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20 DE MARÇO DE 1981 1431

deração de todos de deputados. Efectivamente, apresentámos este voto à consideração do Plenário da Assembleia da República por duas ordens de razões.
Uma, digamos, de ordem interna. Tanto quanto se sabe, é a primeira vez na história aos regimes parlamentares portugueses que |um deputado desta Assembleia é eleito para a presidência de uma organização internacional que conjuga e associa forças partidárias significativas em vários países e que no quadro da política internacional, sobretudo a europeia, é canal de expressão e projecto político de muitos milhões de eleitores.
Parece-nos que esta Assembleia deve sentir-se honrada pela distinção que recai sobre um dos seus membros, pela confiança que se lhe atribui e pelo significado das funções: em que o mesmo foi investido.
Uma outra ordem de razões é, digamos, de ordem exterior a esta Casa e de âmbito internacional e europeu.
A UEDC é uma das grandes forças democráticas europeias. Os cristãos democratas constituem o grupo parlamentar com mais deputados no Parlamento Europeu. Na quase totalidade dos países da Europa-Ocidental, os democratas-cristãos ou estão na maioria ou são o mais importante partido da oposição parlamentar.
Na maioria ou na oposição a nível parlamentar, no Governo ou apresentando-se-lhe como alternativa directa, os partidos democratas-cristãos são indispensáveis à normalidade democrática pela identificação com o seu projecto de uma grande parte de eleitorado da Europa Ocidental e de muitos outros países.
Não pretendemos triunfalismos, não pretendemos impor nada a ninguém, mas haverá que reconhecer, sem favor, que os democratas-cristãos, que a nível europeu a UEDC conjuga, são uma parte indispensável dessa família maior que é constituída também pelas forças sociais-democratas ou apostadas no socialismo democrático e liberais e com elas pilares da democracia, como ela se entende e vive na Europa, tal como disse um dia entre nós o deputado socialista austríaco e antigo presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa Karl Gzemetz.
Para um país que pretende integrar-se na Europa e para as forcas políticas aqui representadas que apostam no projecto europeu, esta eleição não .pode ser indiferente.

O Sr. Carvalho Cardoso (CDS): - Muito bem!

O Orador: - Freitas do Amaral não será decerto um representante de Portugal na direcção da UEDC, mas será, sem dúvida, sempre um português na presidência desta União Europeia.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - É, pois, por estes dois motivos, um que diz directamente respeito a esta Assembleia, na pessoa de um dos seus deputados, e outro à importância desta eleição no quadro da política europeia do nosso país, que nos sentimos em condições e temos a honra de propor à consideração de VV. Ex.ªs, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o voto de congratulação cujo texto acabou de ser lido.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Sousa Marques.

O Sr. Sousa Marques (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A propósito do voto de autocongratulação e muitas autofelicitações tacões apresentado pelo CDS e referente a muito autocelebradas eleições realizadas no seio da chamada «União Europeia das Democracias Cristãs», convém liminarmente lembrar que estamos em Lisboa e no Palácio de S. Bento, sito no Largo das Cortes; enfim, em Portugal. E para quem não gosta: depois de Abril.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - - Estas verdades tão comezinhas e singelas parecem ser, ou são de facto, deliberadamente esquecidas, ou rudemente esmagadas, pelo circunspecto, solene e grandiloquente peso carregado de importâncias dos que se confundem ou confundem, ou -intentam que alguém se confunda ou confunda, que não estamos na sede de um certo partido, mas na de um órgão de soberania. E que, estando na capital, não respiramos os ares de entrudo, porventura bafiosos, de conhecida sede do Largo do Caldas.
Só que, insistido repetindo, estando em Lisboa, é no Largo das Cortes e na Assembleia da República que nós estamos.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Que o ridículo tem limites, é património da por vezes sábia sabedoria do senso comum. Que deputados do CDS não consigam divisar os limites do ridículo é, pelo menos, chocante e triste. Que deliberada e friamente não queiram limitar-se aos limites do possível e desejável é, por enquanto, lamentável e execrável.
Os deputados do CDS têm o direito de exprimir nesta Assembleia, recorrendo a todas as regras regimentais aplicáveis, as suas pequenas ou grandes alegrias, os seus mais contidos ou mais incontidos desvarios. Nós reconhecemos-lhe esse direito.
Só que não tem de pretender vincular a Assembleia da República, orgão de soberania, a malpensados e malcontidos ímpetos do seu foro íntimo. Eventualmente, a sentimentos que, lá bem no fundo de cada intimidade ou sensibilidade CDS, nem todos comungarão...
Os deputados do CDS poderiam satisfazer-se com o alarido das trombetas de dois ou três mais fiéis serventuários de Proença de Carvalho e seus interesses. Mas não se satisfizeram.
Os deputados do CDS até poderiam ter tido o recatado pudor de debater a matéria deste voto de auto-congratulação e muitas autofelicitações no venerador silêncio do seu pelouro caseiro das suas relações externas. Mas não o fizeram.
E, ao pretenderem arrastar esta Assembleia na sua precoce, imatura e indisfarçável auto-alegria, intentam também amarrar e imiscuir, pressurosamente, o seu parceiro maior nesta euforia cosmopolitista. Tanto mais seguros quanto é certo que nenhum deputado do PSD, seu maior pairceiro, poderá aplaudir a impossível, porque irrealizável e impensável, eleição de Balsemão para a vicepresidência de uma internacic-