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7 DE MARÇO DE 1981 1257

futuro julgamento e contra este segundo julgamento, desde já protestamos.
As palavras de Lula são encorajadoras para os trabalhadores brasileiros; disse ele: «Se hoje prendem Lula, amanhã surgirão 10 Lulas mais actualizados que não poderão prender.»
São palavras simples, mas cheias de ânimo e coragem e também de fé na vitória do seu povo e das forçais democráticas brasileiras.
Por isto juntamos a nossa voz à daqueles que em qualquer parte do Mundo se solidarizam pela defesa dos direitos sindicais, pela liberdade e democracia.
Não deixa dei ser espantoso que grupos parlamentares que tanto falam em liberdades e direitos do homem tenham votado contra este voto.
O que mais podemos dizer, Srs. Deputados, é que de facto existe uma grande hipocrisia do lado dos grupos parlamentares da AD quando vêm aqui falar em direitos e liberdades dos cidadãos.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - O Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português saúda os sindicalistas agora com o julgamento anulado manifestando-lhes, a eles e a todos os trabalhadores brasileiros, a sua solidariedade na certeza de que não estão sós na sua luta.

Aplausos do PCP, ao MDP/CDE e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra a Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura.

A Sr.ª Helena Cidade Moura (MDP/CDE): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O MDP/CDE votou a favor o voto de protesto do PS, da ASDI e da UEDS, e fê-lo na convicção de que Lula é, ao mesmo tempo, mais uma vitima e mais um herói das transformações democráticas que, em todo o Mundo, tomaram um caminho sem regresso.
Em homenagem ao esforço diversificado de tantos e tantos homens empenhados na mesma luta, leremos apenas uma notícia inserta no Jornal do Brasil, em 7 de Abril de 1980:

O bispo de Santo André, D. Cláudio Hummes, reafirmou, no sermão, seu apoio aos metalúrgicos e insistiu na necessidade de organização do povo. «Cristo não veio ajeitar as coisas. Não veio harmonizar. Não veio fazer média entre a justiça e a injustiça.» Vinte mil trabalhadores e suas famílias compareceram ao estádio.
D. Cláudio advertiu: «A Igreja nunca decidirá se vocês devem fazer ou parar a greve. Vocês é que devem decidir. A Igreja se põe a serviço de vocês, mas esta decisão é de grande responsabilidade.» Muito aplaudido, D. Gáudio manifestou a solidariedade do cardeal Evaristo Arns.
O líder sindical Lula, que falou no fim da missa, comentou: «Enquanto muitos metalúrgicos não têm sequer o que comer em casa, o Sr. Ministro do Trabalho, sexta-feira, depois do jantar, tomava uma champanhe que custa Cr$ 4 mil. Este mesmo homem tem a coragem de ir à visão ameaçar os trabalhadores e o sindicato.»
Disse Lula que muita gente deve ir à concentração de hoje, segunda-feira: «O Governo e os patrões ameaçam descontar os dias parados, mas se enganam se pensam que poderão intimidar, porque a classe trabalhadora tem vergonha, moral e dignidade e só voltará ao trabalho quando os patrões resolverem conversar em igualdade de condição com os trabalhadores.»
Referindo-se à possibilidade de intervenção, repetiu o apelo para que ninguém acredite «nos boatos e na propaganda do Governo e dos patrões»: «Aconteça o que acontecer, vocês só deverão voltar ao trabalho depois de abertas as negociações e depois de ganhar alguma coisa a mais. Se eles fizeram a intervenção, se prenderem a directoria do Sindicato, e se vocês voltarem ao trabalho, de nada valeu nosso movimento.»

Este texto revela bem como a malha apertada que o capitalismo internacional tece à base de falsos preconceitos, de mitos e de falsos ideais é frágil e rompe perante a verdade.
O MDP/CDE condena a sentença contra Lula e seus companheiros e acredita na vitória do povo brasileiro!
No dia de hoje, que marca uma data importante na história da luta antifascista em Portugal, aproveito para saudar todos os deputados antifascistas desta Assembleia.

Aplausos do MDP/CDE, do PCP, da UEDS e de alguns deputados do PS.

O Sr. Presidente: - Para uma declaração de voto, tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A UDP associa-se ao protesto apresentado pelo Partido Socialista contra a condenação do dirigente sindical Lula e de outros sindicalistas.
Acrescentamos, no entanto, que o protesto no Brasil se ergue primeiro surdo e doloroso, mas sempre cada vez mais nítido e ecoante, desde que os generais fascitas brasileiros espezinharam com a sua «bota» as liberdades do povo brasileiro desde 1964, generais como João Figueiredo, que há bem pouco tempo foi homenageado nesta Assembleia como um defensor da liberdade e de democracia, numa condenável atitude de cobertura à ditadura militar fascista brasileira.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Na verdade, a luta do povo brasileiro, a luta dos operários de S. Paulo, dos camponeses do Araguaia, dos estudantes, dos democratas e antifascistas foi impondo ao regime fascista a necessidade, de pelo menos, fingir uma abertura. Mas, Srs. Deputados, a abertura a que são obrigados os ditadores reaccionários leva de imediato à maior capacidade de luta do povo. Daí que os ditadores se vejam de nós obrigados a aumentar a repressão, como neste caso fizeram com os dirigentes sindicais brasileiros.
Isto é uma manifestação da contradição fundamental que actualmente mina as sociedades.
É entre os interesses das massas populares e do proletariado, por um lado, e os interesses do imperialismo, dos capitalistas, dos latifundiários e dos seus lacaios - os generais -, por outro.