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574 I SÉRIE - NÚMERO 19

liça que têm seguido, nomeadamente no ano de 1980, sobre todo o contexto de adesão à CEE é uma política de completa falsidade. Os próprios banqueiros estrangeiros, que não estão conotados com o Partido Comunista Português - é o caso do próprio Sr. Thorn, que não está conotado com o Partido Comunista Português -, chamam a atenção para as dificuldades que os senhores no nosso país dizem não existir. É contra isto que protestamos.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - É falso!

A Sr.ª Helena Roseta (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Helena Roseta (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: É obviamente falso que a Aliança Democrática alguma vez tenha dito que não existiam dificuldades. Nós não temos é medo de as encarar nem as escondemos.
É completamente falso o que o Sr. Deputado está a dizer. Nós temos dito sempre em todos os nossos discursos, quer em discursos eleitorais, quer em discursos em período não eleitoral, que o País tem de se preparar para a adesão ao Mercado Comum, que essa adesão vai implicar grandes alterações nas estruturas do País, inclusivamente falamos à juventude nessa perspectiva de mudança e de renovação.
Só há uma pequena diferençai: nós não olhamos para trás, não estamos agarrados a modelos ultrapassados, não somos conservadores neste ponto, e os senhores, neste ponto, são profundamente reaccionários.
Aquilo que pretendem è tudo como está ou pior ainda. Não terão, da nossa parte, essa atitude.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Sr. José Vitorino (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. José Vitorino (PSD): -Para fazer um protesto, Sr. Presidente.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - É melhor não se meter nisto! É a proposto do marisco no Algarve?!

O Sr. Presidente: - Tem V. Ex.ª a palavra. Sr. Deputado José Vitorino.

O Sr. José Vitorino (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: É evidente que nada muda, no discurso do Partido Comunista: a crise persiste, as medidas são sempre inadequadas, tudo está pior.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Infelizmente!

O Orador: - A demonstração de que isso é falso está à vista em termos de resultados, já em finais de 1980, quanto à inflação, quanto a investimento, quanto a desemprego, quanto a melhorias no aspecto social.
Mas a questão de fundo é esta: o Partido Comunista não tem moral...

Risos do PCP.

... nem tem o direito de vir aqui dizer seja o que for sobre esta matéria, porque, ainda, mal o Governo está a tomar posse, permite-se vir dizer à opinião pública que o Governo não tem legitimidade para governar durante quatro anos. E permite-se pôr a sua correia de transmissão, a Intersindical, a dizer que vão começar as mobilizações, que vão começar as confrontações, que vai começar o combate contra o Governo. Isto é, o objectivo do Partido Comunista é demasiado claro: é o de derrubar, é o de destruir. E, quando esse objectivo é claro, não pode vir aqui, com palavras fáceis, dizer que quer construir e discutir num plano sério, as medidas paia resolver a crise portuguesa.
Por outro lado, falou o Sr. Deputado Octávio Teixeira nas taxas de juro. O Sr. Deputado sabe que, na verdade, essas taxas de juro não estão baixas. O Sr. Deputado sabe tão bem como eu e como todos os economistas que há que estabelecer um justo equilíbrio entre a taxa- de juro que permite a poupança, que permite a recolha das poupanças e a sua canalização para investimentos, retirando-as do consumo que ira provocar o- aumento da inflação, e taxas de juro que permitam investimentos selectivos, e não indiscriminados.
O Sr. Deputado deve saber isso, mas, porque não quer a recuperação económica nos moldes democráticos e nos moldes europeus, então protesta, dizendo que tudo é mau. O Sr. Deputado pode estar certo de que a nossa democracia, a democracia do Partido Social-Democrata, a democracia do Governo da Aliança Democrática é a democracia do 25 de Abril democrático e jamais a democracia do 25 de Abril revolucionário ou a democracia do 11 de Março comunista.

Aplausos do PSD e do PPM.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - É uma pena este deputado não ser Ministro dias Finanças!

O Sr. Presidente: - Tem agora a palavra o Sr. Deputado Octavão Teixeira.

O Sr. Octávio Teixeira (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Muito rapidamente, gostada de dar unia- pequena resposta! ao contraprotesto da
Sr.ª Deputada Helena Roseta.
É falso que a AD tenha abertado o povo português sobre as reais consequências dai adesão ao Mercado Comum. Nunca o fez, nunca fez clara para com os agricultores, nunca foi clara para com a maioria dos empresários deste país. Os grandes empresários com quem a AD tem discutido o assunto têm-se mostrado nos últimos tempos bastante menos receptivos a essa adesão, nomeadamente nos moldes em que a AD o pretende fazer.

A Sr.ª Helena Roseta (PSD): - Insiste na defesa dos banqueiros!

O Orador: - Além do mais o PCP não è conservador nesta matéria, O que o PCP pretende, para