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356 I SÉRIE - NÚMERO 11

O Sr. António Vitorino (UEDS):- Sr. Presidente, desejava pedir um esclarecimento e prestar uma homenagem.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Começando pela homenagem, p Sr. Deputado Narana Coissoró conseguiu hoje garantir um lugar no Guiness Book, como autor da intervenção mais delirante e humorística que se poderia ter feito sobre um caso tão sério e tão grave como é o da ANOP.
O Sr. Deputado Narana Coissoró, naquele afã de descobrir, que o caracteriza, conseguiu descobrir que o PS e o Governo vieram hoje aqui dar o aval ao processo de constituição da Notícias de Portugal, o aval à política do Dr. José Alfaia, aval esse que o CDS nunca concedeu à Notícias de Portugal e nunca concedeu à política do Dr. José Alfaia. Ê original, é curioso, é contraditório, se não fosse inverídico!
É que a intervenção do Sr. Deputado Narana Coissoró é, apenas e tão-só, a prova cabal e acabada que aquele velho ditado da sabedoria popular portuguesa, tem plena razão: zangam-se as comadres e sabem-se as verdades!
Na realidade, Sr. Deputado, não foi o abandono do hemiciclo de São Bento, por parte da UEDS e dos então partidos da oposição, que impediu a clarificação - naquele momento e naquela altura - do caso ANOP. O que impediu, de facto, a clarificação do caso ANOP foi a impossibilidade de o Secretário de Estado Alfaia dar aqui os esclarecimentos que a Câmara exigiu e foi, sobretudo, Sr. Deputado, o silêncio a que se remeteram as bancadas da então maioria, nomeadamente o silêncio e a ausência de presença na Sala da sua própria bancada, do partido que V. Ex.ª aqui representa. Isso, sim, é que impediu o esclarecimento cabal da situação. E, de facto, Sr. Deputado Narana Coissoró, só por pura hipocrisia, peide vir aqui o CDS dizer que, quanto à questão ANOP, no fundo, sempre esteve em desacordo com o processo preparado pelos governos AD.
O CDS, pela sua voz, o que veio aqui provar foi que quis vestir a pele de cordeiro quando, se na altura não foi lobo, pelo menos, Sr. Deputado, foi loba, que, como sabe, é a mulher do lobo!

Aplausos da UEDS, do PS e da ASDI.

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - O Sr. Deputado afirmou, a certa altura, que da intervenção do Sr. Ministro de Estado se concluiria que a ANOP se iria manter. E acrescentou: ainda bem!
Será abuso, da minha parte, concluir que,, quando o Governo -que a sua bancada e o Sr. Deputado apoiavam - pretendeu extinguir a ANOP, o Sr. Deputado terá dito ainda mal? E se não é abuso concluí-lo, será indiscrição demasiada da minha parte perguntar-lhe por que é que - se, efectivamente, para si e para a sua bancada era ainda mal- a sua bancada e o Sr. Deputado se mantiveram perfeitamente silenciosos?

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Condesso, para protestar.

O Sr. Fernando Condesso (PSD):- Sr. Deputado, sinto-me lisonjeado pelas referências que me fez, mas, de qualquer maneira, gostaria de dizer que não compreendo onde está a originalidade. Não pretendi ter qualquer originalidade naquilo que afirmei, no que diz respeito à questão de fundo sobre esta matéria. O que pretendi dizer - quando me referi ao passado, e não sei se o Sr. Deputado compreendeu- foi que não aceitávamos o ataque à solução anteriormente querida, independentemente da bondade ou não dela, dizendo expressamente que era uma opção possível, em face das dificuldades económico-financeiras anteriores, embora inviabilizada - naquilo e na medida em que era querida- pelo veto presidencial, que não a permitiu concretizar concludentemente. Apenas isto! Não pusemos em causa o passado. No fundo, o que referimos é que pretendíamos a solução da questão para o futuro.
Acho deselegante as referências que o Sr. Deputado fez à inserção do meu partido, à actuação do meu partido, de certo modo, na AD. Ela sempre se pautou, na medida em que nela participávamos, pela assunção de responsabilidades. E acho deselegante que fizesse referência a diferentes opiniões que dentro do meu partido existem, ou têm existido, e que naturalmente continuarão a manifestar-se. A diferença de opiniões, mesmo conhecida publicamente, é apanágio dos partidos democráticos. Vemo-nos às vezes atacados pelo PCP em relação a posições verificadas numa anterior coligação; pelos vistos agora o antigo parceiro de coligação também quer julgar o passado e falar, em relação a ele, no nome do PSD. Mas o que nós estamos é preocupados com o futuro, Sr. Deputado, apesar de não nos envergonharmos do passado. De maneira nenhuma ...

O Sr. João Amaral (PCP): -Se pudessem esquecer o passado! ...

O Orador: - ..., e isso até, desde logo, porque não deixamos de registar que V. Ex.ª quer buscar problemas para o partido, falando em divisões - quando há, ao fim e ao cabo, diferentes opiniões. Apesar de tudo isso, o povo português sabe compreender o que são partidos democráticos; a partir de tudo isso, o povo português sabe compreender aquilo que é a nossa vontade, de construir e fazer bem, qualquer que seja a solução- embora nem sempre, provavelmente, fazendo da melhor maneira - e por isso mesmo nós. Sr. Deputado, crescemos enquanto o CDS desceu.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra, para um protesto, o Sr. Deputado Correia de Jesus.

O Sr. Correia de Jesus (PSD): - O Sr. Deputado Narana Coissoró fez afirmações, que consideramos graves, contra os Governos Regionais da Madeira e dos Açores e, em especial, contra o Governo Regional da Madeira.
Parece-me esta sua intervenção uma tentativa de transferir para o hemiciclo da Assembleia da Repú-