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3594 I SÉRIE - NÚMERO 89

me, não contagem de notas de algumas disciplinas e até mesmo passagens administrativas, de tudo houve neste caricato processo. Pagou por isto quem não tinha culpa, quem apenas queria, com direito e justiça; prosseguir os seus estudos.
Por mim, e em relação a tudo isto não quero deixar de acabar dizendo: não tenho culpa, não votei AD.

Aplausos do PS, da ASDI, e da UEDS.

O Sr. Sousa Tavares (PSD):- Dá-me licença, que faça uma interpelação à Mesa, Sr. Presidente?

O Sr. Presidente:- Faça favor.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): -Sr. Presidente gostava de saber, uma vez que a criação de tribunais é matéria reservada desta Assembleia, a que título é que nós ouvimos aqui um relatório de um tribunal de opinião estudantil, ou lá o que é, que não me consta que a Assembleia tivesse criado. Não sei de que lei consta esse tribunal nem, quando é que a Assembleia da República o criou.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Sousa Tavares, os deputados dizem nas suas declarações de voto que entendem dever dizer.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP):- Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito?

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Para, um protesto.

O Sr. Presidente: - Um protesto em relação a quê?

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Um protesto em relação ás afirmações do Sr. Deputado Sousa Tavares, que visam directamente a minha bancada.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Sr.ª , Deputada eu afirmei nada, eu apenas perguntei.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Lamento profundamente que estando-se a discutir um assunto sério que afecta milhares e milhares de, jovens portugueses, e que é o 12.º ano, o Sr. Deputado Sousa Tavares, que nesta Câmara não faz nada a não ser mandar de vez em quando umas bocas de chicana parlamentar...

Protestos do PSD, do CDS e do PPM e aplausos do PCP.

venha- aqui arrogar-se o direito de interromper os debates mandando, umas bocas, à margem, apenas para fazer uma certa graça e para nós todos, nos rirmos muito. Sr. Deputado, nós estamos aqui a trabalhar a serio, com um Deputado que o povo nos deu, e não admitimos essas brincadeiras. Têm sido assim todas as últimas intervenções, do Sr. Deputado Sousa Tavares nesta Assembleia. Eu não o" ouvi, durante todo este ano, levantar um único. problema' dos Portugueses, não o'vi apresentar um único projecto de lei não o vi trabalhar numa comissão.
Tenha decoro, Sr. Deputado.

Aplausos do PCP e protestos do PSD, do CDS e do PPM batendo alguns deputados com as mãos nas bancadas.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Quero dizer à Sr.ª Deputada Zita Seabra que, o seu mal, a sua fúria, porque eu não me deixo comover por uma fúria tão repentina, não vale a pena. Não vale a pena zangar-se porque eu já passei por muitas situações iguais.
Eu quero, apenas dizer-lhe, o seguinte: é que, exactamente, por se, fazer aqui trabalho, sério, eu de vez em quando faço interrupções para ver se certos deputados desta Assembleia, nomeadamente da bancada da Sr.ª Deputada Zita Seabra, tomam consciência de que de facto se devia fazer trabalho a sério e não vir para aqui com brincadeiras de «tribunais estudantis», que nós não sabemos, o que são.

Aplausos do PSD, do CDS e, do PPM.

.. A brincadeira não foi minha. Quando se está a trabalhar a sério, quando e está a discutir, o 12.º ano de escolaridade, que é uma coisa extremamente séria e que foi criada talvez com demasiada rapidez e com muitos inconvenientes - aliás como tem sido sempre feito, pois, também a fusão ,dos cursos técnicos foi feita com imensa rapidez, também a criação do 7.º, 8.º e 9.º anos, de escolaridade obrigatória foi feita com excessiva rapidez-, não venham para aqui com brincadeiras de «tribunais estudantis» e outras coisas semelhantes. Isso é que é brincar e fazer, perder tempo. Não é isso que é trabalhar a sério, Sr.ª Deputada.

Aplausos, do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: -Tem a palavra a Sr.ª Deputada Helena Cidade Moura para uma declaração de voto.

A Sr.ª Helena Cidade Moura (MDP/CDE): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Um ano inteiro de trabalho nesta Assembleia, um ano de estudo, de visitas, de reuniões, tudo acaba de ser inutilizado pela ratificação dada por esta Assembleia ao Decreto-Lei n.º 240/80, que desde 19 de Julho cria o 12.º ano de escolaridade.
Diz uma aluna ao último número de O Jornal: «o 12.º ano não me deu nada de novo em termos de conhecimentos apenas serviu para me frustrar e fazer com que eu sinta, hoje, mais do que nunca, que não há qualquer perspectiva de futuro para os jovens da minha idade».
Ela poderia ter dito isto ao tribunal juvenil! o qual julgou, e muito bem, o 12.º ano Já que são eles as grandes vítimas, é a eles que o País tem de tomar a sua responsabilidade.

Vozes do PCP: - Muito bem!