I SÉRIE — NÚMERO 29
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é, precisamente, o fundo perdido. E vem aqui o Sr. Ministro — ouvi-o na primeira resposta que deu — falar em
corrida, dizendo que numa corrida de longo curso temos de medir o esforço. Isso nós percebemos, mas houve
um problema nesta corrida, que foi termos deixado demasiado tempo as empresas e os empresários a correr
«a pão e água». Esse foi o problema! Em matéria de fundo perdido, muitas empresas e muito emprego se teria
salvado se o Governo tivesse, muito mais cedo, como o CDS avisou, colocado apoios a fundo perdido às
empresas.
Sr. Ministro, queria dizer-lhe que, quando falamos de apoios, falamos da «bazuca» europeia. Temos notícias
recentes que são positivas para o País. A Polónia e a Hungria já chegaram a acordo e, finalmente, toda a Europa
vai poder beneficiar dos fundos de apoio aos países no âmbito da COVID-19. Nessa matéria, temos um PRR
(Plano de Recuperação e Resiliência) sobre o qual o Sr. Ministro do Planeamento, Nelson de Souza, disse aqui,
no âmbito orçamental, que a primeira tranche que virá para Portugal será de 900 milhões de euros. Olhando
para a nossa vizinha Espanha, já foi anunciado pelo Governo espanhol precisamente o calendário do que será
a disponibilidade e os momentos em que receberão esses apoios. Pergunto-lhe quando é que, em Portugal,
vamos ter conhecimento desse calendário para, de alguma forma, medirmos o que serão as disponibilidades.
Assisti, ontem, à conferência de imprensa do Sr. Ministro, que fez novos anúncios para a economia. É
importante que, para esses dinheiros que vêm da Europa e que devem ser utilizados para ajudar a dinamizar a
nossa economia, haja um quadro de total transparência. Temos dito e repetido que, em relação às verbas para
a economia e para as nossas empresas — os tais 6000 milhões de euros que o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António
Costa, anunciou —, é importante que essa informação esteja disponível para que as micro, as pequenas, as
médias e as grandes empresas possam aceder a estas, ter conhecimento dos projetos, saber onde podem
candidatar-se e do que vão poder beneficiar dentro desse mesmo quadro.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra, para responder, o Sr. Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital.
O Sr. Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital: — Sr. Presidente, Sr. Deputado João Gonçalves Pereira, queria recordar o seguinte: a primeira medida que o Governo adotou em matéria económica,
no início da pandemia, e, provavelmente, a mais importante para conter o crescimento do desemprego e manter
vivas as empresas foi uma medida a fundo perdido, isto é, o layoff simplificado. Esta foi uma medida a fundo
perdido que permitiu às empresas pagar salários, quando não tinham atividade ou tinham atividade muito
reduzida, deixando de pagar a TSU. Essas medidas foram sucedidas por muitas outras a fundo perdido para a
manutenção do emprego. As empresas puderam receber, por cada trabalhador em layoff,dois salários mínimos
e quase todas as empresas recorreram a este mecanismo. Portanto, houve apoios a fundo perdido, desde o
primeiro momento.
A segunda nota tem que ver com a pergunta que o Sr. Deputado fez sobre quando os fundos provenientes
do programa Next Generation EU estarão disponíveis. Como sabe, está previsto que possa ser adiantado, a
cada país, 10% do respetivo envelope nacional numa primeira fase. Portugal tem já imediatamente confirmados
9000 milhões de euros no seu programa — é o valor dos 10%, como sabe — e o remanescente estará
dependente do PIB em 2021. Será assim: quanto mais baixo o PIB, em 2021, maior será o volume a receber.
Portanto, ainda não está fechada a totalidade desse envelope.
Quisemos ser o primeiro País a apresentar o nosso plano à Comissão Europeia. Estamos, neste momento,
a discutir com a Comissão Europeia o esboço de plano no sentido de podermos apresentar, também o mais
cedo possível, o plano definitivo. Como sabe, o plano definitivo, depois, terá de ser aprovado pelo Conselho
Europeu. Devo dizer-lhe que, aliás, nessa matéria, a convicção e a informação que temos é a de que estamos
mais adiantados do que Espanha — exemplo que invocou — na discussão do nosso plano nacional.
Queria também dizer que precisamente por termos a noção de que é importante começarmos a desenvolver
o mais rapidamente possível iniciativas nesta matéria, o Orçamento do Estado para este ano prevê que o
Governo possa antecipar, por conta desses fundos, 1400 milhões de euros, além de, como já terá percebido,
podermos utilizar, na reprogramação do PT2020, fundos para apoiar as empresas. Estas medidas que ontem
apresentámos têm que ver essencialmente com isso.
Aplausos do PS.