O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

2222 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 87

colheita europeia e americana de feno e cereais, a expectativa de uma redução na produção do Tanganhica, em resultado da sua independência, e a menor produção nas zonas abastecedoras, nomeadamente do Brasil, justificam este acréscimo, já calculado em 45 por cento relativamente às cotações mais baixas dos últimos anos.
Quanto ao algodão, a exportação de Angola e de Moçambique movimenta-se para a metrópole.
Em 1939, a metrópole importou 19 000 t de algodão, no valor de 103 000 contos, das quais 6576 t provieram de Moçambique (29 557 contos) e 43361 de Angola (24219 contos).
Em 1961, Moçambique já exportou 40 000 t, no valor de 690000 contos, e Angola 41201 (contra 8894 t em 1960), no valor de 69 000 contos (contra 146 000 contos em 1960).
O caminho percorrido é, pois, de assinalar. Já em 1960 os têxteis de algodão ocuparam o terceiro lugar nas exportações metropolitanas, depois da cortiça e das conservas de peixe.
Se tivermos, por outro lado, em conta que a capitação de consumo no conjunto metrópole, Angola e Moçambique foi apenas, nos anos de 1954-1957, de 2,3 kg/habitante, poderemos assinalar as largas potencialidades do próprio mercado interno.
Ainda em 1961, foi publicado o Decreto n.º 43 639, que pôs em vigor o novo regime da cultura do algodão e os diplomas que extinguiram na metrópole as juntas de exportação e criaram, localizados em Angola e Moçambique, os correspondentes institutos.
A estimativa de produção da campanha de 1962 é para Angola de 23 650 t [bem distante pois da de 1961 e só ultrapassada, em todos os tempos, em pequena margem, pela de 1959 (23 717 t)].
Das compras efectuadas até final de Outubro de 1962 (18 784 t), 92 por cento eram constituídos por algodão de 1.ª qualidade.
O interesse por parte dos agricultores nativos, nomeadamente nas zonas onde foram instaladas cooperativas, é uma nota reconfortante. Por exemplo: na cooperativa da Jimba (Cuanza Sul), que teve na campanha passada 300 associados, contam-se agora 700 pedidos de inscrição. Calcula-se, por outro lado, que na zona litoral a área destinada à cultura por novos agricultores europeus é de 2000 ha.
Também a cultura da cana-de-açúcar poderá conhecer maior incremento no ultramar. Angola exportou, em 1961, 36 6151, no valor de 98 294 contos, ou seja, menos 10 284 t e 25 658 contos do que em 1960. For sua vez, Moçambique exportou, em 1961, 113 843 t (111 249 t em 1960), no montante de 324 880 contos (278 239 contos em 1960).
O mercado mundial de açúcar conheceu em 1961 uma saturação e, nos domínios do Acordo Mundial de Açúcar, o malogro da Conferência de Genebra.
A partir de Fevereiro de 1962 começou a processar-se uma alta nas cotações, que levou à sua duplicação em Dezembro findo.
O desaparecimento de Cuba como «vendedor dominante» e também a baixa na produção europeia reduziram a produção mundial para 52 milhões de toneladas.
A cadência de aumento anual no consumo do Mundo estima-se em 2 milhões de toneladas, mas os socks existentes e as potencialidades de produção são notáveis.
Embora Portugal tenha figurado como exportador, com uma quota de 18 000 t, o certo é que na realidade importámos açúcar.
Estes factos e as nossas baixas capitações no consumo justificam que se encare um estímulo à produção.
Mais do que instalar novas e rentáveis explorações em Angola e Moçambique, seria igualmente oportuno estudar as possibilidades que nos possa oferecer a Guiné Portuguesa.
Moçambique é o maior produtor mundial de castanha de caju.
Ainda recentemente se calculava que das 200 000 t da produção mundial 100 000 t pertencem a Moçambique, 70 000 t à União Indiana e as restantes 30 000 t aos outros países.
Já no que respeita às exportações do produto preparado, é a União Indiana quem domina o mercado mundial. Cerca de 95 por cento da amêndoa importada pelos Estados Unidos provém da União Indiana.
Moçambique exportou, em 1961, 84 582 t de castanha de caju, no valor de 314 000 contos.
A exportação de amêndoa é, contudo, relativamente insignificante. Em 1960 foi apenas de 13551, no valor de 33 531 contos.
Ora se Moçambique produzisse 120 000 t de caju (o que é fácil) e toda essa produção fosse industrializada na província (amêndoa, óleo e resíduos), esta poderia render anualmente cerca de 1 200 000 contos.
Quer isto dizer que, na situação actual, Moçambique perde mais de 800 000 contos de divisas por ano só porque exporta em bruto quase toda a castanha que produz.
Mas também a Guiné e Cabo Verde têm possibilidades na produção do caju. A instalação de unidades piloto nestas províncias que aproveitassem a castanha produzida seria de alto interesse regional.
O maior produtor ultramarino de cacau é S. Tomé e Príncipe. 27 000 ha do arquipélago destinam-se ao cacau, cuja produção atingiu, em 1961, as 10 653 t.
O consumo anual da metrópole é em média apenas de 1000 t. Daí que uma grande parte da produção ultramarina se destine ao estrangeiro. Daí ainda a dependência da economia de S. Tomé e Príncipe das incertas cotações mundiais.
A produção africana de cacau na campanha de 1962-1963 deve ter atingido o valor record de 2052 milhões de libras, contra 1228 milhões na média dos últimos anos.
Ora, ainda neste conjunto, a posição de S. Tomé e Príncipe é modestíssima: o Ghana deve ter produzido 1030 milhões de libras, a Nigéria 500 milhões, e mesmo Fernando Pó 62 milhões; S. Tomé e Príncipe apenas 22,5 milhões.
Seria ao menos desejável um incremento nos consumos metropolitanos, como elemento de apoio à economia destas ilhas portuguesas.
A cultura do chá em Portugal faz-se no arquipélago dos Açores e em Moçambique.
Ensaiada pela primeira vez em Moçambique, em 1915, por influência dos sucessos da Niassalândia, só porém em 1924 se constituiu aí a primeira fábrica.
A produção foi, em 1942, de 863 t. Em 1961 as exportações atingiram 9905 t.
Em poucos anos o esforço português proporcionou a Moçambique uma riqueza que, traduzida em imobilizações efectuadas no campo industrial, era, em 1955, de cerca de 95 000 contos e em divisas arrecadadas pela província, em resultado das exportações, atingia já, em 1961, 236 000 contos!
O alargamento das áreas cultivadas, a entrada em produção de novas plantações e o aumento dos rendimentos unitários, fruto da melhoria nas espécies cultivadas,