1 DE ABRIL DE 2021
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Ir por este caminho é criar um sistema financeiro sob forte pressão, elevando os níveis de crédito em
incumprimento, obrigando à criação de imparidades e gerando grandes problemas para os bancos.
Ir por este caminho é criar falsas expetativas, é não ser sério e é não dizer a verdade aos portugueses.
Qualquer alteração ao regime das moratórias, a ser feita, só pode ser feita no quadro europeu, como ocorreu
até aqui, tanto nas moratórias privadas como nas moratórias públicas — aliás, as moratórias privadas que
cessam hoje correspondem a 10% do global das moratórias.
O momento convoca-nos para o trabalho com o Governo, com o sistema financeiro, com as famílias e com
as empresas, não nos convoca para a demagogia, não nos convoca para enganar os portugueses.
Protestos do Deputado do PCP Bruno Dias.
Tudo o que não passe por este caminho, Srs. Deputados, é minar a confiança nas instituições, e não contem
com o Partido Socialista para essa tarefa.
A democracia precisa de uma oposição responsável e séria, mas o que o PSD está a oferecer aos
portugueses, perdoem-me, é uma oposição desqualificada e não séria.
Aplausos do PS.
O Sr. Afonso Oliveira (PSD): — Ouviu mal, Sr. Deputado!
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Tem a palavra o Sr. Deputado Duarte Alves, do PCP.
O Sr. Duarte Alves (PCP): — Sr. Presidente, antes de mais, queria precisamente perguntar se não há mais
intervenções, porque…
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Não há mais inscrições, Sr. Deputado.
O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Sr. Presidente, peço desculpa, se me permite, gostaria, ainda, de fazer
uma intervenção.
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Afinal, Sr. Deputado Duarte Alves, parece que surgiu agora uma.
Tem a palavra, Sr. Deputado Duarte Pacheco.
O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Sr. Presidente, mais uma vez, peço desculpa, mas, como havia partidos
que ainda dispunham de tempo, poderia não ser já a intervenção de encerramento.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Vamos ser muito claros. Às vezes, as pessoas só ouvem aquilo que
querem ouvir e esquecem-se de estar atentas a toda a intervenção pública. Acontece a qualquer mortal, e
também aconteceu ao Sr. Deputado Fernando Anastácio.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O que é paradoxal é que Portugal vive ainda em estado de
emergência, com restrições gravíssimas para a atividade económica e para as famílias, a crise económica dá
sinais de agravamento, as pessoas não podem circular entre concelhos, não podem ir a um restaurante comer,
mas, para os senhores, podem começar, desde já, a pagar.
O Sr. Carlos Silva (PSD): — Muito bem!
O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Aqui é que está a diferença.
O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Sr. Deputado, queira terminar.
O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Para terminar, Sr. Presidente, nós dizemos o seguinte: precisamente
enquanto vigorarem todas estas restrições, também as moratórias devem ser prolongadas, exclusivamente