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Diário das Sessões do Senado

Em todo o caso, o que tenho a dizer a todos aqueles que procuram diminuir o Partido Republicano Português é que não é por esse processo que conseguirão levantar os Partidos a que pertencem (Apoiados da esquerda], ficam no mesmo nível.

É uma pretensão tam ingénua como a da perdiz que põe a cabeça debaixo da asa para que o caçador a não veja.

Aqueles que falaram contra o Partido Republicano Português bem podem.olhar com respeito para a forma como fale u o representante, nesta Câmara, do Partido Católico. \

Para sustentar os seus pontos de vista, não precisou de diminuir os Partidos antagónicos.

S. .Ex.a disse que estaria,, ao lado do Governo enquanto tratasse de salvaguardar os superiores interesses da Nação e, evidentemente, as liberdades da Igrpja.

Nem uma palavra proferiu que pudesse representai uma ofensa, ou pudesse sequer magoar os outros Partidos.

Quando quero levantar o meu Partido não preciso de diminuir os Partidos adversos.; pelo contrário, como homem que ama a sua Pátria, o meu maior interesse é que todos os Partidos da Kepública estejam bem conceituados.

De qae os Partidos adversos ao Partido Republicano Português devem queixar-se é do indiferentismo geral -porque, se não fosse a indiferença de toda a massa da Nação, evidentemente apoiaria um Partido que seria talvez contrário ao meu.

Depois de o Sr. Afonso de Lemos falar e apresentar a sua moção, falou também o Sr. Procópio de Freitas, como representante do Partido Popular.

O Sr. Prccópio de Freitas: —É radical, não é popular.

O Orador: — S. Ex,a desculpe. Agradeço-lhe muito esse aparte.

V. Ex.a tem particular amor a essa denominação, deseja chamar pêra si o privilégio dessa palavra, e eu respeito tudo quanto seja amor por um ideal.

O Sr. Procópio de Freitas também, para exaltar o seu Partido, não disse nada que pudesse magoar o Partido Republicano Português, limitou-se a repetir o que

muita gente diz: qae é um Partido que está dividido e que o Sr. Presidente do Ministério não pode contar com ele, porque será ele que o fará cair.

Mais uma vez se viu que os extremos se tocam, porque à afirmação do Sr. Procópio de Freitas, como representante do Partido mais esquerdista desta Câmara, correspondeu o Sr. Tomás de Vilhena, representante da direita, com a mesma afirmação.

«Sr. Presidente do Ministério, acautele-se, o Partido Republicano Português está dividido, vai inutilizar a sua carreira, é a maioria que lhe vai faltar».

Sempre a mesma «scie».

No seguimento das minhas considerações mostrarei a V. Ex.a e à Câmara, como divergindo em doutrina num ponto ou noutro com o Sr. Presidente do Ministério, estou, politicamente, inteiramente a seu lado, e nunca concorrerei para inutilizar a sua obra política.

Nem eu, nem nenhum Senador do Partido Republicano Português.

Muitos apoiados das bancadas democráticas.

Mas interrompo esta série de considerações para voltar à moção do Sr. Afonso de Lemos, ou por outra, à moção do Partido Nacionalista nesta Câmara.

Parte vai ser, creio bem, aprovada naturalmente por toda a Câmara, incluindo a minoria monárquica.

A outra parte evidentemente não irá ser aprovada.

Mas o que estará atrás destas afirmações? Está alguma investigação scientí-fica? Não está.

S. Ex.a, como bem parece, todo o Partido Nacionalista—e se não for verdade dêem as minhas afirmações por não produzidas—tem esta fobia especial: não pode ver o Partido Republicano Português. E contra o Governo porque é democrático, não tem competência, não se interessa pela Pátria. E comtudo olhe a Câ-niara para as pessoas que constituem o Governo para ver-como são competentes as pessoas que ali se sentam.

Mas faça-se justiça a esse Partido: o Governo não lhe merece a sna confiança porque não é nacionalista.