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6 Diária da Câmara dos Deputados

não pode falar no período destinado a antes de se encerrar a sessão, visto que êle entra pela noite dentro.

O Sr. Presidente: — Devo dizer a V. Exa. que a Câmara deliberou que êsses projectos se discutissem com prejuízo dos oradores inscritos, e assim logo que há número para votações eu tenho de os pôr imediatamente em discussão.

O Sr. Paulo Cancela de Abreu: — Sr. Presidente: se eu precisasse de demonstrar à Câmara, e nomeadamente à sua maioria, que tenho discutido êste assunto sem qualquer preocupação de ordem política, bastaria lembrar, que a proposta do empréstimo para Moçambique foi largamente criticada e combatida no Senado pelo Senador democrático, o Sr. Herculano Galhardo, pessoa inteligente, categorizada, e a quem ninguém poderá atribuir intenções políticas neste caso.

Combateu-a também largamente o Deputado republicano Sr. Nuno Simões. Combateu-a também o Sr. Cunha Leal.

E o Sr. Brito Camacho, que meses antes tinha abandonado o lugar de Alto Comissário também lhe pôs as suas reservas.

E devo dizer que não reconheço aos Srs. Deputados da maioria direito a atribuírem-me intuitos políticos unicamente pelo facto de eu ser Deputado monárquico.

É bom dizer estas cousas para arrefecer o entusiasmo dos empresários do empréstimo para Moçambique.

Mostrei ontem à Câmara alguns dos inconvenientes que podem advir do empréstimo, e peço aos Srs. Deputados que pretendem que êle se aprove que me digam francamente se eu tenho ou não razão para apreensões sôbre o futuro da província de Moçambique.

Tenho pena de que não esteja presente o ilustre Deputado Sr. Portugal. Durão, pessoa a quem eu tributo o maior apreço, atenta a maneira desassombrada como trata aqui os assuntos, pois desejava preguntar-lhe a êle, antigo companheiro em África de João de Azevedo Coutinho e outros portugueses que ali derramaram o seu sangue em serviço da Pátria, se S. Exa. não tem igualmente apreensões graves, sobre êste assunto.

Acordem, meditem emquanto é tempo. E o Sr. Vítor Hugo que abandone os seus propósitos de ir para Moçambique-se entende que para lá não pode ir sem o empréstimo que se pretende realizar. Acima de tudo estão os interêsses da colónia, acima de tudo estão o brio, a honra e o bom nome da Nação.

Oh! Sr. Presidente! Oh! Sr. relator! Porque é que Portugal, com todo o seu. vasto e rico património, incluindo as colónias, não consegue obter lá fora o crédito que neste momento é dado a Moçambique, província rica e próspera sem dúvida, mas em todo o caso simples parcela de Portugal Não haverá qualquer cousa oculta por detrás de tudo isto? E se é legítima esta suspeita, pode compreender-se que nós vamos de ânimo leve dar uma autorização desta natureza, sem que o Parlamento conheça e aprecie, base por base, todas as disposições do contrato que se pretende realizar?

As considerações de ordem geral que, fiz, e que eu como português muito desejava ver contrariadas com factos por parte dos ilustres coloniais que pertencem a esta Câmara, impõem-se à consciência de todos quantos se interessam pelo futuro da colónia de Moçambique e pela integridade da soberania nacional.

O Sr. Ministro das Colónias tem conhecimento de que vieram, a público as bases do projecto de contrato que o Sr. Augusto Soares trouxe de Londres e que S. Exa. apontou como a última palavra sôbre o assunto.

Há ainda uma circunstância preliminar para a qual chamo a atenção da Câmara. A ocasião escolhida para tratar em Londres do já famoso, empréstimo foi a pior que se poderia ter escolhido para a negociação de qualquer operação de crédito. A vida política inglesa corria então agitada. Notava-se um acentuado retraimento de negócios.

Nestas condições, pregunto se o Govêrno e o Sr. Alto Comissário estão dispostos a conformar-se com o que se encontra estabelecido nas bases trazidas de Londres e se não lhes será possível arranjar ali ou em qualquer outra parte uma operação em condições que não nos envergonhem nem afrontem o brio da Nação.

Sr. Presidente: abusando, porventura,