I SÉRIE — NÚMERO 18
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Srs. Deputados da oposição, as vossas previsões foram desmentidas pela realidade em 2014 e estamos
convictos de que as vossas previsões voltarão a ser desmentidas pela realidade em 2015, devido ao esforço
deste Governo e dos portugueses, de todos os portugueses, na recuperação do País.
Mas esta questão deve fazer-nos refletir: o que leva a oposição, e, em especial, o PS, a criticar as linhas
orientadoras do Orçamento do Estado para 2015?
Na verdade, no fim de 2010, quando o PS ainda governava Portugal, o País encontrava-se à beira da
bancarrota: estava numa situação iminente de rutura de pagamentos, a prática da desorçamentação era regra
geral, o défice público atingiu, de acordo com os novos critérios do Eurostat, 11,2%, o valor mais alto desde o
25 de Abril, a despesa pública oficial ultrapassou os 50% do PIB.
Hoje, passados três anos de governação desta maioria, quão diferente é a situação! Fruto de um grande
esforço dos portugueses e da forte determinação do Governo, Portugal regista uma evolução: de um défice
externo, passámos a um excedente; as nossas exportações passaram de 28% do PIB para mais de 40% do
PIB, com ganhos reais de quota de mercado; Portugal ganhou 10 pontos no índice de competitividade;
Portugal cresce mais do que a zona euro; o emprego está em recuperação e o desemprego em queda; a
despesa pública primária caiu mais de 11 000 milhões de euros; o combate à evasão e à fraude fiscais é um
sucesso; o défice público terá, no fim desta Legislatura, o valor mais baixo da nossa democracia; o País
apresenta excedentes primários; a dívida pública está controlada; os juros da dívida pública estão em mínimos
históricos; o índice de confiança dos consumidores e dos empresários (sim, Srs. Deputados, não são números
macro), apresenta valores superiores aos registados antes do início da crise.
É este progresso, é esta recuperação da credibilidade que alguns não querem ver, sem nunca dizerem o
que fariam de diferente para alcançar resultados melhores, neste curto espaço de tempo.
É altura de perguntar ao PS, que, ao longo destes três anos, raramente esteve disponível para dar uma
mão ao País, por que está contra este Orçamento. Por acaso, está contra o combate à evasão e à fraude
fiscais que o Governo vem protagonizando e que permitiu, em 2014, um crescimento significativo da receita,
sem qualquer agravamento das taxas dos impostos?
Será que o PS está contra a melhoria do poder de compra das famílias, via aumento do salário mínimo, via
aumento das pensões, via reposição de 20% da redução salarial, via redução do IRS por inclusão do
quociente familiar?
Será que o PS está contra a devolução de parte ou do todo da sobretaxa de IRS aos cidadãos, caso a
receita fiscal em sede de IVA e de IRS fique acima do previsto, numa lógica de a receita extraordinária não
servir para mais despesa mas, antes, para aliviar os contribuintes?
Será que o PS está contra a redução do IRC, que antes consensualizou e que vai permitir um desafogo às
empresas, atrair investimento e criar emprego?
Será que o PS está contra a redução do défice, sabendo que mais défice significa mais dívida e mais
encargos para as gerações futuras?
Sr.ª Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as
e Srs. Deputados: O debate do Orçamento do Estado
permite uma discussão clara sobre o rumo que cada um propõe para o País.
Do lado do Governo, esse rumo é claro: rigor e responsabilidade, para permitir o crescimento e a melhoria
das condições de vida dos cidadãos. Do lado do PS, só recebemos conversa vaga e vazia, dizer mal só por
dizer, sem conseguir afirmar como, no contexto europeu, assegurava o respeito pelos compromissos do País,
libertava Portugal do procedimento por défice excessivo, diminuía impostos e melhorava o poder de compra
das famílias.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — A realidade é que o presente Orçamento concilia o rigor com a promoção
do crescimento e com a defesa dos mais carenciados.
Assim, são reforçadas as verbas para contratualização com as IPSS em mais de 50 milhões de euros. É
reforçado o orçamento do Serviço Nacional de Saúde. É ampliado o Programa de Emergência Social. São
aumentadas as verbas destinadas à formação profissional. A dedução à coleta do limite das despesas com
saúde, em sede de IRS, passa de 800 € para 1000 €.
É reforçado o programa de educação para adultos e de reintegração de pessoas com deficiência.