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2990 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 121

são deixados agir à vontade, com o fim, segundo dizem os pais, de aprenderem sozinhos as regras da vida e também com o receio de lhes provocarem complexos. Mas, ao cabo e ao resto, o que há é uma motivação egoísta a explicar e justificar tal maneira de proceder: é que, absorvidos os pais por uma vida social intensa, abandonam a formação e educação dos filhos, que são considerados como estorvo e empecilho que os leva a não poderem integrar-se nessa vida como desejam, pelo que lhes proporcionam excessivo bem-estar material. para os compensar da frustração nas exigências de atenção, carinho, solicitude e autoridade compreensiva a que na esfera psicológica tinham jus e necessidade. Daqui os chamados «filhos maus de boas famílias» de que nos ocupámos na sessão de 5 de Abril do ano passado quando falámos sobre problemas de juventude.
Ora, educar uma criança impõe uma luta que é preciso travar e ganhar a toda a hora, que se não compadece com esta maneira egoísta de proceder por parte dos pais. E mesmo travando essa luta, nunca se sabe bem o desastre que um erro, e menos que isso, que uma falha estratégica ou táctica pode causar!
Por outro lado, há necessidade de rever as relações da família com a escola. A família moderna deixou de colaborar com a escola, servindo até de escolho que se interpõe entre mestre e aluno, deixando de apoiar os professores «nas suas exigências e nas suas apreciações dos trabalhos dos educandos para se solidarizar com estes nos seus queixumes e nus suas revoltas», pretendendo, a todo o transe, defender a posição do filho e minando o prestígio e a autoridade que tão necessários são aos mestres para bem exercerem o seu magistério.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A instituição familiar está, assim, duramente atingida, pelo que os jovens, não tendo as suas personalidades bem estruturadas no curso da infância, acabam por despistar-se e resvalar em tantos desvios de conduta.
Daqui resulta a opinião de grande número de educadores e pedagogos, segundo a qual a responsabilidade da criminalidade dos jovens incumbe, em largo quinhão, aos pais, à família, que está a falhar perante a poderosa actuação dos factores dissolventes, desde o egoísmo e indiferença dos progenitores até a deletéria acção de certa literatura e curto cinema que por aí campeiam, em que se faz estendal de ideias e cenas perversas que são o maior veneno para a juventude.
A família atravessa, assim, uma gravíssima crise, enfraquecida nas suas bases económicas e tocada nas suas bases morais pela anarquia intelectual e disciplina de costumes que ameaçam tudo subverter, sem exceptuar os princípios e virtudes que dela fizeram a «célula-mater da sociedade humana».
Sendo assim, e reconhecido, como o é, pela nossa Constituição Política o valor social e político desta instituição familiar, que é considerada «fonte de conservação e desenvolvimento da raça», «base primária da educação, da disciplina e harmonia social» e ainda «fundamento da ordem política o administrativa», compete ao Estado fazer todo o possível para «salvar e amparar a família e torná-la capaz de se defender a si própria», na expressão de S. S. Pio XII. quando a 2 de Novembro de 1950 se dirigiu aos católicos do Mundo inteiro e lhes fez o apelo solene para uma batalha sagrada em defesa da família.
Ora o único caminho salvador parece-nos estar num «regresso às sei vás da Verdade», como disse certo pensador, lutando-se contra a anarquia e loucura dos nossos dias e dando às famílias preparação económica, intelectual, moral e, sobretudo, preparação espiritual baseada TIOS princípios eternos do cristianismo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Entre outras medidas impunha-se, para preservar a juventude, exigir o rigoroso cumprimento das leis de assistência de menores a espectáculos públicos e proibir a sua entrada em todos os lugares onde possam contrair vícios; proibir a venda de publicações pornográficas ...

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - ... e dessa torrente de livros perversos, em que se faz a exploração escandalosa de casos de aberração sexual ...

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - ... ou, simplesmente, de todas as publicações contrárias aos princípios da moral cristã; ....

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - ... protecção às raparigas abandonadas ou consideradas em perigo moral, com a adopção de medidas repressivas para os que atentem contra a sua honra e dignidade; adopção de medidas contra a mendicidade infantil e contra a vadiagem, que constituem, por assim dizer, a «escola primária do crime», etc.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Depois da família surge-nos a escola como seu complemento e que deve constituir poderoso instrumento de formação da juventude e, por isso mesmo, como uma das melhores defesas contra a inadaptação ou delinquência dos jovens.
Dada a elevada missão que tem a cumprir, bem se justificava que fosse, rodeada de todos os cuidados e atenções dos governantes. Se, como diz certo aforismo popular, «quem semeia ventos colhe tempestades», não nos podemos admirar de que ao consentirmos no apoucamento da juventude nos exponhamos a graves perigos e, consequentemente. ameacemos a vida social. Daí que se imponha uma efectiva cooperação defendendo os ambientes escolares de tudo quanto possa levar à perversão moral ou à liquidação mental da gente moça.
A escola, porém, não está plenamente à altura de cumprir a sua tão nobre quão patriótica missão. As suas carências são grandes e já denunciadas: desde a escassez de professores com a necessária formação psicopedagógica para compreender os seus alunos, à sobrecarga dos quadros discentes, aos programas considerados .como extensos e aos próprios métodos do ensino, tudo se conjuga para que a acção da escola não suja tão eficiente como seria para desejar.
Daqui o pôr-se a seguinte questão: até que ponto é que as carências referidas, especialmente; a falta de professores idóneos segundo um critério ,de aferição moral, os métodos de ensino em vigor, mais preocupados com a informação do que com a formação dos alunos, podem constituir um dos factores determinantes da inadaptação ou delinquência dos jovens? Aqui está uma questão das; mais angustiosas e que atinge directamente todos quan-