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11 DE JANEIRO DE 1956 231

a sua localização, por forma a valorizar, por um lado, a vida de trabalho do maior número de regiões, mas ainda, e sobretudo, a evitar, por outro, o êxodo rural e a concentração populacional em volta das duas grandes cidades - Lisboa e Porto.
O arranjo económico do território não pode deixar de ser encarado, para que o nível de vida de todos os portugueses se aproxime o mais possível, evitando-se o desnivelamento grande de região para região, que pode comprometer, em curto ou largo espaço de tempo, a distribuição racional da população e dos meios de trabalho.
Hoje não é só o problema da localização das indústrias que é minuciosamente estudado nos países industrialmente mais avançados, mas até o da própria descentralização industrial, que se impõe como um dos problemas mais urgentes a resolver para promover o equilíbrio do trabalho de região para região, nos seus dois aspectos demográfico e económico.
À medida que outras regiões do País se forem valorizando, que vão melhorando as condições de maior dispersão das disponibilidades em energia, que se forem desenvolvendo as vias de comunicação, veremos realizar-se uma subida das condições de vida da população, conduzindo automaticamente a uma redistribuição equilibrada da população e das possibilidades de trabalho.
Só uma decisão pensada e planeada dos problemas relacionados com a nossa expansão económica pode, por evolução e dentro de uma orientação determinada, conduzir a uma boa distribuição das actividades nacionais por todas as regiões, consoante não só as possibilidades e necessidades dessas regiões como o interesse geral do País.
Termino, Sr. Presidente, afirmando a minha inteira confiança na alta competência dos técnicos a quem está entregue o estudo deste magno problema. Confio igualmente, e comigo toda a população de Setúbal, na visão superior e elevado critério do Governo, que, em última análise, decidirá o assunto, atendendo não aos interesses isolados e apenas locais, mas aos que, embora quando com estes coincidem, estão influenciados pelo superior interesse nacional.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Urgel Horta: - Sr. Presidenta: em conformidade com um sentimento de justiça, de admiração e de respeito, propomo-nos hoje nesta tribuna, com as palavras mais singelas e as expressões mais simples, patentear o reconhecimento bem ganho, o louvor bem merecido, a homenagem bem sincera ao esforço, à energia, à vontade e ao abnegado sacrifício dessa brilhante e ousada plêiade de médicos ilustres, grandes figuras da medicina tropical, que, através de todas as vicissitudes, levaram a cabo uma das mais árduas tarefas para engrandecimento do nosso império ultramarino. Foram os cabouqueiros de uma obra que, honrando a Nação, dignificou e elevou no mais alto grau a medicina de além-mar, essa medicina que obrou verdadeiros prodígios, fazendo autênticos milagres.
Descobrimos, conquistámos, evangelizámos terras longínquas, espalhadas pelas cinco partes do Mundo. Aos povos dessas terras distantes levámos a nossa civilização, a nossa cultura, a nossa fé, a nossa doutrina, lida e aprendida nas páginas sagradas do Evangelho. E levámos-lhes também os preceitos e a acção de uma assistência médico-sanitária, que tão altos benefícios prestou à nossa tarefa colonizadora.
Indiferentes a todos os perigos, aos mais penosos sacrifícios, esses obreiros, de consciência forte e de ânimo bem temperado, lançaram-se devotadamente ao estudo e ao combate das doenças que atacavam e dizimavam a população, pagando muitos com o seu sangue e a própria vida o amor e a dedicação pelo seu semelhante, pela profissão que abraçaram e que dedicadamente serviram.
As nossas palavras de hoje, Sr. Presidente, são, pois, tributo de gratidão, de louvor, de homenagem e de justiça para com essa medicina ultramarina, onde a generosidade, a caridade e a beleza se irmanaram no mais puro e no mais vivo sentimento de humanidade cristã.
E na luta contra a morte soube restituir à família, ao trabalho, à vida e ao progresso da Nação tantas vidas necessárias ao engrandecimento das terras portuguesas de além-mar. E são também para cumulativamente homenagear o nome e a obra do médico1 ilustre, filho do Porto, que em Agosto passado, no Hospital do Ultramar, cercado pelo carinho do seu notável corpo clínico, cerrou para sempre os olhos, levando na alma profundamente gravada a imagem da província onde perto de trinta anos viveu e lutou, sem desfalecimento, pela sua grandeza.
O médico detentor das mais altas virtudes, dedicação, espírito de sacrifício e competência foi o Dr. Luís Pinto da Fonseca. Essa província, pujante de vitalidade e de grandeza, a que consagrou todo o afecto de lutador persistente e intimorato, é Angola.
Sr. Presidente: o Dr. Luís Pinto da Fonseca, aplicado e competente obreiro da medicina, deixou ìntimamente ligado o seu nome à doença do sono, através do combate vitorioso que sustentou para exterminar em Angola tão terrível flagelo. Homem do Porto, na sua Universidade se formou com notável mérito, deixando antever, no decorrer da sua vida académica, por vezes bem agitada, as extraordinárias faculdades que lhe dariam o triunfo que a carreira abraçada lhe reservava.
Desde 1927 investido no desempenho de variadas missões, inerentes à sua actividade profissional, e das quais se desempenhou com raro brilho, o Dr. Luís Pinto da Fonseca principiou a dedicar grande atenção e interesse à tripanossomíase.
Assim, serviu sob a orientação do Dr. Alfredo Gomes da Costa, hoje afastado da actividade por reforma, vivendo na sua terra, em Águeda, bem digno de ser recordado pela sua acção, quer chefiando, quer fazendo parte desse grupo de médicos ilustres que deram, com o seu infatigável trabalho e constante aplicação, grande incremento à luta contra a mortífera hipnose.
Seja-me lícito, neste momento, lembrar alguns mortos e vivos que bem merecem ser homenageados do alto desta tribuna da Assembleia Nacional: Aires Kopke, Damas Mora, Bruto da Costa, Araújo Alvares, Simões do Amaral, Firmino Santana, Alfredo Resende, Armando Leite Bastos, Lavrador Ribeiro, Eduardo Ferreira, Valdemar Teixeira e tantos outros que ontem e hoje os igualaram em carinhosa devoção e abnegado sacrifício em favor de Angola.
Sr. Presidente: a promulgação pelo alto-comissário engenheiro Vicente Ferreira, sempre lembrado e venerado, do diploma legislativo n.º 463, referente às medidas de assistência aos indígenas e combate à doença do sono, as dotações orçamentadas rapidamente conseguidas, o espírito organizador e disciplinador do cheio dos serviços, Dr. Alfredo Gomes da Costa, apoiado e servido por colaboradores de excepcional valia, entre os quais se distinguia já o Dr. Pinto da Fonseca, criaram possibilidades para estruturação e planificação da luta persistente e sistemática contra a endemia, de tão pavorosas consequências.