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Sessão de 14 de Agosto de 1925 29

Faço-lhe a justiça de pensar que S. Exa. não fará isso.

Se isto interessa sabê-lo com outros Governos, muito mais interessa com o Govêrno presidido pelo Sr. Domingos Pereira.

E costume dizer que gato escaldado de água fria tem medo.

O gato aqui, permita-se-me a expressão, é o País.

Quem o escaldou foi o Sr. Domingos Pereira e o seu famigerado Govêrno de 1919, que durante um período de 90 dias lançou sôbre o desgraçado País o mais tremendo dos cataclismos de que todos nós ainda estamos sendo vítimas.

Por isso eu dizia que com qualquer Govêrno interessa saber o uso que fará das autorizações, mas muito mais. isso interessa com um Govêrno como o actual, por ser presidido pelo mesmo homem que presidiu ao Govêrno que se sentou nas cadeiras do Poder desde 30 de Março de 1919 até 30 de Junho do mesmo ano.

Não é já com o receio de que repita o condenável, ilegal e abusivo procedimento dos Governos anteriores, e nomeadamente do Govêrno do notável financeiro Sr. Álvaro de Castro, porque o perigo é muito maior.

Desde que ainda não ouvi que publicamente o Sr. Domingos Pereira se penitenciasse da obra do seu Govêrno de 1919, tenho direito a duvidar de que S. Exa. pense de maneira diferente e publique mil suplementos do Diário do Govêrno com decretos postos em vigor à sombra de uma lei que o autoriza a tudo.

Quando, em 6 de Junho de 1919, o Govêrno do Sr. Domingos Pereira se apresentou ao Parlamento que fora eleito em 11 de Maio do mesmo ano, o Sr. Domingos Pereira leu à Câmara uma declaração ministerial em que, depois de alardear serviços -que supôs ter prestado ao País, emprega esta expressão que realmente traduz a verdade: que fora imensa a tarefa do Govêrno. Realmente essa justiça temos de fazer lhe.

Temos de reconhecer essas qualidades ao Sr. Domingos Pereira e aos seus colaboradores de então. Realmente não é sem grande trabalho que se produz uma obra daquelas dimensões, sôbre a qual eu fiz uma pequena estatística, alguma cousa interessante e elucidativa, embora não tenha chegado ao ponto de proceder como certos jornais que, para demonstrarem pràticamente a sua expansão, para confrontarem o pêso das edições que imprimem, põem essas edições no prato duma balança e no outro prato por exemplo a Torre Eiffel ou estendem por quilómetros as resmas de papel despendidas, para dizerem que o jornal, tal estendido pela estrada fora, atingiria a distância de tantos mil quilómetros.

Mas, Sr. Presidente, se a minha estatística, por deficiência de instrumentos e de tempo, não chegou a essa minúcia pelo que respeita à obra desgraçada do Govêrno do Sr. Domingos Pereira, em 1919, não deixa em todo o caso de ser expressiva e de revelar à Câmara porventura factos que ela ainda ignora ou que tem querido ignorar, porque democráticos, nacionalistas, independentes dependentes agrupados, etc., lembram-se bem de toda a sua responsabilidade nessa obra, visto que todos, incluindo os socialistas, tiveram representação nesse Govêrno.

Apresentou-se o Sr. Domingos Pereira à Câmara, que acabara de ser constituída sem que houvesse monárquicos nela, não porque os monárquicos nesse tempo não tivessem votos que pudessem trazê-los aqui, mas porque não tinham resolvido ainda nessa ocasião entrar num novo campo de luta a que mais tarde se abalançaram.

Lida a declaração ministerial, desfizeram-se em .louvores ao Govêrno, sem em todo o caso referirem qualquer pormenor da sua obra desgraçada, por parte da maioria democrática o Sr. António Maria da Silva, por parte dos que então se chamavam creio eu que evolucionistas o Sr. António José de Almeida, por parte dos unionistas o Sr. Aresta Branco.

Sr. Presidente: honra seja feita a dois parlamentares que fizeram excepção, o Sr. João Pinheiro, que tinha sido Ministro no tempo do Sidónio Pais e representava mais ou monos a corrente que apoiou êsse malogrado Chefe de Estado, e o Sr. Alberto Xavier.

Um pouco tardiamente o Sr. João Pinheiro referiu-se à obra do Sr. Domingos Pereira preguntando apenas só, dado o estado em que se encontrava o País, dadas as circunstâncias em que o País se debatia, se podia arcar com a extraor-