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I SÉRIE - NÚMERO 44

a grande maioria parte só, desligando-se fisicamente dos seus.
Que nefastas consequências acarretará para o futuro a continuada ausência de um responsável membro do lar, deixando quantas vezes os filhos numa idade em que o encaminhamento, um conselho amigo, enfim, a presença real mais se fará sentir? Que dividendos pagará a sociedade por este fadário que se arrasta por tempo de mais e cujo fim se não vislumbra? Não há no Alto Minho e nomeadamente nos concelhos de Monção e Melgaço, uma só família que não tenha vivido ou viva este drama, que o não sinta na sua carne e as chagas do sistema já vão aparecendo na vida real.
Lá fora se luta denodadamente no áspero trabalho em que as horas não contam, os sacrifícios não se medem, os dispêndios são reduzidos a um mínimo para tudo se amealhar e enviar para a terra, na esperança de um futuro melhor para os seus e para o País.
Só nos concelhos de Monção e Melgaço, com uma população de cerca de 40 mil habitantes, há em depósitos a prazo, ao que consta, para cima de 5 milhões de contos, verba proveniente na quase totalidade da emigração.
E o que se faz a tanto dinheiro que pensavam eles e assim o desejam, seriam utilizados em investimentos produtivos que perspectivassem para os seus filhos, na sua Pátria, um futuro que não fosse tão negro como o seu? Na sua própria terra, muito pouco, pois os atractivos ao investimento não são tentadores.
A agricultura local, ocupação única da grande maioria que fica, praticada num minifúndio muitas vezes sem racional aproveitamento e por métodos obsoletos, não é estruturada com os conhecimentos técnicos que alguém com mais saber, lhes poderia levar. As estruturas convenientes no sentido do eficaz aproveitamento das áreas de rega, não estão estudadas e materializadas.
A industrialização apesar dos esforços feitos pelas autarquias locais, não se vêem. O turismo, que se poderia transformar em potencial factor de criação de riqueza e de postos de trabalho, não têm significado expressivo. E isto apesar de pela fronteira de Valença entrarem anualmente cerca de 5 milhões de pessoas, encaminhadas para outras paragens.
Para esta situação muito contribui o péssimo estado em que se encontra a única via que liga Monção e Melgaço a Valença.
É fundamentalmente sobre este último ponto que pretendo lançar um alerta ao Governo.
Um dos factores vitais do desenvolvimento de uma região, vector do progresso e fundamental ou consecução de perspectivas futuras é um acesso capaz que rasgue horizontes e responda às actuais exigências de um tráfego cada vez mais intenso.
Monção e Melgaço, dois concelhos raianos encravados no extremo norte, estão praticamente isolados do resto do País. Há muitos anos que as autoridades locais lutam com persistência pela resolução deste grave problema, muitas vezes prometida mas continuamente adiada. E as populações vêem com amargura sentida o esquecimento a que têm sido votadas pelos órgãos centrais responsáveis.
Começou o governo da AD por criar algumas esperanças, mandando executar os estudos convenientes e respectivos projectos necessários para a rectificação do troço que liga Valença a Monção, que cremos já concluídos. Temem, no entanto, as pessoas e os órgãos autárquicos locais que esse estudo vá repousar serenamente para mais uma prateleira, à espera que o bolor dos tempos o faça esquecer por alguns anos.
É que infelizmente aqueles que ocupam o seu tempo, sem horas contadas no árduo trabalho diário, se prendem ao torrão que dá o pão, para eles amargo, mas que outros comodamente devoram, são sistematicamente esquecidos: porque estão longe.
Ainda há uma réstea de esperança mas essa, se defraudada, ditará necessariamente frustrações cujas consequências o próximo futuro não deixará de evidenciar.

É imperioso que o Governo avance rapidamente com o lançamento da estrada Valença - Monção e mande executar urgentemente os convenientes estudos, para o troço Monção - S.Gregório, fronteira com a Espanha no concelho de Melgaço.
Este apelo já feito por outras vias e em muitas ocasiões, sem efeitos visíveis aqui fica na convicção sincera de que vai ser escutado.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: É preciso desfazer a ideia de que a poupança conseguida pelo esforço de alguns é esbanjada pelos despendiosos gastos com outros. É imperioso distribuir de forma igualitária os bens públicos, penetrando no interior deste País e criar às comunidades locais condições de vida que lhes torne apetecível a fixação na sua terra.
Para muitos o interior só serve para nascer e morrer. Cedo se abandona à procura de nova vida noutras paragens mais bafejadas pela sorte e pelas preocupações dos governantes e só se regressa já cansado e esgotado, no intuito de um sossego final, aguardando serenamente, na recordação saudosa dos primeiros anos de vida, o chamamento final.
Sabemos perfeitamente do empenho, deste Governo nesta missão transcendente e temos a noção da grandiosidade da tarefa para compreendermos que é preciso tempo. No entanto, esta via de acesso vital para Monção e Melgaço, já aguardou tempo de mais. Por isso as populações confiam que agora venha a tornar-se efectiva realidade a sua estrada, abrindo-lhes novos e promissores horizontes.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Valdemar Alves.

O Sr. Valdemar Alves (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Há alguns meses atrás, numa intervenção que fiz nesta Assembleia, tive oportunidade de chamar a atenção do Governo para alguns dos mais graves problemas que afectam um dos mais prósperos e evoluídos concelhos do País - o concelho de Águeda.
Prometi, também, nessa minha intervenção que, logo que possível, traria a esta Assembleia mais alguns problemas carecidos de solução urgente. E embora as soluções pedidas para os casos então focados não se vislumbrem, com muita mágoa o digo, não vou desistir de clamar por elas.
Assim, vou hoje chamar a atenção desta Câmara e do Governo para a necessidade de resolver rapidamente