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4486 I SÉRIE - NÚMERO 109

que trarão as exportações, sabida a fixidez das nossas exportações em relação aos respectivos preços e em relação aos respectivos mercados.
Eu concluiria dizendo que esta desvalorização vem na lógica da política do Governo. É uma desvalorização que, naturalmente, neste momento, seria necessária, mas que vem contra os interesses da economia portuguesa.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para usar do direito de defesa, o Sr. Deputado Portugal da Fonseca.

O Sr. Portugal da Fonseca (PSD): - Sr. Deputado Herberto Goulart, o direito de defesa é apenas uma figura que uso unicamente para lhe responder, simples e rapidamente, a algumas afirmações que fez.
Nenhum governo teve uma situação como esta, disse V. Ex.ª Creio que quer imputar a culpa a este Governo e à sua «incompetência». Ora, discordo totalmente dessa insinuação do Sr. Deputado.
E discordo totalmente porque basta ter o mínimo de conhecimento da estrutura da economia portuguesa, basta ter o mínimo de conhecimentos dos acontecimentos climatéricos e da política monetária internacional nesta crise que estamos a viver a nível mundial, para que o Sr. Deputado, em consciência, reconheça que é muito difícil governar financeira e economicamente este país.
O Sr. Deputado sabe de todas as consequências que a revalorização do dólar e a política monetária dos Estados Unidos da América tiveram em termos de influência na economia portuguesa.

O Sr. Carlos Brito (PCP): - São uns piratas!

O Orador: - O Sr. Deputado sabe perfeitamente de todos os problemas levantados pelas condições climatéricas no ano passado. Sabe perfeitamente que toda a economia mundial se encontra em crise e sabe que a nossa procura externa, dados os produtos que exportamos, é altamente elástica, relativamente ao rendimento disponível no estrangeiro. O Sr. Deputado sabe perfeitamente tudo isto.
Quando V. Ex.ª afirma que nenhum governo teve condições internas como esta, pois di-lo com verdade. No entanto, não é por falta de competência, Sr. Deputado.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Isso vê-se!

O Orador: - O Governo tem competência para gerir este país e está a demonstrá-lo: quando faz o apelo ao congelamento de preços para que não haja especulação; quando denuncia a subfacturação e a sobrefacturação e quando toma medidas para que isto, efectivamente, não se prolongue no tempo.
Isto é competência. Isto é verdade e é, também, querer gerir este país de maneira a que o sacrifício seja o mínimo para o povo português.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM. Protestos do PCP e da UDP.

O Sr. César de Oliveira (UEDS): - Ah, leão!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Herberto Goulart.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE): - Sr. Presidente, quero só registar que o Sr. Deputado veio repetir, mais uma vez, a afirmação de que a culpa da situação é da seca.
De facto, é uma grande «seca» termos de suportar estes governos da AD, já há quase 3 anos.

Aplausos do MDP/CDE, do PCP, da UEDS e da UDP.

O Sr. Deputado, vice-presidente, ao que julgo, do maior grupo parlamentar da AD e, portanto, do grupo que dá, teoricamente, o maior suporte ao Governo, veio reconhecer que a situação económica é muito difícil e veio quase dizer que este Governo tem muitas dificuldades em ultrapassar a gravidade da situação em que se encontra colocado ao fim, repito, de 3 anos de governação.
Ò Sr. Deputado, penso que, de facto, a atitude coerente do seu grupo parlamentar perante uma posição destas era reconhecer que este Governo, para além de outros aspectos, é também incapaz de gerir a gravidade da situação económica e que a única coisa correcta e .positiva para os portugueses que teria a fazer era assumir-se nas suas responsabilidades e, portanto, demitir-se.

Vozes do MDP/CDE e do PCP: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para formular um protesto, o Sr. Deputado Silva Marques.

O Sr. Silva Marques (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Por muito que a oposição o pretenda, evidentemente que não aceitaremos discutir só o que a oposição quer e quando a oposição quer.
Hão-de demonstrar-nos que é ilegítimo discutir problemas internacionais, quando a oposição, ela própria, hoje reconhece o carácter internacional das ligações de qualquer país e da economia.
Por isso, por que é que devemos apenas discutir as questões nacionais? Não teria sentido e, por outro lado, a oposição também não o faz quando lhe convém.
Isto para demonstrar a incoerência da oposição quando assume esta atitude, dentro não apenas de uma incoerência intelectual, mas julgo que também de um oportunismo político, se me permitem a expressão.

A Sr.ª Alda Nogueira (PCP): - Olha quem fala!

O Orador: - No entanto, de qualquer modo, não faremos aquilo que a oposição quer. Discutiremos as questões que são pertinentes discutir. Se discutirmos a economia ou até a política nacional, é lógico e legítimo que discutamos e façamos relações comparativas com o que se passa nos outros países.
É assim, também, relativamente a cada grupo parlamentar ou até mesmo a cada deputado. Não vamos discutir só aquilo que as pessoas estão, aqui e agora, a dizer ou a fazer, porque seria absurdo e seria negar a própria globalidade não só da personalidade humana, mas também da personalidade política de cada um de nós, de cada um dos nossos grupos parlamentares e de cada um dos nossos partidos.
Por isso, esteja a oposição descansada que não discutiremos apenas aquilo que a oposição quer, mas discutiremos as questões pertinentes, com rigor e com verdade, dentro da sua globalidade.