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Diário das Sessões do Senado

tratava de uma proposta urgente, porque o .Porto de Lisboa, estava em condições precárias e precisava de'í'azer obras urgentes, eu pedi a.urgência e dispensa do Kegiinento. e depois de uns ligeiros reparos da oposição, a proposta começou a discutir-se.

Das bancadas do Partido Unionista rompeu se então fogo contra a proposta, pela palavra do Sr. Afonso de Lemos.

Eu Qão conhecia a proposta e foi, como disse, a pedido do então Ministro das Finanças que pedi a urgência e dispensa do Eegimento.

Todavia ao ver levantar-se o Sr. Afonso de Lemos e atacar a proposta, eu fiquei imensamente impressionado, e se at?nto estava à discussão, a minha atenção redobrou, e vi que os ataques do Sr. Afonso de Lemos incidiam particularmente sobre .uma alínea ca proposta, a qual dizia que 3:000 contos seriam destinados à modificação da linha entre Cais do Sodré e Alcântara.

Em seguida falou o Sr. Celestino de Almeida sustentando a mesma doutrina, e pode dizer-se que durante a discussão .na generalidade não se íalou senão nessa alínea H). .

O Porto de Lisboa contraía um empréstimo de 28:500 contos, pegava -em cerca de 3:000 contos e empregava-os em construir um viaduto sob a linha de Cascais para que os serviços do Porto de Lisboa não fossem prejudicados, dizia-se.

Comecei então a ver alguma cousa.

Os Srs. Afonso de Lemos e Celestino de Almeida repetiram os seus ataques e como eu visse o Sr, Ministro das Finanças defendendo exageradamente a alínea 1/j, cheguei-me a ele e disse-lhe:

— «Sr. Ministro, parece-me, em vista do que diz a oposição unionista, que algumas modificações há a fazer nesta proposta, e eu peço a V. Ex.a o favor de olhar para o caso com atençãos.

O Ministro tentou explicar, mostrou desenhos que tinha sobre o trabalho, desenhos um pouco p;i recicles com este .c&-tálogo, com figuras coloridas e muito interessantes. •

Efectivamente havia empenho que fOsse aprovado, mas a uma certa altura houve um ataqne por parte dos unionistas, e honra lhes seja feita, em que disseram ao

Sr. Ministro das Finanças, caso ele não consentisse em que a alínea fosse eliminada, aquele lado da Câmara rompia fogo contra S. Ex.a

O Sr. Ministro das Finanças declarou que não estava ali para defender a alínea, mas sim os interesses do Estado e como estava informado que o Porto de Lisboa muito tinha a lucrar, visto que as passagens de nível eram suprimidas, mas como depois S. Ex.a viu, pelos argumentos apresentados, quem tinha conveniência naquifo era não a Exploração do Porto de Lisboa, mas sim a Sociedade Estoril, S. Ex.a acabou por dac.ra/ão aos Srs. Afonso de Lemos e Constâncio de Oliveira e a alínea foi rejeitada para honra do Senado, sendo essa rejeição depois confirmada pela Câmara dos Deputados.

Entre o. Porto de Lisboa e caminhos de ferro, houve sempre acordos; ainda iiltimamente houve, um acordo de terrenos eutre a chamada segunda e terceira zona, também, permita-se-me o plebeísrno, cousa de tirar o chapéu, não admira, por-, que diziam Administração do. Porto de Lisboa, administração da linha de Cascais era tudo o mesmo, mas o Senado, honra lhe seja: feita, posto em guarda j:>elo Partido Unionista rejeitou a alínea e o projecto foi reduzido àquilo que devia ser. às necessidades do Porto de Lisboa.

Tratava-se de 3:000 contos e V. Ex.a sabe o que representa essa quantia, hoje. Agora com as instalações * a Sociedade Estoril queria receber outro auxílio do Estado. • . . '

Sr. Presidente: o projecto tal como.foi apresentado podia dar' óptimos resultados, mas este artigo 9.° é que atinge particularmente a única- companhia que est-á tratando de electrificar a sua linha.

Portanto, posso sustentar que mais uma vez aparece a tenta-íiva da Sociedade Estoril qnerer cercear receitas ao Estado, a primeira foi ao Porto de Lisboa e esta agora à Alfândega.

Estou certo ..que o Senado não deixará passar cousas desta ordem; ainda se se tra-.tasse de qualquer .cousa que beneficiasse a colectividade estava bem, mas assim não.