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28 DE JANEIRO DE 1981 789

O Sr. Presidente: - - Faça favor.

O Sr. Soares Cruz (CDS): - Sr. Deputado António Campos, não posso deixar de protestar, porque me parece que mais uma vez V. Ex.ª não entendeu bem aquilo que eu quis dizer.
Eu não disse que o programa nacional de vacinação só surgiu em Outubro. Ou melhor, disse que o programa só surgiu em Outubro, mas as vacinações começaram de imediato, as medidas de urgência foram de imediato tomadas.

O Sr. Luís Filipe Madeira (PS): - E os «brincos»?

O Orador: - Queria ainda informar V. Ex.ª, porque é capaz de não ter reparado nesse pormenor, de que os «brincos» são necessários, porque são marcas indeléveis e, portanto, o seguro que os animais têm para transitar de feira para feira e de mercado para mercado convenientemente marcados. É evidente que a pulseira foi uma graça que todos nós gostámos de ouvir.
Por outro lado, a Espanha vacina regularmente, e por isso é perfeitamente possível que oficialmente eles dêem o surto como erradicado. Agora o que eu, como técnico, não acredito é que não tenha havido ainda uma série de surtos camuflados e que depois pudessem ser trazidos para cá.
Preferia discutir estes pormenores, que já estão a ser excessivamente técnicos, na- especialidade e, por outro lado, temo que, por falarmos tanto no vírus da febre aftosa, possamos contaminar esta Câmara.

Aplausos do PSD e do CDS.

O Sr. Carvalho Cardoso (CDS):- Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito? É também para um protesto?

O Sr. Carvalho Cardoso (CDS): - É, sim, Sr. Presidente. Não tenho outra forma regimental para o usual.

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Carvalho Cardoso (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Queria protestar em relação a algumas afirmações que o Sr. Deputado António Campos fez, nomeadamente a de se vangloriar por ter sido p criador da extensão rural em Portugal. O Sr. Deputado tem aí na sua bancada pessoas muito mais antiga que trabalharam muito pela extensão rural, que lançaram verdadeiras campanhas e até muitos que se foram especializar lá fora para lançar isso há muitas dezenas de anos. Portanto, não se vanglorie disso, mas sim de outras coisas, pois com certeza que terá algumas para se vangloriar.
Também lhe queria dizer que não percebo por que é que a substituição de um director-geral -aliás, como sabe, não é o Secretário de Estado que substitui os directores-gerais - empareda a extensão rural num país. Acho que deve estar a exagerar muito, porque, se houve dois directores-gerais substituídos, os
outros não o foram, logo não há conotação entre a mudança de um director-geral e o emparedamento da extensão rural. Suponho que ai há exagero da parte do Sr. Deputado e, naturalmente, quer tomar a sua zona - onde não houve emparedamento nenhum e até houve em muitas áreas intensificação - pelo País todo. Seja um pouco mais comedido nessa super modéstia.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Sr. António Campos (PS): -Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente:- Para que efeito?

O Sr. António Campos (PS):- É para um contra protesto.

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. António Campos (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Penso que havia outras maneiras para ultrapassar a falta dos «brincos» - aliás, o Sr. Deputado Soares Cruz, como veterinário, conhece-as -, porque durante muitos anos se utilizaram outras marcas, principalmente nalgum estilo de animais, e não vale a pena referir; discutir agora aqui os outros processos.
Em relação ao Sr. Deputado Carvalho Cardoso, quero dizer-lhe que eu disse que fui um dos que defenderam a extensão rural e até fiz uma parte do diploma
que a criou legalmente isso foi no meu tempo. Queria também dizer-lhe que, de facto, o Sr. Deputado substituiu o homem que em Portugal mais bem preparado estava para dirigir a extensão rural, e o senhor não é capaz de dizer que não seja o maior técnico de extensão rural que existe em Portugal. A sua substituição foi feita simplesmente por motivos políticos, para poder paralisar a extensão rural, optando-se por colocar um director-geral que não estivesse ligado à extensão, que não tivesse uma verdadeira concepção do que é uma extensão rural. Esta foi a maneira de a degolar, tal como eu há pouco disse. Há uma afirmação que não pode ser feita: é que o Sr. Engenheiro Dias Nogueira não é o maior especialista de extensão rural que existe em Portugal e que a pessoa que o foi substituir não era especializada nessa matéria. O objectivo paira mito é claro: era paira degolar e paralisar a extensão rural, o que de facto foi conseguido.

O Sr. Presidente: -Srs. Deputados, visto não haver mais oradores inscritos para este debate na generalidade, considero-o encerrado. Vamos proceder à votação da ratificação n.º 60/I, relativa ao Decreto-Lei n.º 473/80, de 14 de Outubro, que torna obrigatória a vacinação bianual contra a febre aftosa dos bovinos e suínos.
Consultada a Assembleia, a ratificação foi concedida por unanimidade.

O Sr. Presidente: - É claro que nesta votação por unanimidade não incluo o Sr. Deputado da UDP, que não está presente.