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3 DE JUNHO DE 1981 2887

O Sr. Almeida Santos (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados, quero antes de mais agradecer a quantidade dos pedidos de esclarecimento, o que na verdade me honra.
O Sr. Deputado Borges de Carvalho disse que a minha intervenção era uma «brisa que desliza» enquanto no interior do meu partido «circula vendavais». Circulam vendavais aparentes, mas a verdade é que o último Congresso, feito à luz de toda a gente, mostrou que o nosso partido não estava tão doente como a AD desejou que estivesse. Não havia vendavais e se os havia, transferiram-se para a zona da AD, porque, talvez por uma coincidência que eu não sei explicar, foi a partir do nosso Congresso que começaram a revelar-se os sinais evidentes das vossas dificuldades internas. Não me dão nenhum prazer, porque, na medida em que há um adversário que decai, é também um País que vê acrescidas as suas dificuldades.
De qualquer modo, nós não deixaremos que se passe gato por lebre - e isto em resposta, desde já, ao Sr. Deputado Pedro Roseta, porque se o meu discurso «pariu um rato», mais evidente me parece que «aqui há gato».

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Essa é boa!

O Orador: - A saída do Sr. Deputado Lopes Cardoso foi, na altura e se bem me recordo, objecto de uma intervenção do Sr. Primeiro-Ministro Mário Soares nesta Assembleia, mas se não foi, se estou enganado, penso então que se deveria pôr antes o problema de saber se alguém lhe pediu essa intervenção e se ele se recusou a fazê-la. Nós estamos a pedir que o Sr. Primeiro-Ministro a faça; ficamos è espera de que ele a não recuse.
Disse também o Sr. Deputado Borges de Carvalho que a AD não precisa de conselhos do PS. Não lhe demos conselhos, fizemos-lhe críticas, é um direito de que não prescindimos e espero que não seja tão orgulhoso que, na verdade, nos queira entravar esse direito.
Perguntou, finalmente, como justificamos a diferença de quando éramos Governo e de quando somos oposição. Só que eu não vejo diferença nenhuma, nem o Sr. Deputado a caracterizou.
Somos, como sempre fomos, um partido socialista que não rejeita o socialismo, ao contrário do que o PSD faz, por exemplo, em relação às trinta referências que no seu Programa se fazem ao socialismo.

Protestos do PSD.

Somos um partido que não rejeitou o 25 de Abril, que não rejeitou a Constituição que aprovou. Somos um partido que em muitos outros capítulos mostrou sempre a sua coerência, nunca nos negámos a nós próprios. E mesmo em relação a este aspecto comezinho eu disse no meu discurso, creio que claramente, que há diferenças abissais entre a nossa situação de então' e a vossa situação de agora. Nós não fomos votados como coligação, aliás não houve uma coligação, mas um acordo de incidência governativa com o CDS. A AD foi votada como coligação, tem essa legitimidade acrescida, mas também essa responsabilidade acrescida. É uma situação corripletamente diferente. A AD não tem dificuldades para governar neste Parlamento, aprova as leis que quer. Tem uma maioria que a apoia, nós não a tivemos na maior parte do tempo. E sobretudo quando o Sr. Deputado Lopes Cardoso deixou o I Governo, não éramos um Governo maioritário. Só quem governou, alguma vez, em minoria sabe quanto é difícil governar em minoria. Apesar disso, nós fomos até hoje o Governo mais durável em tempo e aquele que conseguiu resolver a maior soma de problemas nacionais.
Refiro-me, sem nenhuma espécie de hesitação, ao problema do turismo, que não existia quando nós tomámos conta do Governo, porque se tinha retraído; à reintegração dos retornados; à recuperação da confiança dos emigrantes; à travagem do desgaste das nossas divisas de ouro; à viragem da nossa crise económica; ao recomeço do equilíbrio financeiro.

Aplausos do PS.

Foram grandes medidas, grandes soluções, e eu espero que possais encontrar outras tantas para contrapor a estas.

O Sr. Presidente: - Desculpe interrompê-lo, Sr. Deputado, mas o Sr. Presidente da Assembleia pede para lembrar aos Srs. Deputados que estão quase a chegar um grupo de deputados brasileiros e que está, creio, entendido que cada grupo parlamentar destacará um Sr. Deputado para ir recebe-los na sala.
Faça favor de continuar, Sr. Deputado.

O Orador: - O Sr. Deputado José Vitorino disse que a AD está de boa saúde. Felicito-me por isso, se essa é a sua sincera convicção. Não é essa a aparência; há sintomas de febre alta, pelo menos do ponto de vista do diagnóstico feito segundo o nosso de serviço Nacional de Saúde».

Risos do CDS.

Talvez segundo o vosso sistema de saúde ela esteja na verdade muito doente e aparente não o estar.

Risos do PS.

Disse também porque é que não apresentamos uma moção de censura. Não vai fazer-nos a injúria de supor que não conhecemos a distinção entre a moção de censura e a simples intervenção de carácter político. Quando quisermos apresentar uma moção de censura apresentá-la-emos, com a convicção antecipada de que será rejeitada, mas também com a certeza antecipada de que, se ela for justificada, terá o efeito de todas as moções dirigidas fundamentalmente a qualquer Governo, como seria necessariamente o caso.
Disse ainda que existe crise no PS. Eu diria que talvez tenha existido. Neste momento quem está de boa saúde é o PS e começa a haver bons sintomas disso, enquanto que teremos na verdade, dentro em pouco, de ir visitar-vos ao vosso leito de enfermidade.
O Sr. Deputado Pedro Roseta diz que não foi sequer uma remodelação. Temos então que arranjar uma outra palavra para justificar o que tenha sido.