19 DE FEVEREIRO DE 2021
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Conhecemos a prevalência da obesidade infantil, mas continuamos a ter valores de refeição por aluno tão
baixos que tornam difícil garantir uma oferta nutricionalmente ajustada às necessidades dos estudantes, numa
fase em que a alimentação tem um papel tão essencial no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças e dos
jovens. Também ouvimos que é preciso combater o sedentarismo, mas desvalorizam-se as condições e a prática
de educação física nas escolas.
A verdadeira mudança só acontece quando a informação é clara e coerente, quando se estende a toda a
sociedade e sem cedências a interesses que se têm sobreposto à saúde. Para o PAN, sem prejuízo das
respostas necessárias para todos os que sofrem desta doença, o foco deve estar na prevenção, integrando
profissionais de nutrição e de psicologia nas escolas, nas autarquias, no SNS nos equipamentos sociais.
Portugal continua a investir muito menos do que outros países europeus em saúde preventiva.
As políticas em saúde pública têm de assentar cada vez mais na prevenção para podermos, de facto, falar
em combate à obesidade, minimizando os seus impactos na saúde, melhorando a qualidade de vida das
pessoas e garantindo uma maior sustentabilidade no Serviço Nacional de Saúde. A proposta do PAN tem esse
papel, apontando medidas concertadas e integradas de combate à obesidade, numa perspetiva de saúde ao
longo da vida, com foco na prevenção da doença em diversos contextos de vida.
O Sr. Presidente: — Peço-lhe que conclua, Sr. Deputado.
O Sr. André Silva (PAN): — Para terminar, gostaria de dizer que valorizamos o projeto do PSD, que pretende
potenciar respostas e apoios para o tratamento das pessoas que sofrem de obesidade, mas consideramos que
este é um flagelo cujo combate se faz essencialmente por via da prevenção — na qual o PSD não toca no seu
projeto — e não no final do processo, quando o sofrimento, o risco de doenças associadas e até a própria morte
já se podem ter instalado.
O Sr. Presidente: — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Rita Bessa, pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP.
A Sr.ª Ana Rita Bessa (CDS-PP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: De acordo com o Inquérito Nacional
de Saúde 2019, a obesidade é uma doença que afeta 1,5 milhões de pessoas adultas em Portugal, ou seja, o
equivalente a 17% da nossa população. Se considerarmos as estatísticas da OCDE, no Health at a Glance:
Europe 2020, os números são ainda mais elevados, situando-se na casa dos 29%. Estes valores colocam
Portugal como o terceiro país europeu com maior prevalência de obesidade, só atrás da Hungria e da Turquia.
A este ritmo estima-se que, em 2025, haverá 2,4 milhões de pessoas com obesidade em Portugal. O nosso
País e a nossa sociedade ficarão mais doentes e mais vulneráveis a outras doenças relacionadas. A este
propósito lembro que, com a COVID-19, já foi dado nota de que, por exemplo, nas UCI (unidades de cuidados
intensivos) do Hospital de São João, se verificou que metade dos doentes tinha excesso de peso e de que esse
era um fator relevante para a situação agravada desses doentes. São reais os impactos na vida e na qualidade
de vida das pessoas e são crescentes os já avultados impactos económicos a pesar sobre o sistema de saúde.
Ficam, portanto, claros quer o benefício quer a urgência de reforçar uma política de combate à obesidade,
atuando, como aqui já se disse, na prevenção.
Há ainda muitos preconceitos à volta desta doença e muitos deles permitem que persista a ideia de que se
é obeso porque se quer ou porque apenas se tem uma má alimentação. Importa, por isso, salientar quer a
dimensão genética, quer a dimensão socioeconómica desta doença crónica, para além das questões
relacionadas com o estilo de vida que implicam a promoção do exercício físico e de uma alimentação saudável.
Portanto, à prevenção junta-se também, de forma muito importante, o tratamento e o nosso atual e insuficiente
acesso a esse tratamento — quer do ponto de vista das consultas, numa abordagem multidisciplinar, quer do
ponto de vista farmacológico —, em que a comparticipação por parte do Estado falha grosseiramente.
Neste sentido, o CDS também já apresentou uma recomendação ao Governo que gostaríamos de ver
discutida na Comissão, simbolicamente, por volta do dia 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade. Por isso,
juntamos a estas propostas também o nosso alerta, chamando a atenção para a urgência desta doença e
acompanhando as iniciativas em discussão, particularmente as que desenvolvem uma visão abrangente e uma
abordagem multidisciplinar na prevenção e num maior e melhor acesso a tratamentos.