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Sessão de 8 de Janeiro de 1919 35

dêsse morto querido, do grande Presidente Sidónio Pais.

Que descance em paz!

O que explica o desaparecimento do primeiro Ministério?

Foi esta pregunta feita pelo Sr. Cunha Lial. Explicasse simplesmente.

A transigência digna perante os ditames do patriotismo e a necessidade do respeito pela obra de Sidónio Pais, que eu não trairei jamais. Eis a explicação.

Sidónio Pais deu ao exército o prestígio que êle não tinha em 5 de Dezembro.

Sidónio Pais transformou profundamente o nosso exército, num trabalho contínuo e extenuante, embora auxiliado por valiosos cooperadores. Basta notar que todas as manifestações militares que se passavam no nosso território deixavam admirados todos os adidos militares estrangeiros que a elas assistiam. Está aqui a prova dessa grande obra.

Sidónio Pais jamais fez o que outros haviam feito: nunca mandou embarcar soldados e oficiais como quem embarca carneiros, (Apoiados) como se uns e outros alguma vez se tivessem recusado a ir para a guerra!

Sr. Presidente: as valentias pertencem a quem as pode ter. Eu não sou valente, mas não sou medroso. Não temo acusações, venham donde vierem.

Quem acusa apresenta factos e contra factos nunca houve argumentos. (Apoiados).

"Eu estou indubitavelmente ligado aos monárquicos". É esta uma frase do Sr. Cunha Lial.

Eu repto, como homem de honra que é, o Sr. Deputado leader monárquico, Aires de Ornelas, a que diga se eu tenho algumas ligações com os monárquicos que S. Exa. representa nesta Câmara.

Pausa.

O Sr. Aires de Ornelas: - Não, senhor.

O Orador: - Está, desfeita esta interrogação.

Outra frase: "Eu entreguei a República a monárquicos".

Sr. Presidente: não se entrega a Republica aos monárquicas com a organização dêste Govêrno republicano, nem mesmo saindo um Govêrno republicano e entrando um Govêrno monárquico.

Pode, sim, entregasse a República aos monárquicos mandando que as posições de destaque sejam por êles ocupadas. Ora disso não posso eu ser acusado.

Solari Alegro, acusado de monárquico - eu não sei se o é - está no pôsto para que foi nomeado pelo Sr. Machado Santos, cujos princípios republicanos a ninguém oferecem dúvida.

E assim que se desfazem as cousas que não são verdadeiras.

Fez-se uma nomeação, quando eu era Ministro do Interior, do Sr. Margaride para governador civil do Pôrto e agora exonerado a seu pedido, que dizem ser monárquico, mas que é também um homem de bem e incapaz duma traição. V. Exa. mesmo disso me informou, pois eu não conheço S. Exa., mas essa nomeação foi por indicação do Sr. Dr. Sidónio Pais e uma indicação de S. Exa. era para mim uma ordem, que eu cumpria respeitosamente.

Ninguêm carece da minha voz para defesa, mas a verdade - e porque o já disse numa reunião das maiorias - manda-me repetir aqui o que ou então disse. O Sr. Álvaro Mendonça, tenente-coronel, ex-Ministro da Guerra, foi acusado de ter entregue os comandos das unidades aos monárquicos.

Sr. Presidente: V. Exa. sabe como procedia o Sr. Sidónio Pais. Sabe V. Exa. a que êle, investido nas altas funções de chefe das fôrças de terra e mar, jamais abdicava o exercício de tais funções fôsse em quem fôsse. Podia o Ministro da Guerra fazer qualquer indicação, mas só se executava tendo a sanção do Sr. Presidente da República.

V. Exas. sabem no e, se o não sabem, ficam-no sabendo.

O êrro seria do sistema, se êrro se praticou.

Mas, Sr. Presidente, se erros existem, êsses erros corrigem-se, dizendo a verdade, falando com lialdade e com fraqueza!

Homens de bem, homens de bons sentimentos não mentem! Eu entendo que o exército deve andar sempre arredado da política. (Apoiados).

Deram-me uma indicação e eu rejeitei-a porque eram três nomes que, embora muito dignos, não me convinham.

Quanto ao Sr. Ministro da Guerra, eu