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4 DE JANEIRO DE 1985 1296

É, portanto, em relação a este aspecto que gostava de chamar a atenção da Câmara, porque talvez seja tempo ainda - apesar de todos os anos morrerem vários dos que por lá passaram - de prestar homenagem e a devida justiça àqueles que mais se sacrificaram pela luta antifascista.

Aplausos do PS, do MDP/CDE e da UEDS.

O Sr. Presidente: - Segue-se no uso da palavra o Sr. Deputado José Vitorino.

O Sr. José Vitorino (PSD): - Sr. Presidente, se V. Ex.ª me permite e sem pretender insinuar que a Mesa estava distraída, queria apenas dizer que o Sr. Deputado Hasse Ferreira estava inscrito primeiro do que eu.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Muito Bem!

O Sr. Presidente: - Muito obrigado, Sr. Deputado.
Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Hasse Ferreira.

O Sr. Hasse Ferreira (UEDS): - Antes de mais, queria agradecer a amabilidade, aliás habitual, do Sr. Deputado José Vitorino.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Conheci e trabalhei com o jornalista Manuel Alpedrinha na área da comunicação social, ele como jornalista que sempre foi e eu no sector da gestão.
Manuel Alpedrinha era um antifascista de longa data, como já aqui foi referido, um profissional competente e dedicado e era um homem que, apesar do que passou e embora já ultrapassada a idade normal da reforma, continuava a trabalhar depois dos 70 anos, não só cumprindo os horários como tendo uma qualidade não muito vulgar em Portugal de os ultrapassar, dedicando-se efectivamente ao trabalho no órgão de comunicação social onde era redactor.
Tinha um sentido de rigor, um sentido do serviço, uma pontualidade, uma dedicação e, porque não dizê-lo, um sentido do diálogo com as pessoas de outras correntes políticas que é importante referir aqui hoje, testemunhando-o e fazendo com que isso fique registado.
Manuel Alpedrinha, a quem me ligavam laços de amizade originados na estima mútua e no trabalho comum, é um homem merecedor da nossa admiração. Ele manteve até ao fim a sua lucidez - e ainda há bem pouco tempo esteve presente em várias cerimónias públicas - a par com as suas qualidades de carácter, de trabalho e de espírito de diálogo.
Penso, pois, que é de elementar justiça - associando-me também às considerações aqui feitas pelo Sr. Deputado Edmundo Pedro - que a Assembleia da República aprove este voto que está aqui proposto, o qual, aliás, está também subscrito pelo líder da nossa bancada.
Associamo-nos também ao voto de pesar pelo falecimento do jornalista Paiva e Silva, ceifado por um estúpido acidente praticamente ainda na sua juventude e que tantas vezes exerceu o seu labor em contacto connosco aqui na Assembleia e fora dela.

O Sr. Presidente: - Segue-se no uso da palavra, e igualmente para uma intervenção, o Sr. Deputado José Vitorino.

O Sr. José Vitorino (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Naturalmente que a morte de qualquer cidadão é sempre de lamentar, pois constitui uma perda para o País. A verdade, porém, é que a morte dos jornalistas, qualquer que eles sejam e independentemente das suas simpatias ideológicas, exactamente porque eles têm um papel essencial na formação e informação da opinião pública e particularmente em regime democrático - porque um jornalista só se consegue assumir em democracia, pois fora dela não é um homem inteiro, limitando-se a fazer aquilo que lhe deixam fazer - é sempre de lamentar com particular sentir.
Os dois nomes que estão aqui assinalados nos votos de pesar que são propostos e que também subscrevemos, são os dos jornalistas Manuel Alpedrinha - a quem já foi feita aqui a invocação e de quem todos nós, os mais novos, já ouvimos falar pela sua luta antifascista - e Paiva e Silva, um jovem, como aqui já foi dito, mas um jovem com profundo talento, um homem intrinsecamente bom, intrinsecamente ingénuo e, por isso mesmo, ainda melhor.
Quer um, quer outro, são indiscutivelmente duas perdas grandes: um, no fim da sua vida normal em termos de idade e talvez em termos de carreira jornalística mas que ainda tinha muito para dar; outro, no principio da sua vida profissional e que muito e muito teria para dar também.
Por isto mesmo, o PSD associa-se aqui, com dor e pesar, ao lamento por estas duas mortes que, talvez por terem surgido num momento em que nos sentimos particularmente próximos da família e das pessoas a quem queremos bem ou de todos aqueles que são úteis à sociedade, foram mais sentidas por todos nós.
Assim, aqui fica este nosso voto muito sentido de dor e pesar por eles e pelas suas famílias.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Jorge Lemos.

O Sr. Jorge Lemos (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Subscrevemos e vamos votar favoravelmente os votos de pesar relativos à morte de Manuel Alpedrinha e de Paiva e Silva.
Quanto ao jornalista Manuel Alpedrinha, queremos com o nosso voto significar a homenagem ao lutador antifascista, ao jornalista que desde sempre lutou pela liberdade, ao conhecido militante do Partido Comunista Português e ao camarada do partido que nas horas difíceis da ditadura como no Portugal democrático sempre soube honrar os ideais da luta pela liberdade, pela paz e pelo progresso social.
Foi um homem que sempre mereceu o respeito e a admiração dos camaradas de profissão, pelo que com a sua morte a comunicação social em Portugal está mais pobre.
Quanto ao jornalista Paiva e Silva, manifestamos! também o nosso sentido pesar pela sua morte e pela
perda em que ela se traduz, para as bancadas dai comunicação social que acompanham aqui os nossos trabalhos. Paiva e Silva sempre teve um belíssimo relacionamento com todos os deputados de todas as bancadas e, neste momento, também elas ficam mais pobres.
Estendemos este nosso sentido de pesar às respectivas famílias e associamo-nos ao minuto de silêncio com