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Diário das Sessões do Senado

O Sr. Procópio de Freitas: — Como outros Governos anteriores.

O Orador:—É possível. Mas vou provar a S. Ex.a, e à Câmara, como S. Sx.a neste caso está redondamente enganado.

Antes cie afirmar aqueles pontos de vista que s£o poucos, e para o Governo inofensivos, em que me descolo da índole política do Governo, quero dizer as razões que tenha para lhe ser afeiçoado.

O Sr. Presidente do Ministério na sua declaração ministerial produziu afirmações com uma tal coragem e tam acentuada decisão, que, se mais não houvesse nessa declaração, isso seria suficiente para

O Governo apresentou-se perante nós em primeiro lugar cheio de energia, ein segundo lugar com uma completa confiança em si, e eu não compreendo naquelas cadeiras do Poder pessoas que não tenham ein si próprias aqnela confiança.

Diz o Governo na sua declsração, que isto '«não significa afirmações de retórica».

É a maneira de pôr o problema como deve ser.

O Sr. D. Tomás de Vilhena e o Sr. Procópio de Freitas —os extremos tocam-se— dizem que se o Governo pretender fazer tudo isto que afirma tem os seus dias contados, porquanto o Partido Republicano Português se lhe oporá»

Não merece esta injustiça esse partido.

Nesta Câmara, fui leader deste lado quando Governos saídos do Partido Nacionalista tinham o apoio do meu. partido, e se esses Governos não se sustentaram foi porque, apesar desse apoio, não se po-deram sustentar.

Se aqui estivesse o Sr. Barros Queiroz, ornamento dos mais distintos do Píirtido Nacionalista, se fosse vivo o malogrado António Granjo, qualquer deles diria se não t;veram em mim a mais dedicada e sincera colaboração. • ,

Isto n£o quere dizer que não lhes apontasse erros.

Mas a oposição, quando feita com sinceridade e patriotismo, é uma utilidade e não um mal para os Gçvernos.

E é por isso que eu não considero

-mal para o Governo o discurso do Sr.

Aragão e Brito, que foi um discurso in-

teligente e de crítica serena à declaração ministerial, com bons avisos para o Governo. Este não perdeu em ouvir S. Ex.a; daí não lhe vem mal.

Noutros pontos faz o Governo afirmações duma decidida vontade de arcar com os problemas nacionais. Serão latas essas afirmações, mas em face dos problemas a qae elas se referem, doutra maneira não poderia ser. Não é pondo os problemas em proporções, que eles não comportam que nós os resolveremos. Poderá parecer qce quem se abalança a uma tal tarefa quere ser. mais do que é. Mas doutro modo só nos restaria agarrar em todos os papéis e atirá-los ao Tejo.

Mais tarde direi quais os pontos de que discordo do Governo,

Desde que o Sr. Presidente do Ministério fez a afirmação clara de que vinha trabalhar com o Parlamento, os receios do Sr. Aragão e Brito a tal respeito são completamente infundados. O Sr. Presidente do Ministério é uma criatura particularmente inteligente e prática ; sabe o que são as ditaduras. Pertence a um partido que em caso nenhum toleraria uma ditadura.

Apoiados da maioria.

O Sr. Pedro Chaves (em aparte]: — Já tolerou e até colaborou nela. Não apoiados da maioria.

O Orador : — O Sr. Presidente do Ministério conhece a história dos últimos tempos, que lhe diz: «Mais de um Governo tem caído por ter abusado de autorizações parlamentares ».

O Sr- Querubim Guimarães (interrom-rompendo): — Tem os dias contados o Sr. Presidente do Ministério, porque já começou a abusar das autorizações. ' .

O Orador : — Não considero mal para o país a queda do Governo; estou convencido de que nem o próprio Sr. Presidente do Ministério tem tal opinião. Prolongar um Governo contra a vontade do Parlamento é que seria um erro.