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DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 203 664

acordo já firmado, possivelmente para electrificação de parte do seu caminho de ferro para a fronteira.
Não há dúvida de que se caminha e não se há-de parar.
E isto sem falar nas possibilidades da utilização do lago Niassa como reservatório de energia, em ligação com o rio Chire, afluente do Zambeze. Este projecto já foi objecto dum acordo entre os Governos Português, Britânico e da Federação. Os primeiros estados estão feitos com a nossa participação, prevendo-se o aproveitamento e repartição proporcional da energia e dos encargos. Dizer que não se pensa. agora nessa obra, quando há outras mais ao alcance para fazer, parece bem. Mas que ninguém se convença de que podem ficar abandonados valores energéticos que o progresso, o bem-estar, o conforto, a vida dos povos, exigem. A vez do Niassa - de resto já começado a estudar - também há-de chegar. E quanto mais cedo melhor.
Sr. Presidente: que tudo isto, os vários aproveitamentos dos rios e lagos, na sua energia, na sua rega, sirva principalmente para povoar essas regiões portuguesas com portugueses, missão que neste século ainda tem o mesmo imperativo do passado longínquo. E estou certo de que de todas as maneiras, criando indústrias, regando as terras, desenvolvendo as culturas, se hão-de encher essas terras de mais gente portuguesa que as fecunde e as defenda contra todos os perigos que ameaçam a existência da Nação.
Torno ao tema de sempre. Portugal inteiro tem de voltar os seus olhos e dedicar a(sua maior atenção aos problemas de África, da nossa África. Temos de cumprir as directrizes do grande Chefe do Governo, realizando no ultramar, com intensidade e entusiasmo, essa «tarefa colectiva, de Índole e interesse nacional». Não há outra maior. É a última. Ia a dizer que era a única.
Uma tarefa nacional, sim, mas da grande nação que nós somos, nas tradições e nas aspirações. Uma tarefa africana, continental.
Por isso eu desejaria que pudéssemos dizer ao Governo que não há empreendimentos no ultramar, por maiores que pareçam, que esta Assembleia não aplauda, por mais sacrifícios que envolvam para a nossa geração. Porque para além de nós, aquém e além-mar, está o futuro, a própria existência da Nação Portuguesa.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!
O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Galiano Tavares: - Sr. Presidente: pedi a palavra para mandar para a Mesa o seguinte:

Requerimento

«Roqueiro, ao abrigo do Regimento, que pelo Ministério da Economia, Direcção-Geral dos Serviços Florestais, se me concedam informações quanto às campanhas que se estejam desenvolvendo contra a lymantria e o burgo, com indicação das áreas desinfestadas e relativamente ao distrito de Portalegre».

O Sr. Trigueiros Sampaio: - Sr. Presidente: pedi a palavra para apresentar a V. Ex.ª os meus agradecimentos pelas palavras amáveis proferidas a propósito do falecimento de meu filho.

O Sr. Presidente:-Estão inscritos para usar da palavra antes da ordem do dia os Srs. Deputados António de Almeida e Azeredo Pereira.
Lamento, porém, não poder dar-lhes a palavra, dada a necessidade de se aproveitar todo o tempo disponível para se discutir o aviso prévio do Sr. Deputado Daniel Barbosa sobre o problema económico português, inscrito na ordem do dia.
Enviado pela Presidência do Conselho, e para cumprimento do § 3.º do artigo 109.º da Constituição, encontra--se na Mesa o Diário do Governo n.º 80, l.ª série, de 8 do corrente, que insere os Decretos-Leis n. os 41 057 e 41058, para efeitos do disposto no § 1.º do artigo 109.º da Constituição.
Está também na Mesa o parecer da Câmara Corporativa sobre a proposta de lei relativa à criação das federações de Casas do Povo. Este parecer vai ser publicado no Diário das Sessões e baixar á Comissão de Trabalho, Previdência e Assistência Social.
Estão ainda na Mesa os elementos fornecidos pelo Ministério das Obras Públicas em satisfação do requerimento apresentado pelo Sr. Deputado José Sarmento de Vasconcelos e Castro na sessão de 28 de Março findo e os elementos fornecidos pelo Ministério da Justiça a requerimento do Sr. Deputado Tito Arantes em 7 do mesmo mês. Vão ser entregues aos referidos Srs. Deputados.

Pausa.

O Sr. Presidente:-O Sr. Deputado António de Almeida, que estava inscrito para falar antes da ordem do dia, veio salientar-me o grave inconveniente que haveria para a sua intervenção se não fosse feita hoje. Obtemperando às considerações que este Sr. Deputado acaba de fazer-me, vou dar-lhe a palavra antes da ordem do dia, pedindo-lhe, no entanto, com todo o empenho, que seja o mais breve possível.

O Sr. António de Almeida: - Agradeço a V. Ex.a, Sr. Presidente, o deferimento do meu pedido.
Sr. Presidente: em Setembro do ano passado tive a oportunidade de visitar os Estados Unidos da América, aonde fui, como delegado do Ministério do Ultramar, assistir ao V Congresso Internacional das Ciências Antropológicas e Etnológicas, realizado em Filadélfia, e no qual comparticiparam algumas centenas de investigadores, oriundos de sessenta e uma nações.
Findos os trabalhos do Congresso, solicitações amáveis e insistentes dos jornais e colectividades lusitanos existentes naquele grande e progressivo pais permitiram-me entrar em convívio com os principais núcleos de portugueses emigrados ou nascidos na Nova Inglaterra e na Califórnia, cujo montante, em intenso crescimento, sobe já a cerca de meio milhão.
Conversei com os nossos representantes consulares, ouvi sacerdotes, directores de jornais, presidentes de instituições culturais e de beneficência, comerciantes, industriais, agricultores e operários portugueses, e na obsequiosa companhia do prestigioso pároco de ,Ludlow Sr. Padre Dr. Manuel Rocha, encontrei-me com o nosso ilustre embaixador em Washington, Sr. Dr. Esteves Fernandes, e com o director da Casa de Portugal em Nova Iorque, Sr. Eng. Freire de Andrade, e respectivos funcionários ; a todos e ao Secretariado Nacional da Informação devo inesquecíveis atenções e a possibilidade de, nas poucas semanas de que dispunha, apreciar devidamente alguns dos mais importantes problemas que interessam tanto aos nossos emigrados e seus descendentes como a Portugal inteiro.
Por este motivo desejo fazer algumas considerações nesta Assembleia sobre um aspecto espiritual que tão dolorosamente me impressionou. Refiro-me à insuficiência na Nova Inglaterra e à quase ausência na Califórnia de assistência religiosa aos milhares de luso-americanos dessas regiões.
Ao abordar tão séria questão escudo-me no artigo 45.º da Constituição Política.