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0347 | II Série C - Número 020 | 28 de Fevereiro de 2004

 

uma nova capacidade europeia apresenta desafios consideráveis, conquanto dependeria do tipo e estado dos sistemas de defesa antimíssil. Ao mesmo tempo admitir compartilhar e operar defesas neste domínio implica desafios políticos, estratégicos e tecnológicos.
Desde logo, é importante saber da utilidade e do papel da defesa estratégica antimíssil para a segurança das pessoas e dos territórios, é certo. Mas ninguém pode ignorar a decisão dos Estados Unidos para desenvolver um sistema global de defesa antimíssil.
Isso já mudou todo o contexto de defesa mundial. A necessidade de os americanos instalarem sensores e alargarem a cobertura de escudo envolve outros países europeus e empresas, por acordos bilaterais, para desenvolver tecnologias e produtos para o sistema. Ignorar isso seria um erro grosseiro.
Vejamos, por isso, o caso dos Estados Unidos.
Em Dezembro de 2002, o Pentágono anunciou que um programa de defesa antimíssil verdadeiramente operacional começará a ser desenvolvido em Outubro de 2004. Espera-se, dizem, que esse sistema seja adaptável a mudanças tanto nas ameaças como também nas melhorias de capacidades tecnológicas.
O papel de uma defesa antimíssil é justificado pela necessidade de garantir mais segurança para os EUA. É o resultado das permanentes mudanças quer na percepção de ameaça quer na doutrina de segurança desde o 11 de Setembro de 2001.
A defesa antimíssil caberá administrar os riscos para a inviolabilidade do território nacional e outras forças desdobradas de proliferação de tecnologias de míssil e armas de destruição massiva.
Por outro lado, a incorporação de elementos activos e preventivos para a defesa antimíssil traz implicações significantes para as relações dos EUA com o estrangeiro e da própria política de segurança.
Mas enquanto um sistema operacional de defesa antimíssil pode ser um sucesso político, já o seu nível de desempenho contra ameaças evidentes definirá a sua eficácia em condições militares.
Contudo, este sistema de defesa antimíssil, emergindo, afectará a vulnerabilidade, opções de defesa e posturas estratégicas de outros países.
Por isso, a extensão da sua eventual protecção apontou igualmente para aliviar o cepticismo europeu sobre este tipo de defesa estratégica nacional.

Política de EUA e Relações Internacionais

O desenvolvimento desta ferramenta de defesa americana está a influenciar posições internacionais e multilaterais que sustentam opções para defesa antimíssil actualmente em desenvolvimento.
Parece consistente a ideia de que a distribuição de componentes baseados em terra, em mar, e em meios aeroespaciais, aumenta a probabilidade global de impedir ataques com mísseis.
Ora, o novo desafio americano consiste em interceptar mísseis na sua fase inicial de impulsão, destruindo o propugnador do projéctil a lançar.
A poder ser real tal capacidade de intercepção garantiria protecção global, em princípio.
Para isso, são necessários 20 interceptores com base em terra, 20 interceptores com base no mar e unidades de Patriot, guiados através de sensores baseados em terra, em mar, no ar e no espaço.
Tudo isso arrasta outras mudanças técnicas e tecnológicas aeroespaciais no desenvolvimento e operação deste tipo de defesa, designadamente novas interfaces na comunicação conectando sistemas e partilhando informação. Sem falhas.

Arquitectura de sensor
Outra vertente técnica e politicamente relevante prende-se com a arquitectura dos sensores do sistema poderá definir a eficácia do modelo.
A arquitectura de sensores inicial cobrirá lançamentos da Coreia do Norte, Irão e China. O objectivo é torná-la capaz de localizar todas as trajectórias de mísseis balísticos contra o EUA.
Para isso está a ser desenvolvido um sistema infravermelho baseado no espaço (SBIRS-HIGH) que fará a advertência e acoplamento de reconhecimento técnicos imediatos.

Interceptores
Os interceptores planeados que estão a ser desenvolvidos serão cinéticos e dirigirão armas.
Na verdade, o interceptor propugnador míssil permanece ainda como uma possibilidade e desafio para a defesa efectiva.
O Pentágono focaliza-se crescentemente em activos baseados no mar desenvolvendo uma defesa previdente.
O desenvolvimento inicial está previsto num programa de seis anos, apontando para desenvolver uma capacidade de intercepção antes de 2009.
O sistema inclui seus próprios meios de localizar e mirar, e requer sistemas de orientação menos sofisticados.
Mas durante o programa será desenvolvida uma cama de teste com a pontaria baseada no espaço, para substituir interceptores com base no solo antes das 2008/2009.
Quanto ao número de interceptores será determinado por avaliações de ameaça e capacidade tecnológica.

Defesa míssil inicial: efectividade e capacidade?
O processo rápido e a activação de respostas apropriadas colocam exigências altas em processamento de informação efectiva e em comunicação.
Alguns dos desenvolvimentos prévios e necessários para o sistema de defesa inicial estão sujeitos a desafios de geopolíticos significativos.
A capacidade para interceptar 70% de ataques de projécteis inimigos não estará demonstrada.

Respostas para a Defesa Míssil EUA
A criação de um sistema americano de defesa míssil tem implicações para posturas estratégicas e de segurança regional.
Outros países precisam de garantias de transparência sobre o desenvolvimento de defesa míssil.

Rússia
A retirada dos EUA do Tratado de ABM transtornaria as relações EUA-russas dramaticamente, causaria instabilidade estratégica e respostas assimétricas.
Contudo, a inevitabilidade do desenvolvimento do programa americano, o seu impacto mínimo na capacidade ofensiva russa, nas capacidades míssil, e a aproximação política preveniram uma crise.
Por outro lado, as restrições financeiras condicionam a actualização e renovação de sua própria defesa míssil.