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I SÉRIE - NÚMERO 51

faz quando cá vem. Ou melhor, talvez, quando cá vem ele venha fiscalizar se tudo está a ser cumprido, porque as ordens são emanadas muito antes, a partir da central americana.

Uma voz do PSD: - Onde é que isso fica?

O Orador: - É isto o que se passa. E o cumprimento das ordens dos americanos está bem claro e explicito no comportamento do governo AD: a cedência da Base dos Açores, a permanência na NATO, o envolvimento na política imperialista e belicista dos americanos.

Vozes do PSD: - 15so é deformação!

O Sr. Presidente:- Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Almeida Santos.

O Sr. Almeida Santos (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Gostaria de protestar contra algumas afirmações do Sr. Deputado Mário Tomé. Há-de ele estranhar tal protesto em relação às suas afirmações e não às do Sr. Deputado Herberto Goulart. É simples: é que o Sr. Deputado Herberto Goulart foi coerente com as suas posições tradicionais nesta Câmara: são posições de apoio, mais ou menos indefectível às teses da União Soviética e a coerência só merece palmas. Tem direito às suas opiniões; não é Embaixador da União Soviética. Portanto, não haveria razão nenhuma para um protesto, apesar de, naturalmente, eu estar em desacordo com a sua intervenção.

Já o mesmo não acontece em relação ao Sr. Deputado Mário Tomé, porque se serviu de um anúncio de solidariedade com o meu camarada Mário Soares, a respeito de uma ofensa à sua honra, para depois lhe dar uma tareia. Ora bem, há momentos para tudo: momentos para a tareia e momentos para a solidariedade. Não se devem é misturar as duas coisas.

Risos do PSD.

O Sr. Deputado Mário Tomé tem o direito a ter as suas opiniões sobre as opiniões do meu camarada Mário Soares, tal como ele tem direito a ter opinião sobre as suas próprias opiniões. É normal numa democracia; ninguém vai preso por isso, nem ninguém é internado por isso.
O que eu queria dizer ao Sr. Deputado Mário Tomé era apenas isto: é que se hoje está aqui a falar como está, com a liberdade com que o faz, a atacar o meu camarada Mário Soares, se o deve a alguém individualmente, é a ele.

Aplausos do PSD, do PS, do CDS, do PPM, da ASDI e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Para contraprotestar, tem a palavra o Sr. Deputado Mário Tomé.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quero dizer muito claramente que a posição da UDP não foi de apoio ao Dr. Mário Soares. A posição da UDP aqui, quando votar o voto do Partido Socialista, é contra a ingerência da União Soviética. Que não se confunda uma coisa com a outra!

E no seguimento das palavras que disse, achei por bem clarificar de que forma está a ser utilizada essa ingerência, e as palavras que a provocaram como, em nosso entender, um acto que limita e dificulta a luta dos trabalhadores portugueses, pela qual a UDP aqui se encontra neste Parlamento.
Quanto a agradecer a liberdade de que disponho, também não é ao Dr. Mário Soares que o devo fazer, mas somente a essa luta dos trabalhadores portugueses que a UDP apoia com todas as suas forças.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, há 3 inscrições para o debate, mais a do Sr. Deputado Veiga de Oliveira e, como são 18 horas menos 10 minutos proponho que façamos o nosso intervalo.

Pausa.

O Sr. Presidente: - Como parece haver discordância dos Srs. Deputados, vamos continuar os nossos trabalhos.
Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Veiga de Oliveira.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Diário da Assembleia da República vai registando com uma certa mudez a linguagem desbragada que um Sr. Deputado desta Assembleia tem por costume utilizar. Refiro-me concretamente ao Sr. Deputado Sousa Tavares. Naturalmente que com pena de todos, suponho eu, isso se verifica.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, desculpe-me que o interrompa, mas o Sr. Deputado Sousa Tavares fez um protesto que, por sua vez, foi objecto de contraprotesto. Agora o Sr. Deputado pretende protestar contra o protesto. Convenhamos que é uma figura um pouco bizarra.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Sr. Presidente, eu explicitei claramente ...

O Sr. Presidente: - Mas não disse a quem se referia, Sr. Deputado, e eu admiti que fosse em relação a outra intervenção qualquer.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Estou a referir-me, Sr. Presidente, à intervenção do Sr. Deputado Sousa Tavares feita nesta Câmara. Eu ainda aguardei que o Sr. Deputado Sousa Tavares pedisse a palavra para se justificar, mas o que é facto é que ele o não fez. Assim o meu protesto tem todo o cabimento.
Aliás Sr. Presidente, depois dos atropelos regimentais que o Sr. Presidente consentiu, não vai certamente agora impedir o meu protesto que é amplamente justificado.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, não desejo que se entre numa cascata de atropelos.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Já se entrou!

O Sr. Presidente: - E há-de convir que essa questão de protestos em relação a protestos não está nem no Regimento, nem nos nossos hábitos.
Em todo o caso, penso que o que o Sr. Deputado pretende dizer é que o seu partido foi atingido na sua