O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Sessão de 8 de Janeiro de 1919 31

vando para o fim trágico que, infelizmente, veio a ter.

Sr. Presidente: são então êstes senhores que querem continuar a obra do Dr. Sidónio Pais?

Emfim!... É minha, convicção que estiamos em presença dum Govêrno saído das juntas militares, e é isso o que não se diz na declaração ministerial.

Tendo eu lutado ao lado do Sidónio Pais, lídimo defensor do brio e dignidade que devem, exornar o exército, posso ter para êle as palavras mais dolorosas pela situação em que pretenderam colocá-lo alguns dos seus membros, nesta hora desastrosa para a vida política portuguesa.

Ninguém, Sr. Presidente, pode dizer que eu não tenho arriscado a vida pela honra e brio do exército. Eu, porém, e infelizmente, é que posso dizer que muitos dos que querem continuar... Continuar? não, que querem estrangular a obra de Sidónio Pais, se recusaram a acompanhá-lo, quando êle, simples ex-ministro em Berlim, os convidou para batalharem ao seu lado na defesa desta terra de Portugal.

Ainda com relação às juntas tenho a dizer que respeito sempre a fôrça porque quero que respeitem a minha quando a tenha.

Sob o ponto de vista político, tenho de declarar que não dou apoio a êste Govêrno emquanto êle não disser e provar claramente que não pertence às juntas, porque eu quero que as responsabilidades de qualquer ressalto que venha a dar-se na vida nacional pertençam do direito a alguém que não mim, que não concorri para a organização dêste Govêrno.

A situação política tinha quatro aspectos. Duma maneira geral era a questão militar aparento dêsses, oficiais, que vinham batalhando (?) pela obra de Sidónio Pais. Havia a situação militar tal como explicada na declaração do Ministro da Guerra de então, Dezembro de 1918, o Sr. Álvaro de Mendonça, que pedia o estado de sítio por, segundo disso, esporar uma revolução democrática. Ora essa revolução não saiu; natural é que esteja ainda para sair. E se tal fôrça existe, é preciso que todos reparem nela, pois não é para desprezar. Levou ela, a maior parte das energias de Sidónio Pais.

E ainda há a considerar quem dentro do Parlamento deve haver o respeito pela maioria. Se esta é boa ou má, não importa; funciona com as qualidades que tem; e se não estabelece uma corrente política, se não representa um ideal, se não tem um chefe, se não sabe sintetizar a obra do Sr. Dr. Sidónio Pais, é ela, ainda, que aqui dentro tem de dar o apoio parlamentar ao Govêrno para que possa ter vida.

Mas há mais do que esta fôrça política: há o espírito republicano lá fora, espírito que reside por uma maneira acendrada no povo de Lisboa. E há tambêm a contar com o espírito sectarista que existe em Lisboa, donde saiu o braço que traiçoeiramente matou o Sr. Dr. Sidónio Pais.

Os políticos que não quiserem atentar nestas cousas, o resultado será um desequilíbrio e as naturais revoluções, e quem se revoluciona em revolta nunca pensa nos resultados; nem mesmo na vitória.

Para estes factos tenho de chamar a atenção do Govêrno e do país, para a grave, situação, em que nos encontramos, para a chamada demagogia verde-vermelha, que prepara o assalto ao Poder por todas as formas, desde o estabelecimento do princípio, democrático pelo triunfo da guerra europeia e pelo avassalamento europeu que dia a dia vão fazendo os soviets.

E eu agora não terei mais, do que vir aqui, dia a dia, afirmar que o desastre vem próximo e que a luta se não travou.

E, assim, paralelamente, nós vemos que emquanto o Govêrno oficiosamente fez saber que em França se contrai um empréstimo negociando sôbre a nossa província de Angola, anunciam os jornais que a demagogia azul e branca tenta assaltar os cofres das alfândegas... do Pôrto.

Os jornais monárquicos fazem a apologia das juntas militares e põe-se ao lado dos democráticos.

Mas esta situação não é nova, é de 8 do Dezembro de 1917.

Nessa data tendo falado comigo o Sr. Dr. Sidónio Pais, e dizendo-lhe eu o perigo que tinha á situação que ia criando dia a dia junto dos monárquicos que fácilmente viam a transição para a e restauração, êle afirmou-me: - Descansa,