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28 DE ABRIL DE 1973 5267

em Lisboa, as virtualidades criadoras da sua cátedra universitária num magistério político da acção.
No dizer de um seu biógrafo muito ilustre, Salazar "chegara ao Governo para dizer a quase tudo que não. Só disse que sim a Deus, à Pátria e à tradição. Nunca temeu os perigos do seu magistério pessoal, crente na sua certeza de que nós poderíamos ser, se o quiséssemos, 'uma grande e próspera nação'. Para isso, saneou primeiro as finanças e deu uma meticulosa atenção a todos os problemas secundários; traçou depois com giz magistral as grandes linhas constitucionais do Estado e os caminhos morais e políticos do nosso nacionalismo; e, por último, com um génio digno dos maiores europeus de todos os tempos, realizou a sua política externa, graças à qual Portugal passou a ser considerado no mundo livre como uma potência indispensável à comunidade internacional" (cf. Br. Manuel Anselmo, Meridianos Críticos, 2.ª série, p. 337).
Em toda a sua obra respira, com plenitude e naturalidade, uma vida inigualável ao serviço da Pátria.
Foi um doutrinador admirável, mas a doutrina que pregoa, com a palavra e, mais ainda, com o exemplo de austeridade, seriedade e abnegação de que deu sobejas provas, recebeu-a não só das leituras, mas sim, e sobretudo, da voz do sangue e da história, corrigindo-a e desenvolvendo-a ao contacto do real e da acção, autenticando-a com a vivência combativa que só a morte conseguiu vencer.

O Sr. Cunha Araújo: - V. Exa. dá-me licença?

O Orador: - Faz favor, Sr. Deputado.

O Sr. Cunha Araújo: - Desculpe interrompê-lo, mas, sensível como V. Exa. a todas as manifestações de gratidão, no que julgo estar de acordo até com o nosso Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, eu não queria deixar de associar-me às palavras de V. Exa., com ou sem imunidades parlamentares, quer seja ou não citado entre aqueles que o cumprimentam e aqueles que o aplaudem, queria deixar ficar aqui expressa a minha solidariedade e o meu apreço quanto às palavras que V. Exa. está a pronunciar e que eu considero muito oportunas no final desta legislatura.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Muito obrigado, Sr. Deputado.
Exaltando princípios que fizeram a grandeza de Portugal e constituíram sólida garantia do seu futuro, este homem de génio jamais buscou aplausos ou procurou saber se desagradava, nem tão-pouco perdeu tempo em torneios de esforço verbal para dissimular as realidades mais duras e aborrecidas para o povo que, como poucos, conhecia e, por isso mesmo, amava.
Quando, na "balbúrdia sanguinolenta", a Nação caminhava direita ao abismo, pulverizando-se numa derrocada vergonhosa, Salazar, convencido de que o verdadeiro Portugal não era aquele de que o demo-liberalismo e o parlamentarismo nos davam tão feio e nefasto retraio - não era aquele que governa e se divide em programas políticos utópicos e perturbadores, mas o que trabalha, canta e reza -, dispõe-se a barrar o caminho à mentira democrática e à demagogia, dizendo-lhe que "não" em nome dos superiores e sagrados interesses do País, com a rejeição das ideias falsas e das ideologias utópicas.
Aspirou sempre, e só por dever de consciência e imperativo nacional, a tornar possível o que era necessário, procurando uma fórmula de Estado em que pudesse conciliar a autoridade e a liberdade e em Que a autoridade realizasse, no máximo possível de liberdade e de ordem, as condições necessárias ao progresso da vida colectiva.
"Para isto rejeita os princípios e as conclusões liberais e socialistas para abraçar um conceito do Poder - que vem de Deus, que é uma missão sagrada - que deve exercer-se como um dever e não buscar como um direito" (cf. Silva Saraiva, O Pensamento Político de Salazar, p. 241). Foi um político realista.
Mais tarde, num mundo em guerra e na subversão de valores que ela provoca, de novo se agiganta a personalidade de Salazar na condução dos negócios do Estado, enraizando-se cada vez mais nas consciências a bondade e firmeza das suas doutrinas, ganhando progressivo prestígio a orientação, alicerçada em seriedade e nos melhores princípios e interesses da Nação, que soube imprimir às relações da política externa portuguesa.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E quando os ventos da história, na sua fúria avassaladoramente destruidora, pareciam tudo varrer, mesmo os princípios da civilização ocidental e cristã, Salazar, superior a quanto o rodeava e erguido acima de quanto o cercava, mantém-se firme, resoluto e confiante no calcorrear espinhoso da rota dos melhores interesses nacionais que, em boa hora, havia traçado com mão de mestre, para maior honra e prestígio da Nação, com a decisão histórica tomada para a defesa da sua unidade e integridade.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Eis por que, Sr. Presidente e Srs. Deputados, entendi por bem, neste dia e no seio da representação nacional, deixar consignada a palavra de justiça à memória do egrégio português.

O Sr. Pontífice Sonsa: - Muito bem!

O Orador: - Ê que, como escreveu o Prof. Doutor Paulo Cunha: "Grandeza, altura, rectidão, humanidade, energia, patriotismo - creio estar aqui uma síntese de Salazar. Renúncia de si mesmo, doação de todo o seu ser ao bem comum das gentes portuguesas. Nem bens materiais para si, nem família, nem as vaidades do político aclamado. Como D. João II, não pôde sequer ser fonte de estirpe. O rei augusto do século de Quatrocentos teve por divisa 'Pola lei e pola grei'. A vida de Salazar poderia centrar-se em duas palavras singelas: 'Por Portugal'". (Diário de Notícias, de 28 de Julho de 1970.)
Que mais é preciso para justificar a justiça desta singela homenagem feita por um português agradecido?
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem!