12 DE DEZEMBRO DE 2018
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Dirão que a economia podia crescer mais. É verdade! Mas também podia crescer menos, como há bem
poucos anos crescia, em anos de má memória de governação daqueles que agora se queixam do reduzido
crescimento.
Aplausos do PS.
Protestos do Deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira.
Sr. Primeiro-Ministro, os resultados que atingimos são fruto do trabalho de todos: dos trabalhadores e dos
empresários, das famílias e das empresas, mas também de boas políticas públicas, e é a propósito das boas
políticas públicas que lhe coloco algumas questões.
Recebemos recentemente em Portugal a visita de dois chefes de Estado de países com que Portugal mantém
relações seculares muito profundas, e até fraternais, nos mais diferentes domínios: da economia à cultura, do
social ao linguístico. Esses países e esses presidentes são o Presidente da República de Angola e o Presidente
da República Popular da China.
Estas visitas seguem-se a visitas anteriores do Sr. Primeiro-Ministro a ambos os países e estão enquadradas
por inúmeros contactos ao nível ministerial e até parlamentar. São visitas que traduzem, sem dúvida, um
momento excelente e único nas relações de Portugal com Angola e com a China.
Na visita do Presidente da República de Angola, foram assinados 13 instrumentos bilaterais — da saúde à
justiça, da ciência à educação, do turismo à juventude, passando pela cultura e pelo ambiente.
Na visita do Presidente chinês, foram assinados 17 instrumentos de cooperação bilateral — nas áreas do
comércio e dos serviços, da cultura, da agricultura, do ambiente, do ensino superior, na área bancária e
financeira, da energia, da tecnologia e numa área muito importante que coloca Portugal na Rota da Seda, que
a China quer desenvolver.
Para além das autoridades públicas, foram envolvidas universidades, empresas, autarquias, as mais
diferentes entidades.
Pergunto-lhe: considera o Sr. Primeiro-Ministro que quanto mais fortes forem as relações bilaterais de
Portugal com países da sua esfera geostratégica, como são Angola e a China, mais forte será a posição de
Portugal na Europa e no mundo?
Que significado atribui o Sr. Primeiro-Ministro a esta valorização do papel de Portugal junto de países
estratégicos para a geopolítica e a economia mundiais?
Por fim, Sr. Primeiro-Ministro, pergunto se podemos ter a expectativa de, na sequência deste incremento das
nossas relações, o perfil do investimento chinês em Portugal vir a alterar-se e se, por outro lado, as perspetivas
das empresas portuguesas fornecedoras do Estado angolano também podem vir a melhorar.
Aplausos do PS.
Entretanto, assumiu a presidência o Vice-Presidente José de Matos Correia.
O Sr. Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr. Presidente, Sr. Deputado Marcos Perestrello, vou seguir a ordem inversa
das suas questões.
As visitas de Estado dos Presidentes da República de Angola e da República Popular da China foram dois
marcos muito importantes na política externa portuguesa.
Foram visitas que se enquadraram numa estratégia que temos vindo a desenvolver e a prosseguir
articuladamente entre os diferentes órgãos de soberania — Governo, Presidente da República e Assembleia da
República.
A visita de Estado do Presidente da República de Angola correu de forma a permitir sanar definitivamente
conflitos passados com a República de Angola, criando condições de confiança política essenciais para reforçar
as relações de confiança entre os agentes económicos e entre os nossos povos.