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970 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 147

«paz» significa fundamentalmente progresso, civilização e humanidade.
As viagens oceânicas que se seguiram à descoberta do caminho marítimo para a índia, feita por Vasco da Gama, transformaram a carta do Mundo, não sob o aspecto geográfico, mas sob o aspecto humano da porção da superfície do nosso planeta transitável e habitável pela humanidade.
Tornaram-se desde então os meios de comunicação instrumentos excelentes de progresso, de sociabilidade, do intercâmbio e bom entendimento entre os homens, tão necessário para a paz.
Os Portugueses, pioneiros desse intercâmbio e confraternização entre os povos, construíram o porto e o caminho de ferro de Mormugão, que, como demonstrou o Sr. Presidente do Conselho, servem mais a União Indiana que o território português.
Qual foi o comportamento da União Indiana em relação a esse porto e caminho de ferro?
Cortou as ligações com eles e por último abandonou a sua exploração, com o malévolo propósito de tornar impossível a vida em Goa. Foi um acto atentatório do progresso e direi mesmo mais um acto de guerra.
Portugal, pelo contrário, com a calma própria de quem tem do seu lado a razão e o direito, evitou a catástrofe, antegozada em vão pelos psendopacifistas da União Indiana.
Um comunicado do Ministério do Ultramar, ao qual há poucos dias se referiu nesta sala o ilustre Sr. Deputado Sonsa Aroso, traz ao nosso conhecimento a acção desenvolvida pelo Governo para fazer malograr mais um plano diabólico da União Indiana, que desta vez tentava cansar tremendos prejuízos ao pacífico Estado Português da índia com a paralisação dos serviços do porto e do caminho de ferro de Mormugão.
De facto, a subconcessionária indiana notificou a concessionária, The West of índia Portuguese Gnaranteed Railway Company, Ltd., em Outubro de 1955, de que cessaria as suas actividades de exploração do porto e caminho de ferro em 31 de Dezembro seguinte.
Ao proceder assim a subconcessionária indiana agia sob o perverso desejo, revelado pela imprensa do seu país, de que com a saída de Goa do seu pessoal especializado soasse para os Goeses a vigésima quinta hora.
Pois como muito bem se salienta no aludido comunicado do Ministério Ultramar, a notificação com pouco mais de dois meses de antecedência, em vez dos seis meses estipulados no contrato, feita a uma concessionária que permanecia inactiva há mais de meio século, e por isso completamente desprovida de organização, de quadros, de pessoal, de material, de oficinas e de outros recursos, mostra claramente a intenção de levar aos Goeses a humilhação e o desespero.
Mas os hipócritas arautos da paz e do pacifismo enganaram-se mais uma vez, porque na dementada persistência de julgarem os outros por si não puderam ver que a Nação Portuguesa, sob o regime de Salazar, estava apta a resistir a este novo ataque.
Na verdade, à meia-noite de 31 de Dezembro último a brigada de técnicos portugueses e os dirigentes da concessionária W. I. P. tomaram conta do caminho de ferro, que lhes foi entregue pelo pessoal da Southern Railway sem uma garrafa de óleo para mover as máquinas, nem sequer um bilhete para passageiro nas bilheteiras.
Deu-se então esta coisa espantosa de que eu tive a honra de ser testemunha: às 2 horas do memorável dia l de Janeiro de 1956 saia, pontualmente, da estação principal de Vasco da Gama o primeiro comboio. E no mesmo dia outros, e em número superior aos que desde Julho de 1955 haviam circulado apenas em dois terços do percurso de interesse nacional.
Presto mais uma vez as minhas entusiásticas homenagens ao Governo de Salazar, e em especial, neste caso, aos Srs. Ministro e Subsecretário de Estado do Ultramar, por tão brilhante actuação.
Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-E saúdo comovidamente, como goês que sou, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, os caminhos de ferro de Moçambique, a brigada dos técnicos, os serviços do ultramar do Ministério do Exército, a marinha de guerra, os serviços da Alfândega e do porto de Lisboa, a Companhia Nacional de Navegação e todos aqueles que demonstraram que não era mera retórica a afirmação de que a «Nação é a mesma em todas as partes do Mundo» e de que nas horas de perigo ou de desgraça as forças de todos são uma só força, que ó - Portugal.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Falhado mais este golpe, de que modo se desenvolve agora a acção das autoridades da União Indiana contra a pacifica e torturada população do Estado Português da índia?
Suspenso o comércio e as transferências, interrompido o trânsito, e não contentes com invasões organizadas dos chamados satyagrahis, com assassinatos, assaltos e a prática de toda a sorte de actos de má vizinhança, violadores da Carta das Nações Unidas, servem-se agora os nossos inimigos do correio para fazer circular encomendas que trazem a morte dentro de si.
Acho que contém muita sabedoria, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o provérbio que diz que «quem nega a verdade nega o direito e quem nega o direito perde a razão e, com ela, a felicidade».
O correio é uma aquisição da humanidade, na senda do progresso e da civilização. É ele que suprime, em regra, as distancias entre pais e filhos; que une espiritualmente os membros da família dispersa pelo Mundo; que facilita o entendimento entre os homens, e, assim, promove o bem-estar da humanidade.
Porém, os propagandistas da ambição imperialista da União Indiana, na sua lamentável infelicidade, resultante da perda da razão por terem negado a verdade e o direito, transformaram o correio, que deve ser um colaborador do amor que une e cria, em instrumento da morte.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Uma bomba mortífera foi enviada pelo correio a um juiz. Porquê?
Para o eliminar por ter cumprido o sen dever de fazer justiça ou para o forçar, pela intimidação, a assumir a atitude aviltante de a negar.
É um aspecto novo do terrorismo em Goa.
Será isto uma consequência da desordem que campeia na União Indiana, ou antes a recordação de uma técnica de desmoralização dos Goeses?
Gabriel Mareei, no seu livro Os Homens contra o Homem, descreve as técnicas de aviltamento que foram empregadas em certos campos de concentração, como no de Buchenwald, por exemplo.
E define essas técnicas como processos intencionais para atacar e destruir, em indivíduos de categoria determinada, o respeito de si mesmos, transformando-os pouco a pouco em resíduo que se considera tal e só pode desesperar, não só intelectualmente mas até vitalmente, de si próprio.
Ao iniciar estas considerações manifestei a minha convicção de que tal técnica de aviltamento foi revelada quando se afirmou que e Goa era uma borbulha na face da índia».