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24 DE FEVEREIRO DE 1972 3219

Toda a faixa costeira, entre a Beira e Nacala, locais onde se situam dois portos de grande movimento, á dotada de condições naturais difíceis. Todavia, não se podem deixar as populações e interesses de tão vasta área na exclusiva dependência dos mencionados portos, dada a enorme distância a que se situa o distrito da Zambézia de qualquer deles, o que onera excessivamente os preços dos produtos e dificulta o seu transporte.
Conforme foi referido pelo técnico naval engenheiro Rosa Coutinho, ainda é o porto de Quelimane o que apresenta melhores 'características de utilização, em toda essa extensa zona costeira.
É certo que se projecta um grande porto a estabelecer na barra do Zambeze, no Cuama, e não no Chinde, para o escoamento dos minérios da zona de Tete, em seguimento do aproveitamento hidroeléctrico de Cabora Bassa.
Mas este porto essencialmente mineraleiro, de características específicas, servirá a navegação fluvial do rio Zambeze. Para que pudesse servir outros sectores de actividade, necessário se tornaria a construção de nova rede de estradas, dificílima na região dadas as condições do delta, obrigando à execução de numerosas e dispendiosas obras de arte. De qualquer medo, só daqui a muito largos anos se pode pensar na execução de tal obra.
Sendo assim, porque não- efectuar-se um progressivo melhoramento da barra de Quelimane, de modo que o porto possa desempenhar uma função não só útil mas até necessária para o escoamento dos produtos da região que serve?
Têm-se notado na região insistentes pressões no sentido de desviar as cargas que naturalmente se destinariam a Quelimane, para o poeto de Nacala. É contra essas pressões que a população de Quelimane reage, pois vivem os problemas e dificuldades resultantes das soluções que se preconizam e com as quais não podem concordar.
Relativamente ao pequeno caminho de ferro, tem dado efectivamente prejuízos, tendo sido de 11 173 contos em 1967 e de 10 976 contos em 1968.
Mas o caminho de ferro do Niassa, que presentemente se encontra ligado ao vizinho Malawi, em 1967 deu um prejuízo de 26 872 contos e em 1968 de 29 070 contos, e todavia ninguém pensa em substituí-lo.
Se o estudo feito do prolongamento do caminho de feno de Quelimane iate tio do Niassa levou a conclusões negativas, porque não efectuar-se o estudo do seu prolongamento até Milanje, servindo a região do Malawi com o mesmo nome, de forma que permitisse o escoamento da produção de chá e outros produtos que ali se situam, conforme desejo várias vezes manifestado pêlos nossos vizinhos, incrementando-se desse modo uma maior movimentação e especialização do porto de Quelimane em produtos de manuseamento especializado e sensível?
À luz de um objectivo planeamento regional, tanto o caminho de ferro como o porto de Quelimane são de interesse manifesto, e há que serem melhoradas os suas condições de funcionamento.
Quanto à referência de que na zona em causa se programa um aproveitamento hidroeléctrico no Alto Molocué, no Plano de Fomento em curso foram destinada verbas para a sua execução, mas o projecto foi abandonado e nada se executou. Porque o problema da criação de fontes de energia na região é grave e urge ser resolvido, abordá-lo-ei em outra ocasião.
Entretanto estão a fazer-se os estudos para o novo Plano de Fomento.
À carência das infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento impede o progresso da região considerada.
Parece que se impõe Beja constituída uma comissão de planeamento regional para a zona compreendida no quadrilátero Quelimane-Milanje-Nova Freixo-Nacala e não somente um grupo de trabalhos, com o fim de colaborar na preparação do novo plano de fomento e acompanhar a sua posterior execução, coordenando os diversos meios de acção regional, da qual fizessem parte, não só elementos técnicos das diversas formações necessárias, mas também as individualidades da região que, pelo seu saber e experiência, pelo seu prestígio social e profissional, pelo seu poder de intervenção na vida económica e social dia região, se apresentassem como as mais qualificadas para levantar e equacionar os problemas e para propor para eles as soluções mais adequadas, coordenando-se deste modo o sector público com o sector privado.
E a necessidade da constituição de tal comissão regional resulta, entre outras razões, do facto de se tratar da zona de Moçambique com maiores valores de produção, com uma influência decisiva na obtenção de divisas tão necessárias, de ser a região com maiores potencialidades susceptíveis de mais rápido desenvolvimento no campo da produção e assim mais depressa corresponder aos incentivos resultantes dos investimentos que no sector público venham a ser feitos, e ainda de contar com cerca de 43 por cento de toda a população da província cuja promoção urge acelerar social e economicamente, e de se tratar da zona mais próximo do Norte que necessita de um adensamento da sua ocupação, e que pode propiciá-lo em condições de completo sossego e com vantagens económicas imediatas, constituindo-se desse modo uma frente sólida contra eventuais infiltrações.
Do actual governador-geral de Moçambique, Engenheiro Pimentel dos Santos, que tão bem conhece a problemática do desenvolvimento da província e as carências mais urgentes, esperam as pessoas que mourejam na zona referida a ajuda esclarecida e realista para a resolução dos seus problemas mais urgentes.
Mas voltando ao plano rodoviário que vai ser executado.
Perante o anunciar da grande obra planeada, muita gente duvida que ela seja executada totalmente e nos prazos previstos.
Essa dúvida é a resultante de várias promessas feitas que não chegam a ser cumpridas, e das dificuldades na obtenção dos meios humanos e materiais para a sua execução.
Porque é na verdade difícil contar na província com empresas devidamente apetrechadas para poderem executar todas as obras, permitiu-se o concurso de empresas estrangeiras.
Quanto aos recursos financeiros necessários, conta-se com as receitas ordinárias da Junta, considerada a taxa previsível do seu crescimento anual, com as verbas a atribuir nos planos de fomento e com financiamentos parciais das empresas concorrentes ou grupos financeiros a elas ligadas.
Para que o plano seja integralmente cumprido, como todos desejam e necessário se torna, dada a grande importância que as rodovias assumem no processo de desenvolvimento, indispensável é que as verbas a atribuir nos planos de fomento sejam efectivamente distribuídas, dado o carácter altamente prioritário da sua execução.
E houve, na verdade, grande receptividade dos respectivos empresários para a execução do empreendimento.
À inscrição para a pré-qualificação com vista ao concurso para a construção acorrerem umas trinta empresas, entre nacionais e estrangeiras.
Este facto é o melhor sintoma de que os planos foram criteriosamente gizadas e de que há confiança nos possibilidades reais do progresso de Moçambique: