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Diário da Câmara do& Deputados

Permito-me não levar em muito crédito a notícia do jornal, talvez porque os jornais andam sempre mal informados e dão crédito às primeiras notícias que aparecem. Isto não significa de forma nenhuma menos consideração para com aquelas honradas pessoas — os trabalhadores da imprensa— que ganham dia a dia, hora a hora, a sua vida num trabalho honesto, servindo a publicidade. Significa que pelo desejo de dar notícias, muitas vezes os jornais dão crédito às primeiras notícias infundadas que aparecem.

Repito. Transmitirei ao Sr. Ministro as suas considerações.

Não posso deixar de dizer que tenho a pleDa certeza de que são infundados os receios do Sr. Eduardo de Sousa, porque o Sr. Ministro do Comércio não é homem para lançar o manto protector sobre desmandos, ou sobre crimes. Se houver crimes ou irregularidades, o Sr. Ministre mandará averiguar acerca deles. Se houver determinações do Ministro do Interior, só por altas razões, o Sr. Ministro deixará de cumprir a não ser 'pela antecipada certeza, de que eram infundados os receios do Ministro.

Cabe-me apenas manifestar a minhf, absoluta confiança na maneira como o Sr. Ministro encaminhará o assunto sobro o qual chamou a atenção o Sr. Eduardo de Sousa, e a S. Ex.a declaro que farei sciente o Sr. Ministro do Comércio das; observações que trouxe a esta Câmara,

O orador não reviu.

O Sr. Eduardo de Sousa: — Agradeço ao Sr. Ministro das Finanças a promessa que me fez de transmitir ao seu colega do Comércio as considerações por mim há pouco expendidas.

Aproveitou S. Ex.a o ensejo para defender calorosamente esse seu colega no Governo, o qual, por sinal, de nenhum modo ataquei, porquanto me limitei a pedir que S. Ex.a viesse aqui explicar as razões que o tinham determinado à publicação da nota oficiosa a que me referi e que aqui tenho presente.

Disse eu que jornais houve que, devido à declaração do Sr. Velhmho Correia relativa à dificuldade em encontrar um juiz para a sindicância, pois que do Ministério da Justiça o informou de sucessivas recusas, tiraram dahi talvez um pouco preci-

pitadamente a ilação de que se tratava de íazer a boycottage dessa sindicância. Ora, Sr. Presidente, eu fui precisamente o primeiro a declarar também que me repugnava aceitar tal interpretação ao facto.

Eu era absolutamente incapaz de vir a esta Câmara lançar insinuações sobre quem quer que seja. Fui ainda o primeiro a afirmar que o Sr. Estêvão Pimentel, que não vejo presente, requerendo uma sindicância aos seus actos, D fizera decerto, por melindres de ordem moral que seguramente muito o devem lionrar e sobre os quais eu não tinha que fazer, nem quero fazer a mais ligeira apreciação.

A minha estranheza, e creio ter sido muito explícito neste particular, versou apenas sobre os termos da nota oficiosa e sobre a determinação de restringir-se aos actos do Sr. Estêvão Pimentel uma sindicância cujo âmbito o Sr. Velhinho Correia, quando Ministro do Comércio, entendeu dever ampliar além dos limites em que ela fora requerida pelo mesmo Sr. Estevão Pimentel. Não vejo, portanto, motivo para esse ardente calor empregado pelo Sr. Ministro das Finanças na defesa dum acto do sou colega da pasta do Comércio que eu não ataquei, mas sobre o qual, no meu legítimo direito de Deputado, me limitei a pedir esclarecimentos.

Estou certo de que o Sr. Ministro do Comércio se devidamente £,visar)o pelo Sr. Miuistro das Finanças, como a S. Ex.a pedi, não deixará de vir a osta Câmara justificar os motivos do seu procedimento neste caso e que eu espero ssrão completos e categóricos.

Tenho dito.

O Sr. Ministro das Finanças (Cunha Leal): — Sr. Presidente: polcas palavras porque não estamos aqui evidentemente para nos zangarmos.

Ouvi as palavras do Sr. Eduardo de Sousa que muito respeito, como respeito todos os Srs. Deputados.

Não devo S. Ex.a estranhar que aproveitasse o momento, que não era para tratar duma questão, ruas duma simples pregunta, para manifestar a minha absoluta certeza de que o Sr. Ministro do Comércio tinha procedido agora, como sempre, em harmonia com os altos interesses da Pátria e da República.