O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

10 DE MARÇO DE 1957 (365)

tintamente prolongada nus seus, e fogem à sua memória, a qual, se fora outra, diferente teria, sido o em só dos nossos destinos em África.
Luanda exprime mais expressivamente os deveres da posteridade.
Há uma avenida daquela belíssima e querida cidade, um liceu e uma estátua consagrados ao grande senhor.
Francisco Barbosa Rodrigues, em 1873, de pura iniciativa e com a ajuda de subscrição, conseguiu que se lhe levantasse uma estátua.
Ela é da velha Luanda e está no largo fronteiro ao palácio do Governo- Geral. Merece, pela ideia e pelo processo de realização, o maior respeito.
Mas o gigante está representado em estatuária do pigmeu.
Decerto que, perante os critérios da Luanda actual e a decorosa grandiosidade das obras do palácio, a estátua terá o seu destino traçado.
Esperando que as minhas palavras sejam interpretadas com benevolência, daqui peço que se faça condignamente o que parece justificado.
A dívida de Lisboa não é menor que a de Luanda e por isso estarão de acordo em que carece de ser honrada devidamente.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bom ! O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Santos da Cunha: - Sr. Presidente: temos, nós, Deputados, especiais deveres para com aqueles que noa conferiram o sou mandato.
Devemos às suas preocupações e ansiedades, aos seus interesses e aspirações mas instantes um estudo consciencioso e uma colaboração dedicada.
Foi na linha desse pensamento de compreensão e ajuda que pedi a palavra a V. Ex.ª para fazer algumas considerações sobre problemas essenciais da vida social e económica da cidade de Braga e sua região- que andam na inteligência e no coração de muitos, e aos quais a imprensa, sobretudo a do Norte ( Comércio do Porto e Primeiro de Janeiro), dedicou já particular carinho-. chamando para eles a atenção do Governo e ide todos quantos possam, e devam, contribuir para os solucionar.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente: a cidade de Braga pode, legitimamente, orgulhar-se do seu passado, por forma tão directa e com tanta relevância ligado às horas mais altas dia vida nacional.
As suas crenças religiosas, ou. melhor, o seu inalterável catolicismo, os sentimentos patrióticos da sua gente- crenças e sentimentos compartilhados, de resto, por todo o povo do Minho- são constantes do seu carácter o fundamento do clima espiritual o político que ali. permanente se vive.
Foi, por certo, esse clima, a fidelidade às mais puras tradições nacionais que elegeram a cidade de Braga para a arrancada vitoriosa da revolução de Maio. ligando-a - até porque nada acontece por acaso-, mais uma vez e já em nossos dias, n um facto histórico da maior transcendência e que condicionou o nosso ressurgimento.
Pois, Braga. Sr. Presidente, como tantas outras terras do País, tem procurado integrar-se no ritmo de progresso que a Revolução Nacional tornou possível e os sons elementos responsáveis não se cansam de trabalhar pela sua valorização nos diversos campos em que. pode afirmar-se a vitalidade dum aglomerado urbano da sua categoria.
Com perfeita objectividade se pode dizer que Braga, não tem vivido uma vida apagada, possível se se deixasse dormecer na mera contemplação das suas tradições e das suas glórias.
Ao contrário, e sem renunciar a tudo quanto do passado possa constituir lição e estímulo, a cidade de Braga apresenta-se hoje aos olhos dos que a visitam com o a duma cidade que se renovou e se renova, com melhoramentos de alto alcance para a sua vida presente e futura.
A sua valorizarão urbanística é indiscutível e só foi possível pela conjugação de esforços e. de moios do Estado, do Município e da iniciativa particular.
Neste momento, e de modo especial, é devida uma palavra de agradecimento ao ilustre titular das Obras Públicas. que, mantendo e reforçando uma orientação já tradicional no seu Ministério, tem dado um auxílio decisivo às realizações dos últimos tempos.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Simplesmente, Sr. Presidente -e estamos chegados ao ponto crucial desta intervenção-. torna-se por de mais evidente que àquela obra do valorização urbanística da cidade de Braga não corresponde um progresso social e económico quo si; lhe possa comparar.
A simples observação dos menos, atentos não podo passar despercebida a desarmonia entre a obra -valiosa, sem dúvida- do engrandecimento citadino e a estagnação, se n ao o retrocedo, da vida económica da cidade, com duras consequências para o nível de vida dos seus habitantes, aos quais é dever imperioso assegurar trabalho suficientemente remunerado e pão bastante.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - A cidade de Braga, o com ela a- terras mais suas vizinhas (à excepção de Guimarães e Famalicão, com actividades industriais que muito contribuem para o seu desafogo económico), vivem a vida difícil que lhes é importa pela pobreza do seu agro, pela falta doutros recursos naturais, pela ausência ou desordenamento de unidades industriais, situação fortemente agravada pela extraordinária denodado da sua população.
Está. assim, criado um grave problema social na região bracarense, perante o qual não é justo nem prudente que fechemos os olhos, impondo-se-nos antes a obrigação de o apreciar e resolver, procurando criar novas fontes de trabalho e riqueza, que garantam a iodos, no plano das necessidades fundamentais do homem. as desejáveis condições de suficiência e mediania.
Para tanto, torna-se necessário e urgente ordenar um planeamento regional, no qual haverão de ter lugar os esforços conjugados do Estado, das autarquias locais e da iniciativa particular, estimulada esta pela confiança que lhe possa merecer a colaboração daqueles.
Sr. Presidente: para além doutros elementos, possivelmente a tomar em consideração, a ponta rói três tactores que julgo essenciais para a boa solução do problema que foi posto.

1) Fomento industrial:

Não será este, com certeza, o momento mais azado para largas explanações sobre o problema de localização das indústrias, tão cheio de consequências, quer no aspecto económico, quer no aspecto social.
Dir-se-á somente que ninguém hoje acredita que essa questão ande ao deus-dará, tão graves são os prejuízos resultantes desse abandono.