superior e nós entendemos que é a precaridade, os cortes nas bolsas, o abandono
escolar que está desestabilizar as instituições de ensino superior.
Mas há um diagnóstico. A lei é de 2007, já passaram alguns anos, há um diagnóstico que está feito e não
ouvi uma única palavra sobre um dado concreto desse diagnóstico: a maioria dos estudantes do ensino
superior são mulheres e mais de 80% dos órgãos são compostos por homens.
Esse diagnóstico não os leva a querer fazer nada?! Vamos ficar parados? Vamos ser insensíveis a esse
défice democrático?
Sr.as
e Srs. Deputados, já era tempo de, em torno de coisas concretas, podermos, nesta Assembleia, dar
passos no sentido de avançarmos pela democracia.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (Miranda Calha): — Tem agora a palavra a Sr.ª Deputada Diana Ferreira.
A Sr.ª Diana Ferreira (PCP): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Duarte Marques, coartar ou negar a
autonomia é impedir a contratação de professores e de pessoal não docente nas instituições do ensino
superior, é negar o financiamento a estas instituições e empurrá-las para a privatização.
As propostas que aqui apresentamos contrariam a degradação da função docente, a menorização do papel
dos corpos académicos face a entidades externas, a subjugação a interesses mercantis, transformando a
educação num negócio e desresponsabilizando o Estado na garantia de um pilar para o desenvolvimento do
País e um direito constitucional.
Reafirmamos aqui a defesa da responsabilidade do Estado no financiamento público ao ensino superior. O
Governo paga em juros da dívida sete vezes mais do que transfere para o ensino superior público, e assim se
definem muito bem aquelas que são as prioridades do Governo PSD/CDS.
O Sr. Presidente (Miranda Calha): — Queira concluir, Sr.ª Deputada.