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28 DE JANEIRO DE 1956 389

O clima é contrário à conservação do leite e da carne. A estabulação completa não parece aconselhável nem dispõe de basilar abundância. As explorações pecuárias desenvolvem-se Lentamente e são atrasadas pela persistência sinistra das queimadas- o problema que desafia a imaginação de verdadeiros estadistas.
A savana alimenta pobremente, dificultosamente.
E a indígena?
Como vencer a fadiga tropical - aquela apatia e preguiça secular que uns atribuem ao ranço das almas primitivas e outros explicam pela deficiência das dietas num continente subalimentado e secularmente estagnado em grandes zonas?
60 por cento apenas das necessidades fundamentais alimentares obterão satisfação e os homens pardos, como diziam os clássicos, movem-se lentos, confusos, com indizível resistência aos trabalhos, que impõem às mulheres.
E, além disto tudo, as epizootias tremendas que escurecem o mapa de manchas e que alastram, a despeito do combate pertinaz e constante com que procuram governantes, serviços e grandes empresas batê-las ou reduzi-las.
Assim, a expansão pecuária em larga escala, já tentada vitoriosamente na África do Sul, não apresenta as perspectivas tentadoras e conclusivas que alguns supuseram ver como um eco fiel da aliciante economia exportadora do género da Austrália e da Nova Zelândia.
E Angola?
Angola faz crer por certas riquezas no milagre da repetição do Brasil.
Creio com entusiasmo no seu poder económico, no vigor natural de suplantar seus problemas, na sua grandeza geogràficamente desmedida e nas suas espectaculares solicitações à inteligência e à organização económica.
Mas o seu mapa não é regular. Possui manchas, aqui e além, de primeira ordem que não seriam judiciosamente, empregadas se as aplicassem ao manadio.
Dispõe de zonas de apascentação com possibilidades permanentes, devido à óptima combinação do calor, da pluviosidade e da vegetação.
Outras zonas mantêm capacidade de sustentação na época do cacimbo, mas já funcionam à mercê de factores limitativos.
Uma terceira zona apresenta dificuldades insuperáveis no período que vai de Maio a Outubro.
Estas zonas conhecidas talvez correspondam aos três tipos de pastagem sul-africana: semideserto, com condições nutritivas anuais; regiões de grande precipitação hibernal, mas com falta ou más qualidades de relva no verão; e as regiões de grande precipitação estival, deficientes e sem vigor no resto do ano.
É nas primeiras regiões que se encontram as zonas de pascigo relativamente suficientes e que determinam a exploração pecuária natural e em termos defensáveis.
Assim, Angola concentra 70 por cento da sua riqueza pecuária na Huíla, no Cunene e em Benguela, portanto na grande mancha de Sudoeste. Nada menos, segundo o último arrolamento, de l 184 368 bovinos, que valerão 2 000 000 de contos. Além desta vacada, apresenta ainda rebanhos e varas - 141 000 ovinos, 457 000 caprinos e 251 000 suínos. Mas há quem reforce aquele primeiro contingente com mais 200 000.
Seja como for, somente 14 por cento das explorações da Huíla pertencem aos brancos; 86 por cento estão sob o domínio nativo, o que diz o bastante da sua fraqueza e baixo índice, de produtividade.
Já tem sido explicado como os indígenas usufruem a sua riqueza mais como poder económico do que como fonte de novos e ulteriores rendimentos. E assim se parecem e encontram com aqueles capitalistas para quem as posições valem mais que a fazenda.
Na apascentação do indígena a prática do manadio reveste carácter de degradação e degenera em apascentação desordenada.
Dá-se o que os nossos vizinhos chamam (...).
Sobretudo os nativos são indiferentes à reprodutividade, ao valor económico possibilitado, ao ganho na venda.
A nobreza está no número de cabeças das manadas, de que não gostam de apartar-se.
Quanto aos brancos:
Como falta uma carta detalhada e uma carta de solos, as concessões não serão dadas com segurança bastante, nem aproveitadas como deveriam ser.
Sobretudo há um ponto que carece de ser bem entendido: o mercado provincial apresenta condições enormes para reservar já uma grande parte das suas produções para se sustentar. O nível de consumo sobe geralmente e nas grandes vilas e cidades tornam-se cada vez mais exigentes.
Portanto falta uma criação de gados bem orientada, coordenada capazmente e tão ascensional que acuda ao mercado interno e externo. Frigorífico está-se construindo um em Sá da Bandeira, mas serão precisos outros no litoral e no eixo das regiões pecuárias. A magnífica estação de Humpata terá de repetir-se. O laboratório de patologia veterinária de Nova Lisboa, creio trabalhar muito bem, acudirá já com as vacinas devidas.
É uma unidade esplêndida.
A indústria de peles progride.
Mas há que atar o fio cá e lá, desenferrujar rodas, descobrir gente corajosa e com meios, fazer o que se está realizando na União Sul-Africana, mas vencendo mais dificuldades naturais.
Assim não está bem que Angola expeça cada vez menos.
Vieram:

Em 1940 .............. 3468
Em 1951 .............. 2291
Em 1952 .............. 1644

Claro que como já foi dito o transporte de reses vivas é dificílimo, danoso, condenado pela técnica actual, prejudicial à criação, às empresas e ao consumidor.
Sr. Presidente: Moçambique é mais belo, mais rico, com mais condições de produtividade e riqueza do que se supõe. Está mais avançado, não estará tão progressivo como seria devido.
Mas quem o visita vê as pradarias sem fim, ricas e permanentes, os tandos, os Ribatejos tropicais - planuras perdidas de pastos riquíssimos e por onde pululam somente os animais bravios.
Há ali as mais belas reservas de caça -santuários de vida brava - do Mundo e ali se perde uma riqueza ultramarina, por inaproveitada.
E há esses parques, esses Ribatejos, porque não existe outra coisa, de onde em onde, senão algum gado indígena, meia dúzia de cabeças ou uma grande exploração, como os palmares de Quelimane, que é do mais belo e rico que existe na terra agricultada.
Em Moçambique, como no Este africano, dominam e assolam terríveis epizootias. com tendência para alastrar, e que têm vencido as tentativas de combate e de-belação.
E a tsé-tsé, que aumentou terrivelmente depois de 1918.
É a nagana.
São as tripanossomíases do gado.
É a pneumonia.