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28 DE JANEIRO DE 1981 787

quanto mais não fosse o vírus estava latente e à mínima perturbação das condições climáticas ressurgiria.
Além disto deixe-me dizer-lhe que apesar de o arrolamento geral dos gados estar muito ultrapassado, mal de nós, mal da pecuária deste país se apenas pudesse contar com 8 milhões de biungulados.
Finalmente gostaria de lhe perguntar se considera outro um surto de febre aftosa que por razões meramente circunstanciais se referencia a 1971, mas que de facto durou cinco anos. Acha que foi um período curto?

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado António Campos, estão ainda inscritos mais colegas para lhe pedirem esclarecimentos. V, Ex.ª quer responder a um por um ou aguarda e responde a todos no final?

O Sr. António Campos (PS): - No final, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: -- Assim sendo, tem a palavra o Sr. Deputado Carvalho Cardoso.

O Sr. Carvalho Cardoso (CDS):- Sr. Deputado António Campos, realmente poucas perguntas tenho a fazer-lhe, tenho mais é esclarecimentos a dar-lhe.
De facto, alguns dos Srs. Deputados que intervieram no debate lançaram a atoarda de que o Governo teria feito ontem o anúncio de que ia avançar com a campanha de vacinação por oportunismo, face ao debate que se ia fazer aqui. Sobre isto devo dizer - como todos sabem, fui Secretário de Estado do Fomento Agrário e parte desta campanha desenvolveu-se quando eu desempenhava essas funções - que, logo que apareceu o primeiro rebate sobre o surto da doença, alertaram-se todos os serviços para que se preparassem para a campanha de vacinação. Mas listo já aqui foi dito, e não pretendo alongar-me mais sobre o assunto.
Apesar de tudo, Sr. Presidente e Srs. Deputados, devo dizer, que a campanha de vacinação obrigatória carecia de uma estrutura que infelizmente levou tempo de mais a conseguir, não por culpa dos serviços do Ministério da Agricultura, mas porque, para além das vacinas, era preciso colocar uma marca auricular nos animais, isto é, «brincos» para os animais vacinados. Ora, os tipos desejados de «brincos» não se fabricam em Portugal, daí que se tivesse de fazer um concurso público, que foi ganho por uma fuma alemã, o que fez que até há poucos dias ainda não tivessem sido entregues esses «brincos». Daí a demora no lançamento de uma campanha de vacinação que estava preparada para começar em Novembro.
Portanto, o que se verificou foi uma dificuldade técnica, que não pôde ser superada, visto que os recursos nacionais disponíveis não permitiam a extensão que se queria dar a essa campanha.
Já agora, aproveito esta oportunidade para dizer que, concomitantemente com a campanha lançada, se tentou, através de encontros e conversas com o Sindicato dos Médicos Veterinários, obter a participação desses clínicos na campanha. Aliás, está pronta para ir a Conselho de Ministros a legislação sobre a regulamentação da actividade dos médicos veterinários municipais, legislação essa cujos trabalhos de elaboração se arrastavam há muito tempo e que só foi possível finalizar há poucos meses.
Também foram oportunamente lançadas acções de esclarecimento, que não avançaram muito, não porque os serviços de extensão rural, e ao contrário do que o Sr. Deputado António Campos disse, tivessem sido destruídos pelo governo AD - os serviços de extensão rural foram incrementados através de muitas acções, que foram em maior número do que no tempo em que o Sr. Deputado era Secretário de Estado -, mas porque as dificuldades são muitas e de índole diversa, o que, de resto, não está agora em discussão.
Por último, e antes de lhe formular uma pergunta, gostaria ainda de lhe dizer que o Sr. Deputado, na argumentação quantitativa e estatística que fez, esqueceu-se de que os 3 milhões de ovinos que não meteu nos seus cálculos são pouco receptivos à vacinação, que até não é obrigatória para eles. Mas os bovinos, esses, foram praticamente todos vacinados. Por consequência, o Sr. Deputado não pode misturar tudo no mesmo saco e tirar conclusões que não são nem possíveis nem justas.
Relativamente ao problema que levantou da intervenção oficial no mercado da carne, a questão que lhe quero pôr é esta: o Sr. Deputado António Campos e o governo de que fez parte deixaram pronta a Rede Nacional de Frio, de modo a permitirem-nos fazer as intervenções de que carecemos?

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM,

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Rogério de Brito, a quem peço - e já agora estendo o pedido aos restantes colegas- que não ultrapasse os três minutos de que dispõe.

O Sr. Rogério de Brito (PCP): - Serei muito breve, Sr. Presidente, até porque o debate tem sido exaustivo e certamente todos sairemos daqui mais enriquecidos e o País beneficiado.
Em relação aos efectivos que aqui foram referidos e ao número de vacinações feitas, coloco apenas d minha dúvida sobre as possibilidades que efectivamente os serviços oficiais teriam em apresentar uma quantificação, quando, por um lado, não havia uma articulação entre os serviços regionais, a direcção-geral e os clínicos veterinários em actividade privada quando, por outro lado, todos sabemos que foram, não direi milhões, para não ser exagerado, de muitos milhares as vacinas que entraram neste país em regime de contrabando e quando, enfim, sabemos que uma grande parte das vacinações feitas não decorreu por iniciativa dos serviços oficiais, mas da parte da iniciativa privada, isto é, dos próprios produtores.
Afirmou-se aqui também que se vacinaram 3 milhões de suínos. Ora isto é a prova mais evidente de que esta actividade não decorreu em resultado de uma iniciativa oficial e que, tendo até em conta que o próprio decreto-lei apenas prevê a vacinação dos suínos em regime extensivo, nós não temos 3 milhões de suínos em regime extensivo

O Sr. Presidente: - Desculpe-me a interrupção, Sr. Deputado, mas concedi a palavra a V. Ex.ª para interpelar o Sr. Deputado António Campos.