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25 DE JUNHO DE 1983 281

cabo as alterações estruturais e tomar as medidas que se impõem para resolver a grave crise que aqui foi reflectida durante o debate. E assim preparar o País
para os caminhos de modernização que nos levam a enfrentar o futuro com mais esperança e confiança.
E por todos reconhecido que alterações profundas, medidas de longo alcance e fôlego não podem ser tomadas por um poder político precário e de previsível curta duração.
O interesse nacional impunha, por isso, que fossem criadas as condições, as melhores possíveis, para a constituição de um Governo de legislatura que corporizasse as aspirações da maioria da população portuguesa.
Acresce que a proximidade das posições ideológicas e das soluções propostas pelos partidos da maioria, a proximidade de um modo reformista como são encarados pelos partidos da coligação os grandes problemas da sociedade portuguesa dão possibilidade de uma actuação decidida e determinante. Os partidos caracterizam-se pelo seu programa e ideologia, pelo tipo de militantes e simpatizantes e também pela sua prática política. Numa coligação terão que seguir um programa que será o maior múltiplo comum das suas Risos do PS.
posições próprias, e portanto, enquanto no Governo, continuarão a fazer a pedagogia do seu ideário.
Quanto mais próximo forem os partidos mais o programa de Governo se aproxima de cada um deles e desse modo menores serão as dificuldades de se identificarem totalmente com esse programa do Governo.
Era portanto a solução governamental que se exigia. Solução que cria um consenso para ultrapassar uma crise reconhecida. Basta para tanto que haja vontade e determinação e essas existem como aqui foi demonstrado.

Aplausos do PSD e do PS.

Podem assim transpor-se as soluções políticas precárias, as crises cíclicas, a instabilidade permanente que desenvolve os apetites daqueles que esperariam
alimentasse nos destroços da democracia pluralista.
Que é, apesar das suas imperfeições, o melhor sistema concebido pelos homens para governar os povos.

Aplausos do PSD, do PS e da ASDI.

E é porventura o reconhecimento das condições intrínsecas de estabilidade da solução governativa que foi laboriosamente negociada e tem condições
de sucesso, mau grado os difíceis tempos que temos de ultrapassar- que explica comportamentos políticos de alguns que a ela não aderiram.
Para o Partido Comunista é posto em causa o seu objectivo, muitas vezes proclamado, de um Governo da chamada maioria de esquerda. A sua expectativa de
ser um partido de poder é agora mais distante, mas a responsabilidade disso recai sobre o próprio Partido Comunista e é fruto da sua ortodoxia exarcebada - dele e das forças sociais que lhe são afectas,
a CGTP/IN - e do seu modo vanguardista hoje já ultrapassado por muitos partidos comunistas da europa ocidental.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Existe uma enorme diferença de filosofia, de atitudes e de comportamentos entre o Partido Comunista e os Partidos Socialista, Social-Democrata e Centro Democrático Social, que pode ser subvalorizada.

Por vezes pergunto-me, e gostaria de ter uma resposta clara, qual será o pensamento e a análise do PCP sobre a posição de Staline durante a conferência de Potsdam:

Todo o governo livremente eleito seria anti-soviético. E, isso nós não podemos permiti-lo.

Aplausos do PSD, do PS e da ASDI.

Razões diversas levam o CDS a levantar o espantalho da chamada «mexicanização> do regime. É o próprio dirigente do CDS que afirma quê -, uma coligação de sociais-democratas com os socialistas pode ser muito duradoira, que a ideia dessa coligação pode ser estabilizadora sendo difícil de construir uma alternativa com 60 % dos deputados, o que naturalmente não constitui uma perspectiva risonha para o CDS.
Estas condições de estabilidade são também o receio de outros que esperando explorar e maximizar as dificuldades do País e dos partidos se iam aprontando para criar novos partidos, outras soluções, diferentes projectos. Estes que não hesitam em manipular os vírus do descontentamento entretêm-se com uma engenharia de genética política sem terem de todo a consciência que poderiam criar novas estirpes, que seriam incapazes de controlar mas que inevitavelmente iriam manchar e ulcerar o corpo social. Gerando politiomas.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Embora importantes, não foram em nosso entender, essas as razões e a essência da coligação PSD/PS e da participação nela dos sociais-democratas.
Residiram no conhecimento e na análise concreta do que é necessário fazer e na necessidade de construir um espaço de estabilidade no consenso e apoio social.
E a perspectiva de ultrapassar a crise económica, social e de identidade, de introduzir mudanças e reformas estruturais de modernização num âmbito reformista, de justiça social, de eliminação de discriminações pessoais ou regionais, de progresso em liberdade, fraternidade e profundo respeito pela dignidade do homem, na sua cultura, sensibilidade e anseios.
É essa a perspectiva que se encontra no Programa de Governo, o qual vem na sequência lógica e natural do acordo político celebrado entre os dois partidos da coligação.
Programa que contém no fundamental as propostas que o PSD apresentou ao eleitorado nas últimas eleições, e que contém aquilo que, da nossa parte, julgamos que carece, neste momento, de ser concretizado e realizado.
A recuperação económica, o desenvolvimento dos sectores produtivos, o apoio à iniciativa privada, o aproveitamento das criatividades de todos os cida