I SÉRIE — NÚMERO 10
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do desemprego, que as políticas do Governo trouxeram para um número nunca visto na nossa democracia, e
é ainda reflexo da ausência de investimento público, que seria capaz de trazer dinamismo à economia.
Por isso, porque é exemplo de muitos maus exemplos das práticas deste Governo, compreendemos as
dificuldades que são instituídas pelo Governo às populações de Beja e do resto do País.
Quero dizer-lhe algo sobre a afirmação que fez na Tribuna relativa à política que deve existir para a
economia, quanto à capacidade de gestão do crédito público e à capacidade que o Estado tem, ou deve ter,
para ajudar a economia, através de uma política pública de crédito.
Sabemos que entre as escolhas deste Governo está a intenção de privatizar a Caixa Geral de Depósitos.
Não seria novidade a demissão do Governo de ter para a Caixa Geral de Depósitos uma política pública capaz
de responder à «seca» de crédito atualmente existente quer para agricultura quer para a economia em largo
senso. Mas o Governo quer ir mais longe: demite-se das suas responsabilidades no banco público e ataca
algo que é fundamental na economia portuguesa, que é a Caixa Geral de Depósitos.
Da nossa parte, não temos palavras para descrever este ataque ignóbil a uma ação fundamental, como é a
do crédito público. Mas gostaria de perceber se acompanha a nossa preocupação sobre a ausência de uma
imposição que existe na política deste Governo no sentido de os milhões que vão para a banca servirem a
economia e a criação de emprego, servirem para fazer crescer aquilo que o Governo só tem sabido minguar,
que é a economia do nosso País.
Aplausos do BE.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Tem a palavra, para responder, o Sr. Deputado João Ramos.
O Sr. João Ramos (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Pedro Filipe Soares, efetivamente — referiu-o
muito bem —, Beja é um distrito particularmente afetado pelas dificuldades e pelas políticas dos últimos
governos nas diferentes matérias que o Sr. Deputado referiu e eu também.
Beja é um exemplo particularmente interessante de como a não execução do investimento público pode
deixar para trás o desenvolvimento de uma série de setores que seriam fundamentais para a nossa economia.
E é também nesse papel que entendemos a importância de Caixa Geral de Depósitos, porque os partidos do
Governo não podem, aqui, passar o tempo a dizer que temos que afetar uma parte do dinheiro ao setor
bancário para financiar a economia e depois, no concreto, esse dinheiro não vá ter à economia,…
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!
O Sr. João Ramos (PCP): — … como é o exemplo de apenas 1% dos 6000 milhões que foram
disponibilizados para a economia.
Por isso, o PCP sempre disse que, numa altura destas, poderia ser importante a nacionalização da banca,
e o dinheiro posto nalguns bancos seria suficiente para que o Estado tivesse o controlo de uma parte
importante desse setor, efetivamente, vocacionando-o não para o negócio mas, sim, para o investimento
público.
É também por essa razão que defendemos políticas alternativas, mas políticas em que o interesse do País
permaneça acima de todos os outros interesses. E aqui — e com isto respondo também a uma última questão
colocada pelo Sr. Deputado Luís Pita Ameixa — o que vemos, quando cruzamos a política alternativa com a
política da União Europeia, é que a política alternativa, que é aquilo defendemos, tem de salvaguardar sempre
os interesses do País acima de tudo. Se as orientações da União Europeia servem para estrangular o País,
para estrangular a nossa economia e para dar uma vida pior aos portugueses, então, temos aqui uma
incompatibilidade, a qual temos de resolver sem abandonar o interesse nacional.
Mas a implementação de políticas alternativas vai depender sempre do verdadeiro detentor do poder em
Portugal, que é o povo português, da vontade do povo português, da capacidade de ele se mobilizar e vir para
a rua exigir essas políticas alternativas.
Não podemos esquecer que, a seguir ao 25 de Abril, quando o povo efetivamente decidiu que tinha um
papel ativo, na exigência e na construção de um País diferente, o posicionamento das bancadas que, hoje,
estão na Assembleia da República era muito diferente. Nessa altura, é verdade que o CDS não votou a favor