31 DE OUTUBRO DE 2014
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Protestos do Deputado do PS João Galamba.
Sr. Deputado, isso aconteceu na Irlanda, aconteceu na Grécia e nós, cá, todos os anos, tivemos de alterar
essas medidas. E cada vez que éramos forçados a fazer menos poupança dessas despesas salariais, tivemos
de aumentar os impostos para podermos chegar ao mesmo resultado. Nunca percebi por que é que a
oposição via nisso um processo virtuoso. Mas digo-lhe uma coisa, Sr. Deputado: como afirmei da tribuna, nos
termos do Tribunal Constitucional, a reversão salarial, em Portugal, em 2016, deverá ser total porque, como
sabe, o Tribunal Constitucional não permitiu que a proposta que o Governo anunciou pudesse, em 2016,
prosseguir com mais uma devolução de 20% do corte salarial.
O Sr. José Luís Ferreira (Os Verdes): — Porque era inconstitucional!
O Sr. Primeiro-Ministro: — Devo dizer, Sr. Deputado, que se eu for Primeiro-Ministro, nessa altura, não
deixarei de apresentar novamente essa proposta. E, portanto, proporei que a reversão salarial seja de 20%,
em 2016, como consta, de resto, daquilo que tem sido a posição pública do Governo.
Evidentemente, no Orçamento do Estado, não posso ignorar qual foi a decisão do Tribunal Constitucional,
que diz que só para 2015 é que esta reversão salarial que propusemos pode vigorar. Mas não deixarei, como
sugeri na minha intervenção inicial, de apresentar propostas que estejam de acordo com aquilo que achamos
que é razoável e que é possível.
A Sr.ª Presidente: — Queira concluir, Sr. Primeiro-Ministro
O Sr. Primeiro-Ministro: — Concluo, Sr.ª Presidente, apenas justificando ao Sr. Deputado, e a Sr.ª
Presidente não me vai levar a mal, uma nota de boa disposição de há pouco — e julgo que isso não deve
impedir o nosso debate —, quando ouvi também o Sr. Deputado citar a Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Confesso
que foi quase irresistível, realmente não foi controlado, mas não pude deixar de ver com muito interesse que
não só o Sr. Deputado Ferro Rodrigues, do lado do Partido Socialista, mas também Os Verdes tenham citado
a Dr.ª Manuela Ferreira Leite neste debate. Tenho a certeza, dentro das certezas que podemos ter, de que ela
deve estar bastante interessada neste debate.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — Concluímos aqui a primeira ronda de perguntas. Vamos passar ao conjunto de
perguntas que se segue. O Governo informou que o Sr. Primeiro-Ministro responderá a grupos de perguntas
do seguinte modo: de 13 perguntas, responderá, primeiro, a um conjunto de quatro, depois, a mais quatro e, a
seguir, a cinco.
Assim sendo, tem a palavra, pelo PS, o Sr. Deputado João Galamba.
O Sr. João Galamba (PS): — Sr.ª Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, não deixa de ser estranho ver o
Governo e a maioria celebrarem uma previsão orçamental para 2015, que será apurada em 2016, e ver toda
esta bancada e este Governo chamarem-lhe um facto. Penso que assim ficamos conversados em relação ao
vosso conceito de realidade, Sr. Primeiro-Ministro.
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. João Galamba (PS): — O Sr. Primeiro-Ministro tem uma estranha dissonância cognitiva na grande
maioria das afirmações que fez aqui. É que falaram aqui muito da espiral recessiva. A frase do Sr. Presidente
da República, que foi quem primeiro falou da espiral recessiva, foi esta: «Temos de pôr cobro a esta espiral
recessiva». Isto foi dito em 1 de janeiro de 2013. E isto aconteceu, Sr. Primeiro-Ministro, puseram cobro à
espiral recessiva. Mas não foi o senhor, nem o seu Governo que o fez, foi o Tribunal Constitucional, ao