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2574 I SÉRIE - NÚMERO 65

E a ouvi-lo, Sr. Ministro de Estado, senti-me mais jovem e pensei que V. Ex.ª ia apelar para os cães polícias.

Aplausos do PRD, do PS, do PCP e do MDP/CDE.

Protestos do PSD.

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Tenha vergonha! Até parece que não foi fundador deste partido!

O Orador: - Mas depois, Sr. Ministro de Estado, lembrei-me de que um membro do Governo fez um trocadilho de mau gosto a propósito dos cães polícias e falou dos polícias cães e não quis estabelecer nenhuma confusão.
Sr. Ministro de Estado, quero perguntar-lhe poucas coisas. A primeira, diz respeito ã sua referência aos militares e quero perguntar-lhe, olhos nos olhos, frente a freme, se V. Ex.ª não se sente devedor perante eles da liberdade de que usa, em especial, da liberdade que lhe permitiu subir a essa tribuna e dizer essas coisas. Liberdade que sem eles não teria sido possível.

Aplausos do PRD, do PS, do PCP e do MDP/CDE.

V. Ex.ª nos dirá se até lhes deve a própria liberdade que usou para nos insultar e os insultar.
Depois disse V. Ex.ª que este era o momento de usar ou da palavra ou da razão. Gostaria de lhe perguntar sinceramente: Sr. Ministro de Estado, por que não usou da razão?

Risos do PCP.

Finalmente, o Sr. Ministro de Estado pôs-nos uma questão muito directa e frontal. E nós - cansados andamos todos do tempo em que havia monopólios de patriotismo - pensamos que nenhum de nós é detentor exclusivo, nem do interesse nacional, nem do sentido da Pátria. E é por isso mesmo, Sr. Ministro, que lhe quero dizer - e agora já não é uma pergunta - que, depois de ouvir a sua intervenção, é o sentido da Pátria que nos leva também a votar esta moção de censura.

Aplausos do PRD, do PS, do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para responder, tem a palavra o Sr. Ministro de Estado.

O Sr. Ministro de Estado: - Sr. Deputado Magalhães Mota, tenho saudades, consideração e estima pelos militares do 25 de Abril e do 25 de Novembro. Não tenho nenhuma pelos militares do 11 de Março.

Aplausos do PSD.

Felizmente, a minha razão é diferente da sua. Cada um tem a sua e penso que o Sr. Deputado não quer ter o exclusivo de todas as razões.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Quando falei em Pátria, Sr. Deputado, fazia um apelo a todos - todos - os que se encontram nesta Sala. Lembro-lhe e repito: a todos. Não o fiz só ao meu partido.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Ferraz de Abreu.

O Sr. Ferraz de Abreu (PS): - Sr. Ministro de Estado, vou usar da palavra, não para protestar, mas para agradecer. Quero dirigir os meus agradecimentos ao Sr. Ministro de Estado e, sobretudo, ao Sr. Ministro das Finanças pela melhor contribuição que trouxeram a esta Câmara durante este debate, por melhor se ter iluminado a verdadeira imagem deste governo.

Aplausos do PS, do PRD, do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado João Corregedor da Fonseca.

O Sr. João Corregedor da Fonseca (MDP/CDE): - Sr. Ministro de Estado, V. Ex.ª é a segunda figura do Governo.

Uma voz do PS: - Fraca figura.

O Orador: - Creio, Sr. Ministro, que se esqueceu dessa circunstância. Depois de ouvir o Sr. Primeiro-Ministro tratar de indignos 21 deputados...

Vozes do PSD: - Outra vez?

O Orador: - ... que argumentaram responsavelmente, fazendo perguntas...

O Sr. António Capucho (PSD): - Não é verdade! É sempre a mesma coisa: deturpam tudo!

O Orador. - .... depois de ouvir a intervenção coerente - também, justiça lhe faço - do Sr. Ministro das Finanças esta manhã e de ouvir V. Ex.ª, muita pedagogia e necessária neste país é o comentário que me ocorre.
Realmente, na nossa opinião, a democracia, Sr. Ministro, corria perigo. V. Ex.ª, que ocupa uma das pastas mais importantes e responsáveis em qualquer Governo, assustou-me agora...

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Ainda se assusta?

O Orador: - ... com esta sua intervenção. Em que mãos estava aquela pasta? Ouvimo-lo agora e várias vezes ao longo deste ano e meio, mas, desta vez, Sr. Ministro, V. Ex.ª revelou finalmente o seu fundo democrático.
A postura do Governo tem sido lamentável. O Sr. Ministro não tenta convencer com responsabilidade e serenidade e não contrapõe argumentos aos da oposição. Prefere esta linguagem.
Sr. Ministro, quando julgámos que V. Ex.ª, como segunda figura do Governo, vinha aqui completar o fraquíssimo balanço ontem aqui apresentado pelo Sr. Primeiro-Ministro...

Vozes do PSD: - Não apoiado!

O Orador: - ... que vinha aqui tentar defender o Governo dos aspectos relativos ao seu sector e apresentar as perspectivas futuras para o País, no vosso entender, V. Ex.ª vai buscar um tipo de linguagem altamente ofensiva - e não só ofensiva para os deputados da oposição, mas também contra a própria democracia.