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26 DE JANEIRO DE 1956 339

O meu sogro trouxe vacas seleccionadas holandesas, quando me casei, que davam 7 l de leite por dia, mas hoje a quantidade de leite que essas vacas produzem é muitíssimo menor.

O Orador: - Porque é que as varas do Jarmelo são tão boas leiteiras? Não se sabe.
É dos pastos? Perguntei se estavam estudadas as pastagens do Jarmelo, e informaram-me de que não. Ora urgia fazê-lo, porque no Jarmelo não são boas leiteiras apenas as vacas, mas também as cabras. Todavia, ainda se não sabe porquê. E é pena que os tipos puros do Jarmelo, como o mirandês, se vão perdendo pela miscigenação.
Outra vaca que necessita ser estudada cemelhorada é a arouquesa - pequena, extremamente rústica e com leite óptimo para o fabrico de manteiga. Com esta vaca fez-se, que eu saiba, uma tentativa de estudo, mas em Lisboa, ou nos arredores. Ora, a tentar-se o estudo e melhoramento, quer da arouquesa, quer das outras variedades, terá de ser no seu habitat natural. Fora dele os resultados não podem merecer grande confiança.
Ora, como o nosso problema é de pastagens, a Junta encarregou o então director da Estação de Melhoramento de Plantas, actualmente muito ilustre Subsecretário de Estado da Agricultura, de estudar e melhorar, se possível, forragens resistentes às secas e aos frios. E alguma coisa conseguiu o ilustre cientista.
Parece ser esse o caminho que deve seguir-se. Se formos capazes de encontrar essas forragens, teremos resolvido o probloma; de contrário, teremos do continuar como até aqui.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Suponho, pois, que o que há a fazer, como ia dizendo, é encontrar forragens resistentes à seca e ao frio e só então poderemos encarar a criação de gado diferente daquele que temos.
Passo à crise de abastecimentos do mercado de Lisboa.
Por uma longa série estatística verificou-se que, de quatro em quatro anos, alternadamente, estávamos num máximo e num mínimo de oferta de gado: no mínimo, o preço sobe e a lavoura cria gado adulto; no máximo, o preço baixa e a lavoura sacrifica os novilhos. Estas são as chamadas crises plurianuais, de carácter geral. Quanto ao abastecimento de Lisboa há também os períodos anuais de crise.
Já aqui, numa intervenção sobro isso, quando usava da palavra o ilustre Deputado Sr. Nunes Mexia, disse, precisamente, que quando se iniciam os calores de Maio, aí pela 2.ª quinzena, e os pastos começam a secar, está o gado no máximo de peso, e aflui então ao talho em grande quantidade.
Ora era impossível chaciná-lo tudo, não só pela limitada capacidade de matança do matadouro de então, como pela falta de equipamento de congelação e câmaras frigoríficas.
É evidente que este problema só pode ser resolvido com câmaras de congelação, de modo que possa abater-se o gado, congelá-lo e guardá-lo para lançar no mercado, quando a falta do carne se fizer sentir.
O mesmo se dá em relação aos borregos, pois a época do desmame é a mesma, e isso origina uma oferta maciça, que provoca a baixa, do preço. Se puderem ser abatidos e congelados, poderão distribuir-se pelo ano adiante e a lavoura não sofrerá as consequências de uma depreciação momentanêa.
Não sei até que ponto as instalações do actual matadouro poderão contribuir para resolver este problema.
A solução adoptada pelo Sr. Ministro, conforme a sua nota à imprensa, ou seja a instalação de matadouros-frigoríficos nos Açores e Angola, é a solução que parece aconselhável.
Na verdade, como já aqui foi dito, os Açores dispõem de boas condições para a criação de bovinos; simplesmente continua-se a exportar o gado vivo, o que, pelo frete caro e perdas na viagem, encarece a carne e prejudica a lavoura.
Havendo um matadouro-frigorífico, transportar-se-ão as peças de carne limpa para distribuir imediatamente ou guardar.
Quanto a Angola o problema é mais complicado.
Aí os efectivos de gado bovino andam por l 184 000 cabeças, segundo o arrolamento, mas a maior parte do gado está na mão do indígena. Ora este mantém o seu gado como riqueza e só o abate para as festas gentílicas, especialmente para as cerimónias fúnebres. Não vende o gado, porque quantas mais cabeças tiver maior é a sua riqueza e importância social.
As zonas pastoris são a distâncias enormes dos portos de embarque; o gado tem de fazer a pé esse longo percurso, muitas vezes lutando com falta de água e pasto. Além disso, as companhias de navegação defendem-se, recusando-se a meter bois vivos em navios novos; portanto, o gado vem em navios velhos, de marcha mais lenta. Além do capim, água doce e serviçais necessários para a viagem, há que contar as perdas, em elevada percentagem quando se utilizam cobertas inferiores à segunda. Tudo isto encarece a carne e desfavorece o criador.
Para se fomentar a criação de gado em Angola, por europeus é preciso construir ali um matadouro-frigorífico. Isso permitirá pagar melhor o gado vivo e barateará a carne.
Os dois matadouros-frigoríficos previstos podiam foncionar como volantes, para estabelecer um certo equilíbrio de preços na metrópole. Se o preço aqui subisse, aumentava-se ou acelerava-se a importação; moderava--se ou suspendia-se em caso contrário.
Passo agora ao problema da engorda dos suínos. A engorda industrial só no Alentejo se pode fazer, aproveitando a bolota.
Os industriais têm também as suas malhadas para esse efeito.
O porco alentejano é essencialmente um valioso produtor de gorduras. O seu interesse, nesse aspecto, está, porém, a passar.
Na verdade, o uso crescente de manteiga e principalmente de margarina nos usos culinários destronou a gordura de porco.
Já se viu também que no estrangeiro não gostam nem da carne excessivamente gorda nem do animal vivo. Portanto, o problema tem de solucionar-se com um cruzamento ou raça que de reses finas para fiambrar e fumar.
No Alentejo os suínos são levados a 7 e 8 arrobas de peso para chacinar.

O Sr. Nunes Mexia: - Nisso influi até o sistema, tributário, pois a tributação é feita na base da cabeça, de maneira que é de grande vantagem vender as cabeças maiores.
Há ainda outra razão: é que na formação do preço do porco há várias coisas, como a banha, etc., que o lavrador não recebe.

O Orador: - O que me foi dado verificar foi o seguinte: a Dinamarca tem uma larga criação de porcos e prepararão de produtos de salsicharia, que exporta para a Inglaterra, mas o peso do porco para chacina anda ali por 4 arrobas. O nosso porco alentejano vai