I SÉRIE — NÚMERO 94
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que está o seu erro, Sr. Primeiro-Ministro: é que não pode haver uma medida para a economia quando o resto
da estratégia é para dar cabo da economia e para destruir o emprego no nosso país. Esse é o seu erro!
Aplausos do PS.
Depois, o Sr. Primeiro-Ministro disse que está a cumprir, mas há derrapagem orçamental. Quanto a isso, o
senhor não consegue iludir os portugueses. Entre março e abril, há mais 1000 milhões de euros de défice
orçamental. Há uma derrapagem, portanto, não diga que está a cumprir!
Em primeiro lugar, a prova de que há derrapagem é que o senhor teve que pedir mais tempo, ao contrário
do que sempre disse, para que pudéssemos cumprir os objetivos para o défice.
Em segundo lugar, a prova de que há derrapagem e há espiral recessiva é que o senhor, este ano, teve de
vir dizer que, afinal, se enganou e que a contração da nossa economia era o dobro daquela que estava
prevista, e depois, passadas duas semanas, teve de vir dizer que, afinal, não era apenas o dobro, era mais do
que o dobro.
E falemos em dívida. Sabe quanto é que garantiu aos portugueses que seria a dívida pública, no final de
2012? Recordo: 113% do PIB. E sabe como é que terminámos o ano? Com uma dívida superior a 126% do
PIB.
Sr. Primeiro-Ministro, perante os números, neste país, alguém acredita nos argumentos que o senhor
quiser referir nesta Câmara?! Ninguém acredita!
A Sr.ª Elza Pais (PS): — Ninguém!
O Sr. António José Seguro (PS): — O Sr. Primeiro-Ministro disse ainda que nós não queríamos
consolidação fiscal. Está enganado, como sabe.
Se for mais atento em relação às nossas intervenções, desde o início, verificará que sempre defendemos
precisamente aquilo que consta do artigo que o senhor citou: disciplina e rigor orçamental e ênfase no
crescimento económico.
Essa foi sempre a nossa grande diferença, pois o senhor respondeu-me, desde 2011, «primeiro as finanças
e depois a economia», e nós dissemos-lhe: «isso é um que erro, porque, se o senhor não colocar as finanças
ao serviço da economia, não vai ajudar a consolidar as contas públicas e, sobretudo, vai destruir a economia».
Portanto, o senhor está a ter os resultados da sua política.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado António José Seguro, realmente, é
extraordinário como o Sr. Deputado consegue ficar preso ao seu discurso e com isso julgar que faz um debate.
Mas não faz, Sr. Deputado.
A consolidação orçamental está a ser feita.
O Sr. Pedro Jesus Marques (PS): — Não há ninguém que acredite nisso!
O Sr. Primeiro-Ministro: — Em primeiro lugar, em termos estruturais, Portugal reduziu o défice primário
estrutural, nestes dois últimos anos, em cerca de seis pontos percentuais. Seis pontos percentuais!
Em segundo lugar, é provável que — e digo que é provável, porque o ano ainda não acabou —, até ao final
de 2013, esse esforço signifique cerca de sete pontos percentuais.
Se o Sr. Deputado entende, porque dá jeito ao seu discurso, continuar a dizer que há derrapagem
orçamental e que não há consolidação, quando nós, em termos estruturais (quer dizer, se não contarmos
exatamente com os efeitos cíclicos, o que ainda é mais importante em recessão), tivemos uma redução
estrutural de quase sete pontos em três anos, então, peço desculpa, Sr. Deputado, é o seu discurso que
precisa de ser ajustado, não são os números da economia portuguesa.