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30 DE JANEBRO DE 1982 1769

mais algumas situações que afligem o concelho de Águeda.
O primeiro que focarei, de longe o mais grave, não só para as populações do concelho, mas para todos quantos têm que percorrera Estrada Nacional n.º 1, Porto - Lisboa, são as pontes sobre os rios Marnel e Vouga. De facto, estas pontes, principalmente a do Vouga, não podem continuar no estado actual. A sua estreiteza é tal que não permite o cruzamento de dois camiões e só com muita dificuldade cabem simultaneamente um carro pesado e um ligeiro.
Assim, as filas de carros de um e de outro lado da ponte são frequentes e atingem, por vezes, quilómetros, acarretando pesadas perdas de tempo e combustível, além de esgotar a paciência ao mais pacato dos cidadãos. E como não existe qualquer tipo de sinalização ou policiamento que regule alternativamente o trânsito, a fila de cada um dos lados tem de esperar longo tempo até que a do outro se esgote.
Acontece, por vezes, que algum automobilista mais incauto ou imprevidente, desesperado de tanto esperar, tente percorrer a ponte, que, ainda por cima, faz uma curva ao meio, e daí resultem graves acidentes com os consequentes e elevados prejuízos materiais e a irreparável perda de inúmeras vidas humanas.
Basta passar por lá e ver o estado calamitoso em que permanentemente se encontram as guardas metálicas da ponte, sempre partidas, com enormes rombos tapados, por vezes, com arames e tábuas ou paus velhos, para fazer uma ideia triste do que ali se passa.
Os passeios para os peões são estreitíssimos e, por isso, perigosos para quem tem necessidade de a atravessar, pois corre o risco de ou ser apanhado pelos veículos ou precipitar-se no rio por um dos enormes buracos da sua vedação.
Se acrescentarmos a tudo isto que os acessos, de qualquer dos lados se faz por curvas apertadíssimas e em descida, teremos completado o trágico quadro da famigerada ponte sobre o rio Vouga.
A situação do Marnel, poucos metros antes no sentido sul - norte, não sendo tão grave, de igual modo não satisfaz as exigências do actual movimento e carece de urgente alargamento.
E já que falo em pontes, não poderia deixar passar a oportunidade sem me referir a uma outra de longa e trágica memória. Falo da famigerada Ponte da Rata, na estrada que liga Aveiro a Águeda, na zona de Eirol.
Ao lado de uma velha ponte de pedra que, pela sua insegurança, está fechada ao trânsito, construiu-se uma outra de madeira. Esta, como é compreensível, não satisfaz minimamente as necessidades actuais do trânsito. Por ela não podem passar carros pesados superiores a dez toneladas o que obriga estes a fazer percursos alternativos muito mais longos. Por outro lado, a madeira vai apodrecendo e partindo, carecendo de frequentes reparações. A camada betuminosa sobre as tábuas é de pouca duração, pois com a chuva e o trânsito vai descascando. Daí os veículos rolarem sobre as tábuas tornadas escorregadias pelos rastos de óleo e borracha.
Quem se admira pois, que, em tais circunstâncias os acidentes aí se tornem fáceis e frequentes? Não há muito tempo, no mesmo dia, caíram ao rio dois carros do que resultou a morte de um passageiro e, só por milagre, não morreram os restantes. Nessas alturas, toda a gente fala da necessidade da construção de uma nova ponte. Fazem-se abaixo assinados, ameaça-se cortá-la ao trânsito. Mas depressa e facilmente se esquece a dor alheia. E, pouco, depois, tudo volta ao mesmo.
Para quando uma nova para substituir a velha Ponte da Rata? Para quando o alargamento das pontes do Marnel e de Vouga? Segundo consta existem projectos aprovados. Quando se lançam as obras? Quanto tempo, quantos prejuízos materiais, quantas perdas de vida serão ainda necessárias para pagar as novas pontes?
Outro assunto: desde há muitos anos que a Câmara Municipal tem vindo a fazer diligências junto das autoridades competentes para a criação de um posto da PSP, em Águeda. Têm sido enviados processos completos descriminando a área, populações urbana, operária e estudantil, estatísticas sobre os corpos de delito, acidentes, roubos, proliferação da droga e outros mais elementos. Nada se conseguiu até agora.
É certo que Águeda possui um corpo activo da GNR, instalado num dos melhores quartéis do País, que sempre se tem esforçado, e aqui lhe rendemos a nossa homenagem, por bem cumprir todas as missões que lhe vão sendo cometidas, mesmo aquelas para as quais não estarão vocacionados, como sejam o policiamento urbano, a condução do trânsito, a investigação de crimes, a participação de acidentes, etc.
Mas, necessariamente, estas ocupações, que deveriam ser desempenhadas pela PSP, lhes roubam disponibilidade para se dedicarem às suas missões específicas, nomeadamente o policiamento rural de um concelho que tem dezanove freguesias e é o maior em área do distrito de Aveiro, com cerca de 340 Km2.
Não seria altura de o Governo Central se debruçar sobre este momentoso problema e dar-lhe justa e adequada solução, para a qual, estou certo, a Câmara Municipal não regateará esforços?
Outra necessidade que, há muito tem preocupado as pessoas mais responsáveis de Águeda, entre as quais a Associação Industrial, é a da instalação de mais duas agências bancárias no concelho, uma na vila e outra na populosa freguesia de Fermentelos.
Existem actualmente quatro agências no concelho, três na sede - Caixa Geral de Depósitos, Banco Pinto e Sotto Mayor e Banco Nacional Ultramarino - e uma do Banco Borges & Irmão, em Águeda de Cima. Todavia, estas agências, dado o volume do movimento que as assoberba, têm imensa dificuldade em dar-lhes vasão.
As aglomerações de pessoas em qualquer destas agências é enorme. As demoras são grandes. E, por vezes, os clientes preferem deslocar-se a concelhos vizinhos, nomeadamente Aveiro, para tratar dos seus assuntos bancários a suportar estes incómodos. Urgia que fossem tomadas as necessárias providências neste sentido. De resto, não se impõe só a abertura de mais uma agência bancária na sede do concelho. Igual necessidade se faz sentir na populosa freguesia de Fermentelos. Desde há muito que esta freguesia através dos seus órgãos autárquicos, vem desenvolvendo esforços nesse sentido, sem êxito, infelizmente. Em Lisboa tudo pára! As necessidades, os anseios das populações do resto do País, não contam, não fazem perder o sono aos donos do País que aí vivem.