O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

788 I SÉRIE - NÚMERO 22

O Orador: - Sr. Presidente, lamento muito, talvez V. Ex.ª não tenha reparado, mas, logo que o Sr. Deputado Soares Cruz terminou a sua intervenção, fiz imediatamente sinal à Mesa, no sentido de me inscrever para lhe pedir esclarecimentos.

O Sr. Presidente: - De facto, não reparei, Sr. Deputado, mas depois disso já usou da palavra para uma intervenção o Sr. Deputado António Campos. De forma que neste momento só são pertinentes os pedidos de esclarecimento a este Sr. Deputado, o que não impede que V. Ex. faça outra intervenção no debate na generalidade.
Mas conclua, Sr. Deputado.

O Orador: - Terminarei já, Sr. Presidente. Aliás, repetirei apenas que julgo, quando estamos a chegar ao fim do presente debate, que deve ficar retido que não importa aqui penhorarmos o governo AD. Importa, sim, ter em conta uma realidade concreta: as organizações da lavoura reclamam que a campanha de vacinação não tem sido na medida em que era exequível. Este é um facto. Portanto, não é a bancada do meu partido, não é a bancada da maioria, que aqui põe esta questão, porque, de facto, têm sido as organizações da lavoura, todas elas, na generalidade, independentemente de vinculações que lhes queiramos atribuir. É isto que conta, e é bom que consigamos melhorar este decreto-lei nc sentido de podermos, em consciência, dizer que contribuímos para a sua melhoria, em benefício dos interesses do País, da economia e dos agricultores. Penso que isto é que é importante.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para responder, o Sr. Deputado António Campos.

O Sr. António Campos (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em primeiro lugar, quero dizer ao Sr. Deputado Soares Cruz que, de facto, estava na Sala quando se iniciou a discussão, o que acontece e que eu compreendo muito bem a sua linguagem e não estou de acordo com ela.
O surto de febre aftosa apareceu nos primeiros dias de Maio, e o Sr. Deputado fala-me num programa de vacinação que nasceu em Outubro, isto é, mais de meio ano após a chegada da febre aftosa, enquanto o Sr. Ministro apenas ontem nos veio dizer que a campanha vai ser incrementada. Este foi o dado que retive e que é claro pelas suas informações e pelas do Sr. Ministro. Aliás, foi também o Sr. Deputado e eu servi-me da sua própria afirmação- quem disse nesta Câmara que em Espanha o surto foi dominado no período entre Janeiro e Abril. É uma informação contida no seu texto, o que prova que eu estava dentro da Sala e com atenção. Mas o que me parece é que o Sr. Deputado Soares Cruz é muito pouco exigente para com o seu governo, que pode continuar a governar muito mal, porque, onze meses após o aparecimento do surto, o Sr. Deputado ainda vem aqui defendê-lo, como se ele tivesse feito o máximo para combater o surto de febre aftosa. Com apoiantes da sua natureza, o Governo vai cair próximo, porque, de facto, não o podem segurar.

Risos do PS.

Por outro lado, quero dizer-lhe que, quando me referi aos 8 milhões de biungulados, claro que não entrava nos cálculos com os suínos de exploração intensiva -é lógico!-, porque para esses não será determinante a sua vacinação.
Relativamente ao Sr. Deputado Carvalho Cardoso, devo dizer-lhe que fiquei a saber que a vacinação não se fez porque faltaram os «brincos».

Risos do PS.

No entanto, eu dava-lhe uma sugestão: tivessem arranjado pulseiras, porque o que de facto era preciso era vacinar.
É que essa explicação de não avançar com um programa de vacinação porque não havia «brincos» para colocar nos animais parece-me que não vai ser entendida pelos agricultores. Aliás, só por brincadeira é que ela pode ser dada como argumento nesta Câmara.
Quanto ao facto de a legislação que resolve os problemas dos clínicos veterinários já estar pronta, congratulo-me com isso, mas gostaria mais de a ver publicada para a poder analisar.
Sobre a questão da extensão rural, o Sr. Deputado Carvalho Cardoso sabe muito bem que enquanto esteve no Governo o que fez foi substituir o director regional e emparedar a extensão rural de tal forma que hoje ela está completamento parada. Mas, se quiser saber mais, fale com os técnicos lá de cima, da direcção-geral, ou com os que estão nos serviços regionais, porque eles confirmar-lhe-ão esta minha afirmação: toda a programação ficou parada, os técnicos não têm sido organizados e a extensão rural - que eu me orgulho de ter sido pelo menos um dos homens que a ajudou a criar em Portugal - de facto não foi dinamizada. Ao contrário, foi amortecida, adormecida e degolada pelo Sr. Deputado quando esteve no Ministério.
Devo ainda dizer que o surto de febre aftosa que está a reaparecer entre nós com tão grande intensidade na Beira Litoral e em Trás-os-Montes prova também que a afirmação de que todos os bovinos foram vacinados não é verdadeira. Isto porque, tendo essa vacinação uma duração de seis meses e tendo a grande época de vacinação ocorrido após o Verão, esses seis meses estariam cobertos pela vacina, e o surto que agora se verifica não teria ocorrido. Portanto, a melhor prova de que as vacinações não se fizeram é o grande surto que se está a observar e nas proporções em que se verifica naquelas regiões.
Além disto, Sr. Deputado, ainda lhe quero dizer que a Rede Nacional de Frio, apesar de ser reduzida, tem estado a ser mal aproveitada e, tanto quanto sei neste momento, há grande quantidade de frio sem ter animais armazenados, sendo esta agora uma boa altura para que o Sr. Deputado diga ao seu governo para ajudar os agricultores, fazendo uma intervenção no mercado da carne a preços decentes, de modo a salvaguardar principalmente a economia dos pequenos e médios agricultores.

O Sr. Soares Cruz (CDS): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito?

O Sr. Soares Cruz (CDS): - É para um curto protesto.