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0006 | II Série C - Número 051 | 06 de Maio de 2006

 

Outro facto a valorizar reside nas categorias especiais (vintages, LBV, 10 e 20 anos ), que constituem, neste momento, a principal fonte de mais-valias, o que pode conduzir a política das empresas para a lógica do nicho, desprezando as categorias correntes e o volume.
Segundo o pensamento do empresariado, o futuro passará por menos agricultores, menos vinhas, menos vinho, mas mais rendimento, que as categorias especiais lhes proporcionam.
Esta orientação poderá configurar sérios problemas sociais de futuro, a exigir uma resposta empresarial, profissional, moderna, de grupo, e em escala, com a participação das cooperativas, e de muitos vitivinicultores independentes, de forma a ganhar novos mercados, novos países, e mesmo ocupar o espaço eventualmente abandonado pelos exportadores tradicionais.
Este negócio, assente na stockagem, na lei do terço, implicando vultuosos investimentos, está aliado a uma imagem de história, tradição, qualidade e distinção, que novos grandes operadores começam a dar sinais de não valorizar.
O IVDP, compreendendo uma direcção nomeada pelo Governo, e um conselho interprofissional, com representação paritária da produção e do comércio, sugere a prossecução de um modelo de futuro, mas que ainda busca sedimentar a cultura da parceria activa, da co-responsabilização, da sustentabilidade bilateral.
A desconfiança parece ainda não estar ultrapassada.
Do ponto de vista funcional, a qualidade e a simplificação do processo, ao serviço de produtores e comerciantes, ainda necessitam de mais aperfeiçoamentos.
Um grande rigor na atribuição dos quantitativos de "benefício" e a criação de soluções interprofissionais para resolver excedentes, em anos atípicos, constituem também desafios ao desempenho deste organismo.
Em 7 de Maio de 1986 o Decreto-Lei 86/86 passou a permitir a stockagem e a exportação directa, em garrafa, da RDD para todo mundo. O Entreposto do Vinho do Porto, que durante séculos tinha estado confinado, em exclusividade, a Gaia, alargava-se assim para o Douro. Medida aceite como justa.
20 anos depois, contudo, parece reconhecer-se que o impacto social e económico da medida está longe das expectativas.
A fase do ciclo do vinho que compreende armazenagem, stockagem, certificação, controlo de qualidade, engarrafamento e expedição está associada a muita mão-de-obra qualificada, a know-how técnico e humano, e a muito mais valor acrescentado, quando comparado com a fase primária, ou seja, a da viticultura e vinificação, naturalmente realizadas na região.
São exportados, directamente, a partir do Douro, apenas 11% do total de Doc Porto.
Por esta razão, foi considerado que dificilmente a região alcançará os ganhos justos correspondentes à sua posição na fileira deste vinho enquanto se mantiverem estes números.
À custa desta fileira, muito dificilmente poderão ser invertidas as tendências do empobrecimento e desertificação manifestos na região, com o actual formato de logística, maioritariamente sediada em Gaia.
O Douro hoje tem uma auto-estrada (A24), com enlace transeuropeu, um rio navegável, que brevemente permitirá transporte de cargas, sem transbordo, desde a Régua/Lamego para qualquer porto europeu.
Três séculos após a criação desta logística, Douro-Gaia, no ciclo do vinho do Porto, é difícil aceitar a sua manutenção nos dias de hoje.
Recomendam-se medidas que possam incentivar, a médio prazo, a deslocalização para a própria região das grandes firmas exportadoras, localizadas em Gaia, onde a pressão urbanística é cada vez maior. Esta deslocalização seria seguramente um factor animador do desenvolvimento da região.

4 - No processo das audições registaram-se pedidos ou reivindicações de que se dá conta de seguida.
Pede-se uma administração pública que leve menos tempo a licenciar. Foi dado o exemplo do licenciamento das mini-hídricas, que pode levar 10 anos!
Pede-se que os planos de ordenamento se ajustem e articulem em vez de se multiplicarem e sobreporem, e que respondam a uma estratégia de desenvolvimento integrada, ao invés de se tornarem obstáculos ao desenvolvimento.
Pede-se investimento em infra-estruturas, particularmente vitais nesta região, como a EN 222, a A4, o IP2, IC5, IC26, uma ligação de Foz côa à A24 (que seria o grande eixo da RDD), a recuperação do troço ferroviário Tua/Pocinho/Barca d,Alva, da linha do Tua, a requalificação da linha do Douro, o arranque da Barragem do Sabor, como reserva estratégica de água, produção energética e de regularização dos caudais do rio Douro.
Pede-se uma aposta estratégica na formação dos recursos humanos nas áreas com potencial de desenvolvimento; pede-se investimento na área museológica (Douro e Foz Côa).
Pedem-se ainda medidas de combate à desertificação humana, como sejam bonificações em sede de IRS e IRC.
Pede-se que no processo de reforma da administração pública e na reorganização dos serviços públicos se tenha em atenção o fenómeno da desertificação humana na região e a proximidade dos serviços aos cidadãos.
Foi ainda reivindicada a necessidade duma reavaliação e correcção de eventuais disfuncionalidades decorrentes da última reforma institucional da Região Demarcada do Douro, nomeadamente as resultantes das competências atribuídas aos diversos actores da produção e do comércio, e ainda entendido como