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3 DE JUNHO DE 1981 2889

outras, porquanto, obviamente, quando dois partidos com ideologias diferentes e programas diferentes procuram juntar-se numa coligação e num programa únicos, há um esforço de adaptação e de mútua transigência.
Mas nós até julgámos que na verdade não era artificial a coligação em que se enquadram os partidos que hoje formam a AD. E até, como sabe, muitas vezes, e ainda hoje de algum modo, nos consideramos uma direita alargada, que vai desde um centro-direita a uma quase extrema-direita, ou mesmo a uma extrema-direita. Simplesmente, o que acontece é que, quando essas afinidades poderiam justificar que tivessem como Deus e os anjos, eis que apenas a quatro meses de prazo nos deram o espectáculo de dissidências tão profundas e tão graves como aquelas que conduziram a esta remodelação do Governo.
Foi isso que nos causou apreensão. Eu não recuso a palavra «apreensão», porque o mal que fizerdes, os desentendimentos de que fordes autores e responsáveis reflectir-se-ão não apenas na felicidade dos portugueses, mas também na solidez e no êxito das instituições democráticas. E isso é que nos preocupa.
O Sr. Deputado Azevedo Soares felicitou-me pelo meu regresso às lides parlamentares. Muito obrigado! Eu só tenho a lamentar que o venha a encontrar não na primeira fila, como sempre o vi, mas na «montanha» donde me falou. Acho que faz falta na primeira linha do CDS.
Disse que não procurei apontar qualquer saída, Sr. Deputado, nós não queremos sair com os carros em andamento. O vosso carro está em andamento, claudicante é verdade, com o motor um bocado aquecido, provavelmente acabará por parar. Nessa altura veremos se devemos todos apear-nos, ou não, deste arranjo que é o actual funcionamento das instituições democráticas. Entretanto, claudicando ou não, que o vosso carro vá andando, para ver até onde é capaz de chegar.

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Até à meta!

O Orador: - E depois no fim, necessariamente, se não chegar à meta, ou se chegar lá sem fôlego, depois de ter feito uma corrida péssima, em que fez um tempo mais que criticável, o povo dará a resposta.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Ao PS é que já de a resposta!

O Orador: - E talvez nós possamos, então, ser beneficiários dessa resposta.
Disse também que o PS no fundo é a FRS.
O Sr. Deputado César Oliveira já respondeu a isso. Eu queria dizer que, se na verdade o PS é toda a FRS, então teríamos que concluir que o PPM não existe na vossa coligação. O facto de um partido ser menor não significa que mereça menos respeito ou que tenha um papel menos importante dentro e fora desta Assembleia. Nós respeitamos os nossos parceiros da FRS, conhecemo-lhes, as virtudes...

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - E os defeitos.

O Orador: - ... sabemos a capacidade que têm de se expandir e de lutar pelos ideais democráticos e não podemos suportar que, tal como fez o Sr. Deputado, eles sejam minimizados.
Por último, Srs. Deputados, em conjunto disseram que não vos dê conselhos e não vos dou. Far-vos-ei críticas e uma dessas críticas será esta: experimentem, talvez, respeitar mais os trabalhadores, dialogar mais com os trabalhadores; auscultar mais seriamente e mais ansiosamente o povo português; respeitar mais a Constituição; não atacar tão deliberadamente o sector público e os actuais equilíbrios económicos e sociais; meter no coração o 25 de Abril; e verão, talvez que as vossas crises poderão ser passageiras.

Aplausos do PS, da UEDS e da ASDI.

ORDEM DO DIA

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, terminou o período de antes da ordem do dia e passamos ao período da ordem do dia, com a discussão dos projectos de lei n.ºs 9/II, apresentado pelo PCP, e 173/II, apresentado pelo PSD, referentes a direitos dos trabalhadores-estudantes. Antes de iniciarmos o debate destes diplomas far-se-á a leitura de um relatório da Comissão de Regimento e Mandatos.
Como o Sr. Deputado relator não se encontra presente, a leitura do relatório será efectuada pela Sr.ª Secretária da Mesa Maria José Sampaio.

Foi lido. É o seguinte:

Comissão de Regimento e Mandatos

Relatório e parecer

Em reunião realizada no dia 2 de Junho de 1981, pelas 14 horas e 30 minutos, foram apreciadas as seguintes substituições de deputados:

1) Solicitadas pelo Partido do Centro Democrático Social:

Adalberto Manuel da Fonseca Neiva de Oliveira (círculo eleitoral do Porto) por Manuel Domingos da Fonseca Martins Moreira (esta substituição é pedida para o período de 2 a 12 de Junho corrente, inclusive);
Eugénio Maria Nunes Anacoreta Correia (círculo eleitoral do Porto) por Valentim Tiago Lanhas Alves Lopes (esta substituição é pedida para o período de 2 a S de Junho corrente, inclusive);
Carlos Eduardo Oliveira e Sousa (círculo eleitoral de Aveiro) por Manuel Carlos Costa da Silva (esta substituição é pedida para o período de 2 a 5 de Junho corrente, inclusive);
António José Tomás Gomes de Pinho (círculo eleitoral de Lisboa) por José Alberto Faria Xerez (esta substituição é pedida por mais doze dias, até ao próximo dia 14 de Junho corrente, inclusive).