O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

3958 I SÉRIE - NÚMERO 94

grandes objectivos nacionais, onde, em nome de uma pseudoliberdade e de um falso progresso, se cometeram as maiores arbitrariedades e injustiças, quando não foram cometidos autênticos crimes contra os próprios interesses e legítimos direitos de Portugal.
Se é certo que os anteriores governos da AD em muitos sectores iniciaram uma política de mudança; se é igualmente certo que em outros sectores essa política de mudança não foi iniciada, em virtude do espartilho constitucional imposto ao governo e a esta Assembleia pelo que resta do MFA, e se é certo que este governo, em muitos sectores, se propõe continuar a obra já iniciada, a verdade é que através das palavras proferidas pelo Sr. Primeiro-Ministro não podemos deixar de considerar que este novo Governo da AD representa, inequivocamente, um salto qualitativo positivo, quer em termos políticos, quer em termos programáticos, em relação ao anterior executivo.
De facto, há longos anos que o PPM se tem batido pela definição e concretização das prioridades agora enunciadas.
Há longos anos que o PPM afirma que, é necessário e possível aumentar significativamente a produção agrícola através do aproveitamento racional dos nossos recursos naturais e que este sector deve ser prioritário, em termos de desenvolvimento, com a inevitável redução das importações e das próprias injustiças sociais.
No que respeita à agricultura, convém lembrar que o PPM não se eximiu no passado a tecer críticas públicas aos próprios governos da AD, sempre que entendeu ser necessário, e hoje podemos, de facto, encarar a actividade governativa neste sector com outro optimismo e novas perspectivas.
Há longos anos que nos batemos por uma política de regionalização integrada, assente no ordenamento do território, única forma de passarmos das palavras e boas intenções aos actos e criar um verdadeiro poder local e regional.
Há longos anos que o PPM afirma que as expor: tacões deviam ser uma prioridade, devendo-se desenvolver, preferencialmente, aquelas que assentem em matérias-primas nacionais.
De facto, só a Aliança Democrática tem o direito de falar nestas prioridades. As oposições, quando estiveram no governo, convém não esquecer, pouco mais fizeram do que investir os recursos financeiros (que não possuíamos) em projectos obsoletos e que apenas representavam, a curto prazo, o agravamento das importações, através de uma proposta de exportações miraculosas a médio e a longo prazo.
Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Deputados: Mais do que palavras, importa governar bem. O povo português não perdoaria à AD se o não o fizesse e até talvez começasse por descrer da própria democracia.
A, nossa confiança neste executivo, mais do que uma simples solidariedade política, representa um inequívoco empenhamento do PPM no apoio, não a mais um governo, mas, finalmente, ao governo da Aliança Democrática.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Portugal da Silveira. " ''

O Sr Portugal da Silveira (PPM): - Em primeiro lugar, queria fazer uma muito breve referência ao discurso do Sr. Primeiro-Ministro. O PPM, que já reuniu e analisou o discurso, considera-o verdadeiramente notável na sua clareza.

Risos do PCP.

Talvez se riam por não estarem habituados a ouvir discursos deste nível.

Risos do PS e do PCP.

Pela nossa parte, achamos que ele é, de facto, notável pela sua clareza, linearidade e até pela forma, o que é muito raro. Por isso, felicitamos o Sr. Primeiro-Ministro. Em todo o caso, este discurso já mereceu aqui algumas referências. Uma delas -e eu tenho pena de não estar aqui o Sr. Deputado da UDP - chocou-me francamente, e não. me parece que seja este o local apropriado para se falar nos termos em que se falou. Designar um membro do Governo como figura sinistra e seráfica parece-me verdadeiramente despropositado. Eu, por mim, nunca o faria, fosse a quem fosse.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador:- Mas o Sr. Deputado lá saberá também por que é o que se referiu a um outro ministro como o real ministro de Estado. Tal vez, o Sr. Deputado se esqueça de que no tempo em que estava em Moçambique era conhecido por «mata-pretos» e talvez tenha querido transformar-se no continente em «mata-brancos»! .

Uma voz do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Já nesse tempo a real figura do Sr. Ministro de Estado era aquilo a que hoje se chama um antifascista de sempre.

Vozes do PPM, do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Mas também nem tudo foi assim tão mau. Não quero deixar de fazer uma referência ao Sr Deputado César de Oliveira, que teve graça, de facto -e é bom que também aqui haja graça, ao referir os anteriores governos da AD como período de, aquecimento. Mas não posso deixar, de lhe dizer que não teve tanta graça como teve depois o Sr Deputado Vilhena de Carvalho, ao vir ainda falar aqui na defunta FRS, também já conhecida como a frustração republicana e socialista.

Aplausos do PPM do PSD e do CDS.

Mas ao menos o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho e a sua bancada têm algo de muito positivo) para o que eu chamo, particularmente, a atenção do Governo. Como um dos grandes problemas do nosso país é aumentar as exportações, e isso está no Programa do Governo, podemos talvez utilizar a espantosa capacidade de produção de requerimentos que a ASDI tem revelado. Podemos exportar à vontade, pois apresentaram 1533 requerimentos.