18 DE MAIO DE 2017
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A Sr.ª Ilda Araújo Novo (CDS-PP): — São políticas e decisões educativas recentes que não escutam os
professores, que menorizam a sua experiência e que não os apresentam junto da opinião pública como agentes
e parceiros principais. Acresce uma manifesta falta de conhecimento por parte da comunidade em geral do que
implica e significa a profissão docente, as especificidades das suas condições de trabalho, de uma carreira longa
e muitíssimo desgastante, física e emocionalmente.
O presente projeto de resolução do CDS, de 18 de novembro passado, em que se insta o Governo a aplicar
um regime transitório, é tendente a corrigir a incompreensível e inaceitável situação em que se encontram
aqueles docentes.
Daí que se recomende, de novo, a tomada de medidas legislativas que, de forma progressiva e até ao
descongelamento das carreiras da função pública — prevista, no Programa deste Governo, para 2018 —,
permitam reposicionar os docentes no adequado escalão remuneratório, em função do respetivo tempo de
serviço, e sem descurar a situação dos docentes previamente vinculados.
Termino, Sr. Presidente, dizendo o seguinte: tudo somado, temos de admitir, com enorme mágoa, que «os
ventos não sopram» a favor dos docentes…
Protestos do PCP.
… e que, como sempre, está e continua a estar em causa a qualidade e a valorização da educação e,
inerentemente, o futuro do próprio País.
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para apresentar o projeto de resolução do Bloco de Esquerda, tem a
palavra a Sr.ª Deputada Joana Mortágua.
A Sr.ª Joana Mortágua (BE): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Começo por saudar todas as professoras e
todos os professores presentes, os mais de 20 000 professores que assinaram esta petição e todas as
professoras e todos os professores deste País, bem como a FENPROF.
Os professores são uma peça central na educação: não só são dentro da escola os especialistas em
educação, como têm como profissão cumprir um direito constitucional, que é o direito de todas as crianças e
todas as pessoas deste País à educação.
A Constituição e a Lei de Bases do Sistema Educativo reconhecem-lhes esse papel e até lhes dizem que
eles têm de ter um salário e uma carreira correspondentes à sua responsabilidade não só profissional, mas
também social e cultural.
Este papel social dos professores é, depois, repetido na Lei de Bases, quando esta diz que a perspetiva
comunitária da escola tem de favorecer a fixação dos professores aos locais onde exercem, às escolas onde
estão.
Uma sociedade que aposta na educação e que diz também apostar na escola pública não pode maltratar os
seus professores e as suas professoras, a quem confia a educação dos seus filhos, dos seus netos, das suas
crianças.
Mas foi isso que aconteceu. As nossas escolas estão hoje preenchidas por professores exaustos, frustrados
e mal pagos — e a frase não é minha —, mas que, apesar disso, mantêm uma enorme capacidade de
resistência.
Não chegámos aqui de um dia para o outro. Atravessámos uma longa década de desvalorização dos
professores, de ataque aos seus direitos, com dois protagonistas principais — Maria de Lurdes Rodrigues e
Nuno Crato. Estes protagonistas retiraram os professores da gestão democrática das escolas para os
desvalorizar; humilharam com a PACC (Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades); semearam a
injustiça com a Bolsa de Contratação de Escolas (BCE); invadiram o seu trabalho com metas, exames e
controlos externos porque queriam dizer ao País que os professores não sabiam educar nem avaliar os seus
alunos; aumentaram-lhes a carga de trabalho com tarefas que não são pedagógicas e, com isso, desvalorizaram
o seu papel pedagógico criando a confusão entre a componente letiva e a não letiva; congelaram-lhes os