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Diário das Sessões do Senado

Mesmo em política eu sou sempre a mesma cousa.

O orador não reviu.

O Sr. Herculano Galhardo: — Visto o Sr. Augusto de Vasconcelos estíir inscrito para usar da palavra antes de mim e. faltando apenas cinco minutos, parecia-me melhor ficarmos com a palavra reservada.

O Sr. Augusto de Vasconcelos: — A argumentação do Sr. Herculano Galhardo não me serve para doutrina económica.

Pretende S.-Ex.a que uma obra da magnitude daquela que S. Ex.a citou visa apenas a estabelecer uma estação de jogo, que não pode aproveitar senão aos ricos.

O Sr. Herculano Galhardo (interrompendo}'.— Se o projecto não'tivesse licaite-para a concessão, eu não tinha dúvida em reconhecer que era assunto para estudar.

Mas o projecto estabelece o prazo de cinco anos e V. Ex.a compreende que estes empreendimentos não se podem fazer em cinco anos.

O Orador: — Mas0 trata-se apenas de uma emenda a apresentar!

O Sr. Herculano Galhardo (interrompendo} : — Eu disse já a V. Ex.a que era uma Cousa a estudar por uma comissão competente.

Não era a Câmara que deveria decidir assim do pé para a mão.

O Orador: — Eu não teria dúvida em votar uma emenda desse género.

Mas que só aproveita aos ricos isso é anti-económico.

Então uma estação daquelas não aproveita a todos?

Mesmo tratando-se de uma estação de jogo aproveita a todos, como em Monte--Carlo, onde os habitantes da região vivem sein dificuldades, numa opulência relativa. ,^

Não digo que vambs favorecer uma estacão de jogo.

Mas o Estoril tem condições para ser uma estação de inverno de primeira or-

dem, sem precisar do jogo, e se passarem por ali milhares de pessoas ricas que deixem o seu ouro em Portugal, isso não vai beneficiar todos os portugueses, ricos e pobres ?

Vai certamente empregar aí muita gente pobre que necessita- viver e que hoje se encontra em precárias condições. . Por consequência, é apenas uma argumentação brilhante, uma argumentação política, e não uma argumentação de ordem económica.

O Sr. Herculano Galhardo: — Não é outra cousa!

O Orador:

mia.

•Mas, então, de má econo-

O Sr. Herculano Galhardo: — Eu não considero de má economia a maneira de ver, de V. Ex.a

E a sua maneira de ver.

Mas faça-me também o favor de supor quo a minha também o não é.

E igualmente a minha maneira de ver.

O Orador:— Mas como a minha maneira de ver é diferente da de V. Ex.a, eu, evidentemente, considero a minha boa e a de V. Ex.a má.

O Sr. Herculano Galhardo : —,; V. Ex.* pode chamar má à doutrina livre cambista por ser diferente da doutrina proteccionista ou vice-versa?

O Orador: — Mas as cousas na prática são muito diferentes do que são em teoria.

O que convém, realmente, é que dêmos amparo a iniciativas que, efectivamente, podem ser uma fonte de riqueza para o nosso País.

De resto, pelo que diz respeito ao recreio de ricos e pobres, devo dizer que uma estância como o Estoril, com fontes termais, pode servir tanto para ricos como para pobres.

O Sr. Presidente: — A próxima sessão é amanhã à hora regimental e a ordem do dia a mesma que estava dada para hoje.

Está encerrada a sessão.

Eram 17 horas e 30 minutos.